Segunda-feira, 22 de Maio de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº942

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Brasil tem 84 milhões sem acesso à internet

Por Jamil Chade em 29/09/2015 na edição 870
Texto publicado originalmente em O Estado de São Paulo , 22/09/2015

Oitenta e quatro milhões de brasileiros ainda não têm acesso à internet. Dados publicados (em 21/9/15) pela Organização das Nações Unidas (ONU) alertam que embora a rede mundial de computadores tenha progredido de forma importante nos países em desenvolvimento nos últimos anos, um número grande de pessoas ainda não está conectado. Além disso, o avanço da rede perde fôlego. No mundo, 57% da população, ou 4 bilhões de pessoas, continuam off-line. Enquanto isso, 3,2 bilhões de habitantes estavam conectados no fim do ano de 2014, contra 2,9 bilhões do ano anterior.

As taxas de expansão de acesso à rede mundial de computadores, que superavam a marca de 10% até 2012, hoje não chegam a 7%. “O crescimento da internet está perdendo força”, disse Phillippa Biggs, autora do estudo. Os dados foram apresentados pela Comissão de Banda Larga pelo Desenvolvimento Digital, criada pela ONU para promover o acesso à web e como base para a Assembleia Geral das Nações Unidas, que ocorre a partir da semana que vem (28/9).

‘Abismo’

A conclusão também aponta que a disparidade é ainda profunda entre países ricos e em desenvolvimento. Se nos mercados desenvolvidos existe praticamente uma “saturação”, nos países pobres a taxa de penetração é de 35%. Na Islândia, a taxa de usuários da rede é de 98%; na Noruega e na Dinamarca chega a 96%. Mas apenas 79 dos 194 países no mundo têm mais de 50% da população conectada. Em países como Guiné, Somália, Burundi, Timor Leste e Eritreia, menos de 2% dos cidadãos têm acesso à rede.

O Brasil vem em uma posição intermediária. Com 57% da população com acesso à web no fim de 2014, o País aparecia na 67.ª colocação mundial, praticamente empatado com a Venezuela. Com base nesses dados, Arábia Saudita, Argentina, Azerbaijão e Bósnia seriam mais conectados do que o Brasil.

Entre os emergentes, o País aparece na 32ª posição quando se considera o acesso à internet em casa. Em 2014, essa taxa era de 48%, contra 98% na Coreia ou 60% na Turquia. Apenas 11% dos brasileiros têm banda larga instalada em suas residências, contra 24% no Uruguai e mais de 40% na Suíça, França ou Holanda.

 Móvel

 Em um aspecto, porém, o Brasil vem avançando bastante: a conexão à internet pelo celular. Setenta e oito por cento dos usuários têm banda larga móvel, o que coloca o Brasil na 27.ª colocação no mundo e superando países europeus como Itália, França e Alemanha. O uso de dados no celular é uma das principais apostas dos especialistas para permitir uma nova expansão da internet. Para Biggs, da ONU, tudo indica que o avanço dessa tecnologia poderá ser a mais rápida da história.

Para ter 1 bilhão de linhas telefônicas fixas, o mundo levou 125 anos. Já o acesso da internet pelo celular pode atingir 1 bilhão de usuários em cinco anos.

Há, no entanto, dúvidas sobre o número real de celulares no planeta. Segundo Biggs, a empresa Ericsson indicou que existem 7 bilhões de celulares no mundo, que estão nas mãos de 5 bilhões de assinantes. “Mas, estudos apontam que o número real seria bem menor, de 3,7 bilhões de usuários”, disse a pesquisadora.

Diante da expansão mais lenta, a ONU admite que a meta estabelecida para incrementar o acesso de pessoas à rede terá de ser adiada. Em 2012, a perspectiva era de que 60% das residências teriam internet até 2015. Mas a taxa será de 46% e a meta só será atingida em 2021.

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