Terça-feira, 23 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1033
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Brasil, a capital das redes sociais

Por Luciano Martins Costa em 04/03/2013 na edição 735

O Brasilse tornou a “capital da mídia social”, afirma reportagem publicada na edição de domingo (3/3) do Estado de S.Paulo. A expressão é copiada de uma reportagem do Wall Street Journal, publicada em 4 de fevereiro, na qual o Brasil era apresentado como “A capital de mídia social do Universo”. Naquele texto, o jornal americano apresentava o exemplo de membros da família Barbosa, que se tornaram celebridades instantâneas ao postarem no Youtube um vídeo com a interpretação de uma música religiosa que resulta em gargalhadas.

Assim como os Barbosa, há centenas de outros exemplos, segundo o jornal americano, mostrando que a cultura hiper social do brasileiro, combinada ao crescimento das novas faixas de renda média da população, favorece a expansão das redes de relacionamento baseadas na tecnologia digital de comunicação e informação.

Como resultado, o Brasil se transformou no segundo mercado mundial para o Facebook, por exemplo, atrás apenas dos Estados Unidos. Isso representa mais de 65 milhões de usuários dos aplicativos da empresa e uma imensa base para negócios de todos os tipos.

Ponte ou ilha?

No rastro das interações sociais também se desenvolve o comércio digital, abrindo oportunidade para empreendedores criativos, criando as bases de um mercado cujos limites não se pode prever, porque não depende exclusivamente de ações de publicidade e marketing, mas das trocas de experiências entre os usuários das redes.

Junto com o Facebook, que tem uma larga operação no Brasil, as empresas que controlam o Twitter, o Youtube e o LinkedIn montaram escritórios próprios no país e seguem os passos da pioneira Orkut, que pertence ao Google, e que obteve grande aceitação entre os brasileiros e hoje conta com mais de 11 milhões de usuários ativos.

Esse fenômeno produz efeitos em praticamente toda a economia, e não apenas no comércio de aparelhos de comunicação móvel – a parte mais visível desse mercado. Ainda assim, essa indústria segue em plena expansão, com a previsão de que, já no final deste ano, a quantidade de celulares capazes de transmitir voz e dados deve superar o total de habitantes da Terra.

Essa nova realidade cria oportunidades e desafios para todos os setores da economia tradicional, e em especial para a indústria da informação.

Será possível um jornalismo direto, sem mediadores?

A mídia tradicional vai ficar apenas com a informação institucional?

Segundo o Estadão, entre as empresas tradicionais de comunicação e entretenimento do Brasil, o grupo Globo é o que mais se beneficia desse novo ambiente de relacionamento, com mais de 3 milhões de seguidores na rede Google Plus. No entanto, as empresas tradicionais de mídia ainda não encontraram um modelo de negócio que substitua o sistema de receita criado pela combinação entre assinaturas, venda avulsa de exemplares e publicidade.

O dilema é bastante claro: as novas redes digitais não funcionam com base na mediação entre uma central emissora de informações e a massa de usuários – elas transformam cada usuário em protagonista e multiplicador, o que na prática reduz o papel dos antigos mediadores. O Twitter, por exemplo, procura se colocar como uma ponte entre as pessoas, empresas e operadoras de comunicação.

Boa pergunta

Os meios impressos, que sempre se comportaram como ilhas de conteúdo e nunca investiram para valer na formação de novos leitores, estão vivendo um processo de ruptura, no qual apenas uma parcela do novo público tem noção do valor das marcas tradicionais de mídia.

O grupo Globo se beneficia de sua forte presença no campo do entretenimento e do esporte, temas que ocupam mais o tempo do brasileiro do que economia, política e problemas urbanos, e por esse motivo seus núcleos de produção de conteúdo têm vantagens no acesso aos usuários das redes sociais.

Ainda assim, a empresa tem que passar diariamente pelo processo de aprovação por parte de milhões de observadores ativos, com seus aparelhos móveis, e o valor da publicidade obtida na internet ainda é apenas uma fração do que se pode captar na televisão.

As empresas tradicionais não haviam superado o impacto da primeira onda da internet – ainda discutem a validade da cobrança por acesso a seus conteúdos – e são obrigadas a entender como funciona o mesmo usuário, agora em função mais ativa nas redes sociais.

Para complicar, o desenvolvimento das tecnologias digitais aponta para o predomínio absoluto da mobilidade como fator central nas comunicações. Empresas de pesquisa preveem que, já neste ano, 50% dos novos usuários de telefones celulares terão adquirido aparelhos com acesso à internet.

Num mundo inteiramente conectado, qual será o papel dos antigos mediadores?

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