Domingo, 09 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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Cesar Baima

20/04/2004 na edição 273

‘No início desta semana, a Microsoft fechou mais um acordo bilionário para pôr fim a um processo a que respondia na Justiça. Desta vez o acerto, de US$ 440 milhões (quase R$ 1,3 bilhão), foi com a InterTrust Technologies, que acusava a empresa de Bill Gates de violação de patentes relativas a tecnologia para prevenção da pirataria digital de músicas e filmes. O acordo segue-se a outro do tipo fechado com a rival Sun Microsystems, no valor de US$ 1,6 bilhão (R$ 4,6 bilhões), e à multa de mais de US$ 600 milhões (R$ 1,74 bilhão) imposta pela União Européia por práticas monopolistas.

Tais gastos seriam suficientes para abalar as finanças de qualquer grande empresa do mundo, mas não as da Microsoft. A companhia fechou o ano passado com nada menos do que US$ 52,8 bilhões em caixa e o destino que dará a essa fortuna é aguardado com ansiedade pelo mercado financeiro e concorrentes. No fim de fevereiro, John Connors, diretor financeiro da Microsoft, prometeu uma resposta antes do encontro anual com analistas, em julho. Como condição para a divulgação dos planos, ele citou justamente a resolução dos processos antitruste europeu e o movido pela Sun.

Com o encerramento dessas duas ações, crescem as especulações no mercado quanto aos novos investimentos da Microsoft, assim como a pressão dos acionistas por uma maior distribuição de dividendos pela empresa, que o fez modestamente pela primeira vez há pouco mais de um ano. No primeiro caso, desde fevereiro surgiram rumores de compra da America Online, maior provedor de acesso à internet do mundo, e do Google, mais famoso – e usado – site de buscas da grande rede. Ambos negócios, porém, já foram negados pelas empresas envolvidas.

Mas com uma posição predominante no mercado – seu sistema operacional Windows está em mais de 90% dos computadores do mundo -, a Microsoft pode se dar ao luxo de até esperar pelo amadurecimento de determinado segmento para investir nele.

– Não chegaremos cedo em tudo, e não chegaremos atrasados em tudo. O que temos de fazer é sermos os melhores em tudo. Mesmo se não formos os primeiros, sermos os melhores é importante – resumiu Steve Ballmer, principal executivo da Microsoft, em entrevista à CNET News.com.

Dentro dessa estratégia, apontam analistas, um dos alvos nos próximos meses deverá ser o de dispositivos portáteis de música digital, que o IPod da rival Apple popularizou nos últimos meses. Para tanto, a Microsoft pode contar com a RealNetworks, empresa especializada em softwares de vídeo e áudio que busca uma aliança com a Apple e está perdendo espaço com a inclusão do Media Player no Windows, um dos alvos do processo antimonopólio europeu.’



DISNEY EM CRISE
Seth Lubove

‘Disney enfrenta a revolta do sobrinho’, copyright Jornal do Brasil / Forbes EUA, 18/04/04

‘Os executivos da Comcast podem agradecer a Roy Disney por deixar o império de mídia que seu tio fundou, a Walt Disney Co., vulnerável a uma oferta de incorporação. Depois de demitir-se num acesso de raiva do cargo de diretor da Disney em dezembro, o herdeiro tem reprovado de maneira ruidosa e pública o diretor-presidente da companhia, Michael Eisner, pelos lucros fracos e por afastar a empresa da característica de companhia de ‘diversão para toda a família’, que sempre a distinguiu.

Roy Disney estava decidido a complicar a situação nesse feudo na reunião anual de acionistas do dia 3 de março na Filadélfia – por coincidência, a cidade natal da Comcast. Mas, na verdade, nos 20 anos em que administrou a empresa, Eisner trabalhou de maneira meticulosa para manter o Maravilhoso Mundo da Disney seguro para as crianças. A companhia chega a proibir a rede de televisão ABC de aceitar anúncios de preservativos. E Roy? Ele é dono de partes de algumas companhias que decididamente não combinam com a Disney. Isso inclui uma participação na companhia Ansell, com sede na Austrália, uma das maiores fabricantes mundiais de preservativos, que além disso utiliza anúncios pornográficos. Seus vários sites oferecem histórias cheias de luxúria, manuais para sexo tântrico, venda de lingerie e instruções de como usar lubrificantes.

Ainda assim, quando um repórter da Forbes questionou Roy Disney e seu sócio Stanley Gold a respeito de seus investimentos, Gold descreveu a Ansell como uma companhia que ‘faz luvas’. Até faz, mas os preservativos, embora representem apenas 13% das vendas da Ansell, são o maior componente da divisão mais rentável, respondendo por metade dela.

Roy Disney tem conquistado as manchetes nas últimas semanas com sua guerra contra Eisner, o salvador que ele contratou quando a Disney estava em estado deplorável em 1984. A revista Southern California Senior Life, com circulação de 285 mil exemplares, em recente matéria de capa, chamou Eisner de ‘bruxo malvado’ e incitou os leitores a ajudar a expulsá-lo – sem divulgar que Roy Disney havia adquirido a publicação em julho. Disney e Gold deleitam-se com o fato de a Comcast fazer eco às suas críticas: as unidades da Disney têm um desempenho menor que o esperado, um Eisner arrogante maltrata os parceiros criativos, os parques temáticos perdem vitalidade, as ações murcharam. Embora o preço das ações da Disney tenha subido 43% no ano passado, elas caíram 21% nos últimos cinco anos (contra um declínio de 7% no índice S&P500, que acompanha as ações das 500 maiores empresas nos EUA).

Mas a Disney deu-se bem melhor a longo prazo que algumas das aplicações de mídia do fundo de investimentos de Roy, o Shamrock Holdings, que aplicou US$ 2 bilhões em 26 anos. Roy Disney poderia ter ganho bem mais apenas deixando parte do dinheiro em ações da Disney. Desde que Eisner assumiu, as ações subiram 2.100% (contra 590% do S&P500). A íntegra desta matéria está na revista Forbes Brasil que circula esta semana’

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