Terça-feira, 23 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Cobertura não vai além do óbvio

Por Alberto Dines em 25/02/2008 na edição 473

Três das quatro revistas nacionais saíram neste fim de semana com Fidel Castro na capa. Pretendiam parecer atuais, sabiam que no domingo (24/2) à noite seria escolhido o sucessor do Comandante cubano.


O curioso é que duas das três capas foram montadas em cima da mesma foto: a silhueta de Fidel em preto-e-branco. Como são adversárias políticas, a mesma imagem serviu para títulos diametralmente opostos: Veja saiu-se com um ‘Já vai tarde’ e CartaCapital ficou no óbvio – ‘Cuba sem Fidel’. E daí? Época com um outro close de Fidel Castro tentou ser mais criativa e perguntou: ‘Estamos diante de uma segunda revolução cubana?’. Não sentiu necessidade de responder. O único semanário que tentou ser diferente foi IstoÉ, ao considerar que lipoaspiração é mais importante do que Cuba.


Muito tarde


Enquanto isso, no pequeno mundo dos grandes jornais as semelhanças também são flagrantes. Dos três diários nacionais, dois deles lançaram no domingo suas novas muletas para sustentar a circulação: a Folha de S.Paulo começou a oferecer uma série de livros de grandes escritores brasileiros e O Globo lançou uma promoção pseudo-ecológica, na qual o leitor pagará 9,90 reais para receber um livro e um panda de pelúcia perfeitamente inúteis.


Como se não bastasse, Folha e Estado, em São Paulo, vieram fechados num envelopão onde está dito que notícia importante tem que vir na capa. Só que a tal notícia só era importante para os respectivos departamentos de publicidade – o envelope foi pago por uma corretora da bolsa de valores, o leitor que se dane.


No dia em que o cidadão descobrir que pode viver sem este tipo de jornalismo talvez seja tarde para mudar.

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