Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

E-NOTíCIAS > JORNAIS ONLINE

Cobrar ou não cobrar, eis a questão

22/03/2005 na edição 321

O número de visitantes de sítios de jornais na internet só tem crescido, enquanto as versões impressas têm enfrentado dificuldade para manter seu público. Como reporta Katharine Seelye, do New York Times [14/3/05], diante dessa realidade, os editores e publishers continuam com o mesmo dilema que surgia há pouco mais de uma década: é melhor manter um portal com acesso gratuito, que gere dinheiro com publicidade, ou tentar obter faturamento com assinantes em um sítio fechado?

Dos quase 1.500 diários americanos, apenas o Wall Street Journal e cerca de 40 jornais de cidades pequenas fecharam totalmente o conteúdo gratuito de seus sítios, permitindo acesso apenas a assinantes. Muitos jornais optaram por deixar uma parte do conteúdo acessível gratuitamente, cobrando por recursos especiais, como pesquisa em arquivo. Esse modelo tem exemplos de sucesso, como o do Milwaukee Journal-Sentinel, que oferece por US$ 34,95 anuais cobertura exclusiva do time de futebol americano local. Mas há também casos mal-sucedidos, como o do Los Angeles Times, que tentou cobrar US$ 4,95 ao mês por uma seção de entretenimento e registrou queda acentuada do número de visitantes, motivo pelo qual já está reconsiderando a mudança.

Modelo de sucesso?

O caso do WSJ, que pertence à Dow Jones, é normalmente citado como exemplo de sucesso do modelo fechado, mas a recente compra do sítio MarketWatch pelo grupo mostra que ele pode estar querendo alcançar um público mais amplo, para faturar com publicidade. E se entre 1999 e 2000 o portal registrou um crescimento de 35% no número de anunciantes, entre 2003 e 2004 este índice já beirava a estagnação, não ultrapassando a marca de 3% de crescimento. No ano passado, o NYT, que deixa as seções principais abertas aos internautas, teve tiragem impressa diária média de 1.12 milhão de exemplares, contra 1.4 milhão de visitantes em seu sítio. Atualmente, o jornal cobra apenas pelas palavras-cruzadas, alertas de notícias urgentes e arquivos, e está estudando qual é a melhor forma de cobrar de seus leitores online.

Rejeição

O editor-executivo do diário, Bill Keller, comenta que o modelo baseado apenas em publicidade é tentador neste momento, mas gera algumas dúvidas sobre o futuro. ‘Queremos depender apenas dessa fonte de faturamento? O que acontece se o dinheiro de anúncios diminuir? E se alguém desenvolve um programa para filtrar nossa publicidade?’, questiona. Caroline Little, publisher da divisão de internet da Washington Post Company, admite que também está ‘sempre estudando este assunto’. Keller aponta ainda que o preocupa a possibilidade de restringir o acesso ao conteúdo do sítio e, com isso, diminuir a penetração internacional do NYT.

Rich Jaroslovsky, que era editor administrativo do Wall Street Journal Online em 1996, quando este passou a cobrar pelo acesso, e hoje exerce função semelhante na Bloomberg News, comenta que as chefias dos grandes jornais hoje lamentam não terem começado a cobrar pelo acesso a seus portais anos atrás, causando menos rejeição dos leitores do que hoje, quando já estão acostumados a ter conteúdo gratuito.

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