Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº931

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Como a rede Facebook está “engolindo” a Internet

Por Teddy Amenabar em 18/04/2016 na edição 899
Texto publicado originalmente no site Medium com base em um original do jornal The Washington Post.

Você pode transmitir ao vivo para o Facebook e Mark Zuckerberg quer que você saiba que isso é um grande negócio. Mas a última novidade do Facebook é mais do que a mera possibilidade de enviar um vídeo ao vivo para seus amigos verem. Há um mapa onde você pode explorar transmissões ao vivo em mundo todo. Existem filtros para serem usados por ocasião da transmissão e uma integração com as reações criadas pelo Facebook.

O Facebook Live é um dos maiores produtos lançados pelo Facebook nos últimos tempos, mas a maioria das engenhocas anunciadas, a um custo extra, soa como se fossem coisas oferecidas por outra empresa. Pulando para o vídeo ao vivo, o Facebook também está replicando, ou re-imaginando vídeos ao vivo feitos pelo Periscope, pelo Meerkat e outros. Numa entrevista que deu ao Buzzfeed News semana passada, Zuckerberg responde sobre o que faz o Facebook Live diferente do Periscope – a empresa de vídeos ao vivo de propriedade do Twitter.

Sua resposta foi simples: o Facebook tem audiência; os concorrentes, não. “Se você for alguém que só quer compartilhar com seus amigos, ajuda ter seus amigos ali”, disse Zuckerberg ao BuzzFeed.

Dias depois da declaração, o BuzzFeedque já fez parceria com o Facebook Live – estourou uma melancia apenas com elásticos de borracha e transmitiu tudo ao vivo no Facebook. Mais de 2 milhões de pessoas assistiram.

Texto soa exatamente como o Snapchat

O Facebook oferece o mesmo que o Periscope, mas com uma vantagem – está exatamente onde as pessoas estão. Não há correria, não há necessidade de baixar um aplicativo grande. Está no Facebook. Se você tem o aplicativo, porque ir a qualquer outro lugar?

Há algumas semanas, o Facebook Messenger divulgou um novo ovo de páscoa no qual os usuários podem fazer um jogo de basquete enviando um emoji. Basicamente, é o Peach Ball, aquilo que foi oferecido pela Peach – uma pequena rede social que foi lançada em janeiro – exceto pelo fato que o Messenger permite que você desafie seus amigos. Quando o Messenger anunciou o novo jogo, fiquei sem motivo algum para manter o Peach em meu smartphone. Ou melhor, fiquei com mais um motivo para usar o Facebook. Mais um ponto para Zuckerberg.

Desde que o Facebook tornou o Messenger um sistema completamente separado, em 2014, a empresa vem trabalhando para dominar o mercado de aplicativos de chat. O Messenger compete diretamente com o Kik e o WeChat, oferecendo aos usuários chamadas com vídeo, adesivos e – em breve – um armazém interno de robôs muito atencioso.

No entanto, a empresa não foi exatamente bem-sucedida nas tentativas que fez para modelar novas tendências. Quando o Snapchat começou a estourar, o Facebook criou o Slingshot, que foi apresentado em sua própria página no Facebook como uma maneira de “compartilhar a vida como ela é. Filtrar e desenhar sobre fotos e entrelaçar vídeos”. Soa exatamente como o Snapchat.

O Facebook quer tornar-se “a” internet

O Facebook tirou o Slingshot do armazém de aplicativos em dezembro – juntamente com outros dois produtos internos, o Riff e o Room –, mas a empresa continua competindo diretamente com o Snapchat. No mês passado, o Facebook comprou o MSQRD, um aplicativo que troca imagens de rosto e deixa você se parecer com o Homem de Ferro ou o Superman. É quase a mesma tecnologia que o Snapchat usa por trás de seus filtros. E não é só isso. Pouco depois, o Messenger divulgou códigos que podem ser escaneados e nomes de usuários para que as pessoas possam se conectar e compartilhar mais facilmente. É isso mesmo, você tem razão. Soa exatamente como os códigos QR no Snapchat.

A única rede social que o Facebook não tentou replicar foi o Instagram. O Facebook comprou o Instagram.

Mas antes que eu encerre com uma citação de 1984, ofereço meu cachimbo da paz. O Facebook tem boas ideias, originais. Reinventou a icônica tecla “curtir” e criou as “reações” do Facebook. Desenvolveu Instant Articles, permitindo que seus usuários lessem seus editores preferidos sem perder tempo de carregá-los. Entretanto, há uma tendência, tanto numa mudança interna quanto na reinvenção de um novo texto – todas as novas atualizações têm uma coisa em comum: são os motivos para nunca abandonar o aplicativo.

As pessoas inteligentes aproveitam as boas ideias. Ao adaptá-las, o Facebook pelo menos compete pelo desenvolvimento de cotas do mercado. É isso que faria qualquer empresa bem-sucedida. O problema é: poderá o Facebook continuar a reinventar aquilo que já está no mercado? E, mais importante ainda, quando é que a inovação se torna uma duplicação?

Não estou pedindo que todo mundo apague sua conta e ponha em questão sua moralidade desta estratégia comercial. Sejamos apenas honestos com o que está acontecendo.

O Facebook quer tornar-se “a” internet.

***

Teddy Amenabar é editor de comentários da equipe de relacionamento com leitores no The Washington Post. Tradução de Jô Amado

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