Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

E-NOTíCIAS > FIM DE SEMANA, 11 E 12/08

Comunique-se

14/08/2007 na edição 446

CASO RENAN
Comunique-se

Ex-sócio confirma parceria com Renan em rádios, 13/08/07

‘O empresário João Lyra, ex-sócio e atual desafeto de Renan Calheiros, confirmou a sociedade com o senador (PMDB-AL) na JR Radiodifusão, empresa que possui duas rádios em Alagoas e está registrada no nome do filho e do primo do presidente do Senado. Em entrevista à Veja do último final de semana, Lyra diz que Renan foi um bom sócio e pagou a sua parte – R$ 1,3 milhão – em dinheiro. ‘Foi bom enquanto durou’, afirma.

Na entrevista, Lyra conta que Renan não quis aparecer publicamente à frente dos negócios e não deu as razões, e então sugeriu o uso de laranjas. O empresário também diz que não sabe de onde veio o dinheiro do senador e que nunca teve curiosidade de saber. ‘Sinceramente, no decorrer da minha vida, nunca me preocupei muito com as coisas dos outros’, fundamenta. E que havia outras parcerias entre ele e Renan, mas que ‘eram negócios privados. Não gostaria de me estender sobre eles’.

A revista confirma também que Renan usou jatos e helicópteros de uma empresa de táxi aéreo de Lyra sem que as viagens fossem cobradas. No total, o senador fez 23 vôos, um gasto em torno de R$ 200 mil. No domingo (12/08), o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), afirmou que convocará Lyra para explicar a sociedade com Renan. O empresário também deverá ser chamado pelo Conselho de Ética.

JR Radiodifusão

A parceria entre Lyra e Renan na JR Radiodifusão durou até 2005. Os dois se tornaram sócios em 1998 para adquirir o Grupo O Jornal, que publica o diário O Jornal e é dono da concessão da Rádio Correio. A concessão da Rádio Porto Real veio em 2005, quando a sociedade tinha sido desfeita e Renan já era senador. Outras concessões foram aprovadas posteriormente.

(*) Com informações de Veja’

MÍDIA & POLÍTICA
Milton Coelho da Graça

A gente só pode relaxar e rir, 10/08/07

‘Eu era editor-chefe de O Globo e fui a Leningrado (o nome ainda era esse!) com minha mulher, em viagem de férias. Mas, com a inevitável curiosidade profissional, consegui uma entrevista com o chefe de redação da edição local do Pravda.

Na primeira pergunta, quis saber como era organizada a pauta. Na véspera, eu assistira a uma apresentação de ‘Eugenio Oneguin’, na Mali, uma sala menor, própria para consertos. Contei ao colega que me haviam impressionado as enormes filas para os banheiros (apenas dois bem pequenos) e também o ranger de uma tábua. Perguntei se o jornal fazia matérias sobre temas da administração municipal.

O coleguinha foi seco na resposta, me explicando que o jornal só se preocupava com assuntos sérios, citando, por exemplo, a execução do Plano Qüinqüenal. Expliquei que O Globo também acompanhava a execução dos planos governamentais, mas os assuntos sobre os problemas enfrentados diretamente pelo cidadão tinham amplo espaço, até porque as pesquisas mostravam o grande interesse por esses temas. Engrenei perguntando também sobre o mau estado da pavimentação da principal via da cidade, a Perspectiva Nevski.

A conversa azedou de vez. O coleguinha me disse, em tom pesado, que eu era de um jornal burguês e jamais conseguiria entender os verdadeiros interesses do povo.

Rafael Sobrinho, o repórter cinematográfico que flagrou o top top de Marco Aurélio Garcia no Palácio do Planalto deve estar gargalhando, ao ler o artigo escrito por Paulo Ferreira, Secretário Nacional de Finanças e Planejamento do PT.

‘A quem interessa esse tipo de picaretagem eletrônica?’ pergunta Paulo. E ele mesmo responde: ‘É evidente que há interesse político por trás desta manipulação.’ ‘Hoje, a bola da vez é Marco Aurélio; ontem, foi José Dirceu – injustamente cassado, sem provas, e com apoio incondicional dos mesmos articulistas, dos mesmos setores de mídia que colocam agora o dedo em riste contra Marco Aurélio.’

Reparem como essa indignação é parecida com a do chefe de redação do Pravda de Leningrado. E o que é também muito engraçado: o artigo de Paulo Ferreira foi publicado na página 7 de O Globo, edição de 03/08. O Pravda de Leningrado nunca publicou minha opinião sobre a pauta do jornal. E as imagens feitas por Rafael Sobrinho sairiam num programa de TV comandado por Paulo Ferreira?

(*) Milton Coelho da Graça, 77, jornalista desde 1959. Foi editor-chefe de O Globo e outros jornais (inclusive os clandestinos Notícias Censuradas e Resistência), das revistas Realidade, IstoÉ, 4 Rodas, Placar, Intervalo e deste Comunique-se.’

Ali Kamel

A grande imprensa, 7/08/07

‘Fonte: O Globo – A grande imprensa está sob ataque. Não do público, que continua considerando o jornalismo que aqui se produz como algo de extrema confiabilidade, conforme atestam pesquisas de opinião recentes. Os ataques vêm de setores autoritários e antidemocráticos, que diante do noticiário, sentem-se ameaçados. Esses setores consideram que só é notícia aquilo que, em nenhuma hipótese, atrapalha os seus planos de poder. Não importa que alguns acontecimentos lhes sejam embaraçosos; importa que ou não sejam noticiados ou sejam levados ao público de tal forma que o efeito, para eles, seja positivo ou neutro. Já disse uma vez: isso não seria jornalismo, mas propaganda.

Evidentemente, em seus ataques eles não deixam transparecer essa verdade. Tão logo surge um evento que eles consideram desvantajoso, começam a gritar, dizendo que não é o evento que lhes faz mal, mas a cobertura da grande imprensa. Costumam seguir o seguinte padrão: mentem, atribuem à grande imprensa coisas que ela não fez e denunciam conspirações que não existem. Sempre num tom indignado, dourando a grita com defesas ‘apaixonadas’ da liberdade de expressão e do que chamam de democratização da mídia. Um disfarce. Às vezes, publicam livros, financiados por partidos, com estudos pseudocientíficos como os que tentam demonstrar que, em 2006, os jornais penderam pesadamente a favor de Alckmin e contra Lula, no noticiário eleitoral. Tais estudos se esquecem apenas de contar que todo o noticiário sobre o mensalão e outros escândalos foi considerado prova de desequilíbrio contra Lula. Ora, se é assim, qual seria a alternativa para que o estudo apontasse equilíbrio? Não noticiar os escândalos? Mas isso sim seria perder o equilíbrio e a isenção.

É uma tautologia, mas, na atual conjuntura, vale dizer: o jornalismo só é livre e independente quando não depende de nenhuma fonte exclusiva de financiamento. Quanto mais variadas forem as fontes de recursos que sustentam um jornal, uma revista, um portal de internet ou uma emissora de rádio e televisão, mais livres e independentes serão esses veículos. O leitor pode fazer o teste. Veja os anunciantes da grande imprensa e verifique: a variedade é tanta que o veículo não depende, nem de longe, de ninguém isoladamente para sobreviver. E por isso é livre. E por isso é independente. O leitor poderá fazer outro teste. Procure algum veículo que se diga livre e independente e ao mesmo tempo se dedique costumeiramente a atacar a grande imprensa e a defender este ou qualquer governo. Veja os anunciantes. Eles são poucos e a concentração, grande. Quase sempre, será propaganda governamental. Se o veículo for um portal de internet, verifique quem são os controladores: fundos de pensão de órgãos do governo.

Portanto, livre mesmo, só a grande imprensa. Só ela tem os meios para investir em recursos humanos e tecnológicos capazes de torná-la apta a noticiar os fatos com rapidez, correção, isenção e pluralismo, sem jamais se preocupar se o que é noticiado vai ser bom ou ruim para este ou aquele cliente, para este ou aquele governo. A grande imprensa sabe que o seu compromisso é com o público, que lhe dá a audiência que lhe traz a publicidade. A grande imprensa sabe que o público exige informação de qualidade e que não pode ser enganado. O grande público é o que faz as suas escolhas cotidianas de acordo com o que é melhor para si, é o mesmo que tem discernimento para votar, para eleger seus governantes. Consumidores exigentes, grande público e cidadãos conscientes não são três entidades distintas, mas uma única realidade.

Na cobertura da tragédia da TAM, a grande imprensa se portou como devia. Não é pitonisa, como não é adivinha, desde o primeiro instante foi, honestamente, testando hipóteses, montando um quebra-cabeça que está longe do fim. A nação viveu um descalabro aéreo nos últimos dez meses? Então é necessário testar qual o impacto dessa desordem no acidente (e, hoje, ouve-se o ministro da Defesa dizer que a prioridade não é mais o conforto ou a ausência de filas, mas a segurança, uma admissão cabal de que, antes não era assim). A pista de Congonhas estava escorregadia (a ponto de, no dia anterior ao desastre, uma aeronave deslizar até um canteiro e outra quase se espatifar no fim da pista)? Então é preciso verificar se a pista foi fundamental no desastre. Chegam informações de que a manutenção da TAM é falha? Então é preciso saber como estava o avião acidentado (e descobrir que ele voava com o reverso pinado). A análise da caixa-preta ficou pronta? Então é preciso tentar revelar o seu conteúdo e mostrar que uma falha do piloto pode ter sido a causa do acidente. É a grande imprensa que noticia tudo isso, passo a passo, tendo apenas em mente informar o grande público, sem pensar no impacto negativo ou positivo que isso terá para o governo ou para a companhia aérea.

É assim aqui, é assim em todas as democracias. Quando do furacão Katrina, a imprensa americana, num continuum, testou muitas hipóteses: noticiou que aquela era uma tragédia anunciada, mostrou que houve cortes federais para obras urgentes nos diques que se romperam, denunciou a inépcia do governo no socorro imediato às vítimas. E a única coisa que o governo fez foi se defender, com dados e argumentos. O público pôde julgar quem estava com a razão. Ninguém ouviu de aliados de Bush que a mídia queria derrubá-lo, provocar o seu impeachment, desestabilizar o seu governo.

Já aqui, temos de conviver com essas bazófias. Porque aqui, ao contrário de lá, há quem queira que a informação esteja a reboque de projetos de poder.

(*) Jornalista.’

Luis Nassif

A mídia perdeu; o país também, 9/08/07

‘Observações a partir de uma conversa com jornalista de peso

Historicamente, sempre houve uma relação tensa nas redações, entre o chamado aquário (direção de redação) e a reportagem. Um pensa o produto, aquilo que impacta o leitor; a reportagem traz os fatos. Há uma lição que nenhum veículo pode ignorar: não se pode brigar com os fatos.

Nos anos 90, esse conflito muitas vezes foi resolvido de maneira pouco técnica: manchetes que não acompanhavam a notícia; ênfase exclusiva nas informações que se adequavam às teses do ‘aquário’. Mas, de qualquer forma, procurava-se preservar a notícia e não brigar com os fatos.

E havia razões de sobra para esses cuidados. Nos anos 80, a falta de sensibilidade em relação aos novos ventos estigmatizou alguns órgãos de imprensa. O mais afetado foi a Globo, acusada de não apoiar as diretas e, depois, de parcialidade na campanha de Fernando Collor (embora confesso não ter visto manipulação na edição do último debate entre Lula e Collor).

Nos anos 90, a recuperação da credibilidade se deu através de um trabalho hercúleo de Evandro Carlos de Andrade, tanto no jornal quanto na TV, passando por isenção na cobertura, pluralidade nas opiniões. Mesmo com os exageros de cobertura em episódios traumáticos, mesmo com diversas ondas de denúncia contra o governo FHC, os jornais chegaram a 2002 com a imagem relativamente preservada. Havia mau jornalismo, os críticos reconheciam, mas não havia alinhamento ideológico ou político com ninguém.

Agora, essa imagem está comprometida por dois episódios em que a soma de erros coletivos por parte da mídia atingiu proporções inéditas.

O primeiro, as últimas eleições. Perdeu-se o senso de reportagem e se passou a apelar incondicionalmente para dossiês, alguns sem pé nem cabeça – como foi o caso da ‘Veja’ com os já clássicos ‘dólares de Cuba’ e as ‘contas do governo no exterior’. Denúncias relevantes não foram apuradas; e os jornais apostaram em um estado de espírito do leitor para abdicar completamente do rigor e da técnica jornalística. O resultado das eleições mostrou que as denúncias não chegaram à maioria dos eleitores.

O segundo episódio foi agora, na cobertura do acidente com o avião da TAM. Não há registro na história recente da imprensa brasileira de sucessão tão grande de ‘barrigas’. É como se as diversas redações estivessem nas mãos de ‘focas’, tal a relação de impropriedades cometidas, de erros de julgamento, de retificações sem pedidos de desculpa. O que explica essa falta coletiva de limites?

O carnaval em torno do ‘top top’ de Marco Aurélio Garcia visou apenas criar uma ameaça, um alerta: não comemorem nossos erros. O último Datafolha mostrou que o clima de caos não chegou aos leitores.

Em outubro ou novembro do ano passado, quando falei em ‘suicídio da mídia’, me referia a esse fenômeno inédito, em que praticamente todos os grandes veículos embarcaram, puxados pelo inacreditável jornalismo de ‘Veja’.

O pior subproduto dessa imprudência não é nem a radicalização que começa a tomar conta do país e preocupa: é o enfraquecimento da mídia. Se fosse apenas uma questão financeira, problema dos administradores de cada órgão. Acontece que – embora o controlador da Editora Abril, Roberto Civita, pareça não saber – o jornalismo de opinião é elemento fundamental em uma democracia. Dos poderes, é o que tem mais agilidade para pressionar por reformas, por acertos, para impedir abusos, para colocar limites aos demais poderes.

Mas como se faz em um país em que – pela palavra do dono de alguns dos principais veículos – a mídia é apenas um grande supermercado, em que convivem ‘príncipes dos cronistas’ e o mundo cão?

Se quisesse, a mídia poderia produzir diariamente críticas fundamentadas contra o governo Lula. Com a banalização das denúncias, com o enfraquecimento da reportagem, em favor do ‘aquário’, perdeu-se esse referencial.

A mídia perdeu muito. Mas o país também.

(*) Jornalista e comentarista de economia. O texto foi publicado originalmente em seu blog.’

GRAMPOS & MÍDIA
Comunique-se

Imprensa não pode publicar conteúdo de escutas telefônicas, diz advogado-geral da União, 13/08/07

‘Nenhum veículo de comunicação pode divulgar o conteúdo de escutas telefônicas, de acordo com o advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli. Para o ministro, o direito de sigilo da fonte garantido pela Constituição não pode ser usado na legitimação do ato de divulgar dados que estão em segredo de Justiça. A declaração foi feita na sexta-feira (10/08) para a revista Consultor Jurídico durante o II Congresso Nacional de Direito. O advogado foi chamado para falar sobre o tema ‘Interceptação Telefônica: Investigação Criminal x Direito Fundamental’.

‘É curioso que não haja jurisprudência nos tribunais. Não que os juízes se recusem a julgar esse tipo de caso, é que os advogados não entram com ação contra a imprensa em favor do seu cliente’, explicou Toffoli. Ele frisou que a publicação precoce desses dados pode atrapalhar investigações e desmoralizar pessoas por toda a vida. De acordo com o ministro, jornalistas e meios de comunicação que publicam essas informações deveriam ser responsabilizados criminalmente. Apesar disso, advogados e o Ministério Público teriam medo do poder da imprensa, que atrapalharia as investigações com a publicação dessas informações.

Tecnologia X Estado

Para Toffoli, o desenvolvimento tecnológico tornou a imprensa ainda mais veloz, o que teria fragilizado o Estado. Se referindo à mídia como o Quinto Poder, Toffoli explicou que o seu papel mudou com o surgimento da internet. A velocidade das notícias faria o jornalismo disputar legitimidade com todos os outros poderes.

Desta forma, o poder público enfrentaria dificuldades para garantir ‘direitos fundamentais da população’. Apesar de frisar que as novas tecnologias diminuem a intimidade, Toffoli reconheceu que ‘o individuo não pode se valer desse direito de privacidade para fugir da investigação do Estado.’ Para o ministro o governo ainda não tem noção do limite de sua atuação.

Toffoli frisou ser a favor do uso de escutas telefônica e reconheceu que o Estado não possui o aparelhamento necessário para combater o crime. Contudo, isso não pode ser desculpa para ‘o desejo da sociedade de execração pública de acusados’. O ministro afirmou que o futuro é incerto já que não há uma solução que crie um acordo entre esses poderes e a garantia dos direitos da cidadania. Para ele, o foco deve ser a luta por um espaço público mais democrático.

(*) Com informações do Consultor Jurídico.’

MERCADO DE TRABALHO
Eduardo Ribeiro

Mudanças interestaduais, 8/08/07

‘Foi anunciada, nesta segunda-feira, (06/08), na redação do Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro, a contratação de José Aparecido Miguel, paulista de Morungaba, que apesar de ter o cargo de editor-assistente, vai ter funções de direção na área de conteúdo do jornal, reportando-se diretamente a ao diretor-geral do JB, Marcos Troyjo. Operacionalmente, ele vai atuar como revisor-geral do jornal, com ênfase na primeira página, capas dos diversos cadernos e manchetes; auxiliar na integração do online e do impresso; e como membro-sênior da equipe de reportagens especiais.

Miguel vinha atuando no comando de seu próprio negócio, a agência de comunicação Mais, da qual se afastou ao aceitar o convite do JB, delegando o comando das atividades a dois antigos parceiros: Marcos Garcia de Oliveira (ex-JT), que vai cuidar da conta da Fispal e de um serviço para o Instituto Uniemp (Universidade-Empresa), bem como da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes); e Eduardo Mattos (ex-editor de mídia da Agência Estado), que vai tocar a conta da Figer e manter o site www.brasilwiki.com.br, que ambos criaram e que já conta com mais de 40 mil acessos individuais por mês e tem destaque no ambiente da Web 2.0.

Ele começou no jornalismo em 1970 em Campinas (SP). Passou por Diário do Povo, Estadão, O Globo, Folha de S. Paulo – ali trabalhando com Luís Nassif na criação das páginas Dinheiro Vivo. No Estadão, chefiou a então Sucursal do ABC, e na EPTV-Campinas, afiliada da Rede Globo, a Redação. Passou ainda pela Rádio Eldorado-SP, integrou a equipe de comunicação da Rhodia e foi coordenador de Comunicação do Governo Fleury, em SP.

Outro que trocou de emprego e de cidade foi Leandro Conti. Ele deixou Curitiba, após quatro anos na Gerência de Comunicação da Philip Morris do Brasil, e regressou a São Paulo, contratado pela Henkel, para gerenciar a Comunicação da empresa para toda a América Latina, o que inclui, além do Brasil, a Argentina, o Chile e o México.

Caminho inverso fez Guilherme Athia (ex-Renault), que deixou São Paulo a caminho de Curitiba, exatamente para trabalhar na Philip Morris do Brasil, mas não na vaga de Leandro e sim numa posição superior, a de diretor de comunicação da empresa, que estava vaga havia quase um ano, desde a saída de Valter Brunner de lá. Brunner, a propósito, quando deixou a Philip Morris, também o fez mudando de cidade: ele se transferiu para São Paulo, para ocupar o posto de diretor de Comunicação da Telefónica, que deixou cerca de um mês e meio atrás.

Semanas atrás, José Roberto Mello, ex-assessor de imprensa de Marta Suplicy na prefeitura de São Paulo, aceitou convite da ex-chefe e foi para Brasília, para se integrar à equipe de imprensa da agora ministra do Turismo. Felipe Frisch chega à Economia de O Globo, no Rio de Janeiro, para a equipe de Finanças. Ele vem do Valor Econômico em São Paulo, da editoria de Legislação&Tributos, depois de passar uma temporada no Eu &; antes disso, esteve no site Investshop. Felipe volta ao Rio, onde mora sua família e, no jornal, ocupa o posto que foi de Patrícia Eloy, dividindo o trabalho com Bruno Rosa que, por sua vez, entrou no lugar de Ana Cecília Santos. Ambos estão na equipe de Liane Thedim. A redatora

Danielle Nogueira (ex-DCI) veio ocupar a vaga deixada por Paulo Thiago.

Fernanda Guzzo, repórter de Política do Correio Braziliense, deixou o jornal e Brasília de mudança para São Paulo e foi substituída, no cargo, por Isabele Torres, ex-assessoria da Presidência do Senado, que começou no novo trabalho esta semana.

O sortudo de Brasília

A sorte andou solta na capital federal. A Mega Sena premiou na semana passada, com quase R$ 19 milhões, Roberto Kuppê, 46 anos, profissional que presta serviços como assessor de imprensa a parlamentares da Câmara dos Deputados e que mantém um blog e uma tevê online, a Roberto Kuppê TV (RKTV), que deseja ampliar. O prêmio estava acumulado havia seis semanas. Kuppê, que atribuiu a sorte a Deus, disse que pretende usar 80% do valor na criação de uma fundação para tocar projetos sociais.

Natural de Rondônia, ele chegou a Brasília para trabalhar no jornal Tribuna do Brasil, há cerca de cinco anos.

Viver Bahia volta ao mercado 30 anos depois

Informa o correspondente deste J&Cia em Salvador, Vanderlei Carvalho, que, depois de meses no forno, chega ao mercado a nova Viver Bahia, publicação especializada em turismo que circulou e desapareceu nos anos 70. Propriedade da Bahiatursa, o título foi cedido à Associação Brasileira das Agências de Viagens – Seção Bahia, que assina a publicação em parceria com a Calção de Banho Publicidade e Editora. Em troca, a Bahiatursa e a

Secretaria de Turismo ganham, a título de permuta, espaços publicitários na publicação, além da divulgação da Bahia no seu conteúdo editorial, em apoio à ação governamental no setor de turismo.

A revista é bilíngüe (português-inglês), tendo inicialmente 64 páginas e tiragem de 20 mil exemplares. Sua distribuição será gratuita e abrangerá outras capitais (via mala direta e dirigida a organismos e entidades públicas e privadas, principalmente empresas ligadas à atividade turística, como hotéis, companhias aéreas, operadoras e agências de viagens) e também o exterior, em eventos e nos consulados e embaixadas ao redor do mundo.

Como destaca o diretor de Redação, Césio Oliveira, na Carta que abre a edição nº 1, a revista está de volta para contribuir com o incremento dos negócios do turismo no Estado e para atrair novos fluxos de visitantes, sem contudo abrir mão de uma conduta ecologicamente correta e de absoluto respeito aos costumes, tradições e cultura do povo baiano. O projeto gráfico foi desenvolvido pelo Estúdio Solisluna Design, com direção de arte de Enéas Guerra e Valéria Pergentino.

TVE Bahia comemora os 95 anos de Jorge Amado

Na próxima sexta-feira (10/08) Jorge Amado completaria 95 anos. Para comemorar a data, a TVE Bahia preparou uma programação especial em homenagem ao poeta, escritor e jornalista baiano. Ela começa nesta quarta-feira (08/08), às 21h, no programa Soterópolis, que recebe a diretora-executiva da Fundação Casa de Jorge Amado, Myriam Fraga. À frente da Fundação há 20 anos, desde sua criação, em 1987, a escritora acompanhou todo o processo de concretização do sonho de Amado de fundar um espaço de criação literária, troca de idéias e intercâmbio cultural.

O programa Sextas Baianas, destinado ao cinema baiano e que vai ao ar na sexta-feira (10/08), às 21h, vai tratar das obras de Jorge Amado adaptadas para o cinema: Tenda dos Milagres, Tieta, Os Pastores da Noite, Dona Flor e Seus Dois Maridos, Gabriela Cravo e Canela, Seara Vermelha, Terras do Sem Fim, Capitães da Areia e Jubiabá. O programa apresenta ainda trechos de dois filmes: Festas na Bahia de Oxalá, de Ronaldo Duarte, com narração de Jorge Amado, e Bahia, Por Exemplo, documentário dirigido por Rex Schindler com participação do escritor. Sextas Baianas também vai exibir o documentário Histórias de Jorge – Contos e Causos sobre o Amado, dirigido por Gisa Soares e Gurgel de Oliveira. São 26 minutos de depoimentos de amigos contando histórias e fatos marcantes do escritor.

Os noticiários da emissora – TVE Cidadania (8h), TVE Revista (12h) e TVE Notícia (18h30) – também trarão reportagens e a agenda completa de comemoração do aniversário do autor baiano.

Oportunidades

Ficam abertas até o próximo dia 15/08 as inscrições para o Programa Alfred Friendly Press Fellowships 2008, que a ONG norte-americana AFPF oferece para que jornalistas de países em desenvolvimento possam trabalhar como repórteres em redações americanas de março a agosto do próximo ano. A experiência inclui o aprendizado das práticas, padrões e valores do jornalismo dos EUA quepossam adaptar, aplicar e reproduzir em seus próprios países. O programa, com dez vagas anuais, é promovido desde 1984 exclusivamente para profissionais da mídia impressa e online. Os candidatos devem ter entre 25 e 35 anos, um mínimo de três anos de experiência e inglês avançado. Mais informações na assessoria de imprensa do Centro Cultural Brasil Estados Unidos de Campinas (a Central de Comunicação, com Ângela Kohlmann ou Isabela Leite, nos 19-3255-8241 / 8640), no site www.pressfellowships.org ou pelo e-mail info@pressfellowships.org.

A Divisão de Comunicação e Informação Pública do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, em Nairobi, no Quênia, oferece oportunidade de trabalho para profissionais da área de comunicação. O prazo para inscrição é 19/8. Mais informações, em inglês, no site de empregos da ONU.

(*) É jornalista profissional formado pela Fundação Armando Álvares Penteado e co-autor de inúmeros projetos editoriais focados no jornalismo e na comunicação corporativa, entre eles o livro-guia ‘Fontes de Informação’ e o livro ‘Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia’. Integra o Conselho Fiscal da Abracom – Associação Brasileira das Agências de Comunicação e é também colunista do jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, além de dirigir e editar o informativo Jornalistas&Cia, da M&A Editora. É também diretor da Mega Brasil Comunicação, empresa responsável pela organização do Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas.’

JORNALISMO ESPORTIVO
Marcelo Russio

Responsabilidade no uso da palavra, 7/08/07

‘Olá, amigos. Na última rodada do Campeonato Brasileiro, Renato Gaúcho disse, em alto e bom som, em uma entrevista coletiva, que o Fluminense estava sendo roubado na competição. Na mesma rodada, o técnico Joel Santana, do Flamengo, disse, dentro do campo, que seus jogadores deviam ‘dar porrada’ nos jogadortes do Santos que estivessem fazendo firula em campo.

Na segunda-feira (06/08), após uma grita geral de todos os lados, Renato manteve o que disse, e Joel tentou amenizar o teor de sua declaração, dizendo que pediu para os atletas marcarem com mais virilidade, e não que batessem nos colegas de profissão.

A verdade é que falta, aos dois, o conhecimento do bom e correto uso da palavra. No entanto, nós jornalistas, que vivemos da palavra, temos a obrigação de saber o que é dito, e interpretar corretamente o que ouvimos, para que, como formadores de opinião, possamos passar com clareza a visão mais imparcial possível dos fatos.

Lendo e ouvindo diversas colunas e matérias de alguns colegas, fiquei um pouco decepcionado com algumas afirmações de que Renato talvez quisesse dizer ‘prejudicado’ ao invés de ‘roubado’, e que Joel Santana queria mexer com os brios dos seus jogadores, ao invés de mandar bater, como mandou.

Ora, se uma pessoa diz que está sendo roubada, e depois reafirma o que disse, inclusive apresentando fatos que teoricamente embasariam a sua tese, essa pessoa, maior de idade, madura e experiente em sua área, quis mesmo dizer que estaria sendo roubada. Se outra pessoa, maior de idade, madura e experiente em sua área, diz que seus atletas têm que ‘baixar a porrada’, ela quis dizer exatamente isso, e não que houvesse mais atenção à marcação, ou o que fosse.

Detectei em alguns veículos da imprensa carioca uma certa proteção a dois personagens reconhecidamente queridos e carismáticos no cenário do futebol carioca. Não sei se, ao invés de Joel ou Renato, outros personagens do esporte na cidade tivessem dito o que disseram, se receberiam o benefício da dúvida de forma tão veemente como receberam.

A verdade é que Joel Santana deve ser punido pelo que disse, como não foram outros técnicos, como Geninho e Felipão, que disseram a mesma coisa, ou pior. Não é porque Joel é uma pessoa que nunca pregou a violência, segundo ele e os que o defendem, que não pode ser punido por ter exatamente pregado a violência. Se uma pessoa que nunca matou uma mosca, de repente, comete um assassinato em massa, guardadas as proporções, ela deve ter uma pena mais leve? Creio que não.

Da mesma forma, Renato Gaúcho precisa apresentar provas de que está efetivamente sendo roubado no Campeonato Brasileiro. Caso contrário, precisa ser, no mínimo, repreendido ou suspenso. Caso isso não aconteça, qualquer um, em qualquer circunstância, poderá dizer que está sendo roubado, e nada poderá ser feito, justamente por ter sido aberto um precedente.

(*) Jornalista esportivo, trabalha com internet desde 1995, quando participou da fundação de alguns dos primeiros sites esportivos do Brasil, criando a cobertura ao vivo online de jogos de futebol. Foi fundador e chegou a editor-chefe do Lancenet e editor-assistente de esportes da Globo.com.’

JORNAL DA IMPRENÇA
Moacir Japiassu

O pior texto do mundo, 9/08/07

‘o destino deste povo

é exportar ou morrer

é exportar e morrer

(Talis Andrade in Sertões de Dentro e de Fora)

O pior texto do mundo

O considerado Fausto Osoegawa, de São Paulo, passeava pelo G1, portal de notícias da Globo, quando encontrou esta obra-prima da inscícia universal:

Técnico em informática escreve pior começo de livro do mundo

JIM GLEESON, ELEITO O PIOR ESCRITOR.

Concurso de ruindade começou há 25 anos nos Estados Unidos.

Vencedor misturou vulcão, surdez e xixi numa frase só.

A frase campeã é a seguinte: ‘Gerald começou – mas foi interrompido por um assobio cortante que custou a ele 10% de sua audição permanente, como aconteceu a todo mundo em um raio de 10 milhas da erupção, não que isso importasse muito porque para eles ‘permanente’ significava os próximos dez minutos ou até eles serem enterrados pela lava ou sufocados pelas cinzas – a mijar.’

Veja o site do concurso com outras péssimas aberturas de romances (em inglês)

Janistraquis examinou a obra de Gleeson e disparou a seguinte provocação:

‘Considerado, o lead do escritor não é tão ruim assim; se não ocorreu infâmia do tradutor/traidor, o texto parece mais um fragmento de romance vanguardista.’

Falso-brilhante

Janistraquis acompanhou o show do ministro Nélson Jobim na CPI do apagão aéreo e depois exarou o seguinte e breve despacho:

‘Se o considerado Jobim tivesse dedicado a vida ao jornalismo, até hoje seria um daqueles falsos-brilhantes das reuniões de pauta. O ministro é um raro teórico, expele idéias impressionantes, mas precisamos ver se tem competência para fazer a matéria; afinal, esta não é falada, é escrita; e, antes de se dedicar ao espetáculo do texto, é necessário colher os dados corretos.’

Tudo verdade. Afinal, como ensinava o grande mestre Didi-da-folha-seca, texto é texto, jogo é jogo. Ou algo parecido.

De pesquisas

O considerado Diaulas Cavalcânti, empresário em Ribeirão Preto (SP), envia excerto do Ex-Blog do Cesar Maia no qual abrigam-se esclarecimentos sobre a popularidade do desgoverno Lula:

A recente pesquisa Data-Folha mostrou não apenas que nos segmentos de maior escolaridade Lula havia caído uns cinco pontos (o que ajudava as análises que querem circunscrever os fatos à classe média, quando se trata apenas de ponto de deflagração), como mostrou que a diferença entre ótimo+bom e ruim+péssimo na Capitais caiu também cinco pontos.

Curiosamente, enquanto a mesma diferença para o Interior não teve qualquer mudança no caso dos municípios das regiões metropolitanas, teria havido uma melhora de seis pontos. Certamente essa melhora não ocorreu e ela deve ser incluída na margem de erro. Nas capitais se pode confirmar por outras pesquisas e outros institutos.

Cavalcânti explica:

Não basta apenas ler a manchete do jornal com os ‘resultados’ da pesquisa; é preciso ‘saber ler’ para penetrar na ‘intimidade’ dos dados e entender realmente o que se passa.’

É verdade; pouquíssimos dominam tal assunto neste país de m… e por essa razão recomenda-se a leitura do texto completo no Blogstraquis.

Tem ou não tem?!?!

No minarete de Santa Tereza, onde vive e enxerga o mundo, o considerado José Truda Júnior pensou, pensou e escreveu:

Parece que não é só o gabinete do senador Renan Calheiros que anda a cheirar mal. Desde o início do ano, o presidente do senado tenta, sem o menor sucesso, provar à opinião pública que é rico o suficiente para comer, digo, pagar pensão alimentícia de R$ 12 mil à filha que a dublê de apresentadora da Globo e coelhinha da Playboy, Mônica Veloso, diz ser dele.

Pois não é que esta semana a mesma revista Veja, que jurava de pés juntos ser o senador um pobretão incapaz de tal façanha sem a ajuda financeira de empreiteiros e construtores, resolve mudar a história toda e tentar provar que Renan é, na verdade, um milionário capaz desta e de muitas outras?

Aí tem!

Janistraquis também acha que tem.

Escândalos brasileiros

O considerado Carlos Roberto Costa, engenheiro em Nova Friburgo (RJ), envia link da Wikipédia no qual estão listados os mais recentes e principais escândalos que têm enlameado o Brasil, do governo Geisel ao desgoverno de Lula.

A lista histórica e completa vai demorar a ser publicada, porque as primeiras safadezas remontam às Capitanias Hereditárias. Todavia, a relação possível já é suficiente para avaliarmos o quão de m… é este país de m… Confira aqui.

Inspirado Talis

Leia no Blogstraquis a íntegra de Terra dos Brasílicos, poema do considerado Talis Andrade cujo excerto encima esta coluna.

Viajando

Pousou na inconfiável pista da internet:

Com a British Airways você viaja para o Velho Mundo; com a Delta Airlines você viaja para o Novo Mundo; e com a TAM você viaja para o Outro Mundo!

Boca do Inferno

Encontrado em O Filtro, excelente clipagem de Thomas Traumann:

A VOLTA DO LUDISMO

Para entender a greve que prejudica mais de um milhão de passageiros do metrô de São Paulo é preciso ler uma matéria pequena de O Estado. Nela, descobre-se que há uma licitação para comprar 17 novos trens que poderão funcionar sem operador ou por meio de sistema híbrido, o que evitaria a companhia de ficar à mercê de decisões do sindicato. Ou seja, essa greve não é um impasse salarial. É uma discussão sobre o poder dos sindicatos versus a modernização, uma repetição do movimento ludista que destruía máquinas fabris na Inglaterra do século XVII.

Janistraquis ficou impressionado:

‘Considerado, sempre achei que o Brasil havia estacionado no Século XVIII; mas ainda estamos no Século XVII!!!’

Bom, diante disso só nos resta estabelecer correspondência com Gregório de Mattos e dar boas gargalhadas antes que o rei de Portugal nos venha entulhar com duros trigos.

Sucessão

Deu no excelente site Consultor Jurídico:

Acionista quer afastar do cargo presidente da Caninha 51

Janistraquis garante que o presidente Lula já tem a pessoa certa para substituir o homem, mas só em 2010.

Coisa do fute

Saiu no PavaZine, do jornalista Sérgio Pavarini, site que, por incrível que pareça, ainda não existe:

Cética de catiguria

‘Não tenho religião. Acho que Deus é uma ficção. O homem tem essa necessidade de se projetar numa coisa universal’ (Camila Pitanga, atriz)

Janistraquis, que sempre acendeu uma vela a Deus e outra ao Diabo, está convencido de que Camila Pitanga é invenção deste para tentar desmoralizar Aquele.

E o plural?

O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal no DF, de cuja varanda debruçada sobre a ficção foi possível enxergar Olavo Novais, vilão de Paraíso Tropical, a esgueirar-se em direção aos aposentos do Palácio do Planalto, pois Roldão lia o Correio Braziliense quando deparou com esta notícia, embosqueirada sob o título Polícia brasileira prende traficante internacional:

‘Segundo a Polícia Federal, a rede de traficantes usava o Brasil como ponto de distribuição de grande quantidade de drogas para os Estados Unidos e a Europa. Só para os EUA, Ramirez teria traficado mais de 1 mil tonelada de cocaína.’

Mestre Roldão, que já viu muita besteira neste mundo sem Deus, assinalou:

‘Um e uma estão no singular, mas um mil é plural.’

Segundo Janistraquis, a ausência dos plurais numa matéria serve para anunciar que o jornal está com o Analfabeto e não abre.

Nota dez

Sob o título O mais esperto bacharel dos ares, o considerado Augusto Nunes escreveu no Jornal do Brasil:

Luiz Inácio da Silva não escreveu o artigo que assinou na Gazeta Mercantil de 7 de janeiro de 2002, com o título Morte anunciada do transporte aéreo. Até aí, nada de mais. No mundo inteiro, políticos costumam delegar a confecção desse tipo de texto a algum redator de confiança, capaz de reproduzir com parágrafos claros, amparados em argumentos consistentes, o pensamento de quem vai assiná-lo. A tarefa é quase sempre entregue a um assessor. No caso do artigo subscrito por Lula, o verdadeiro autor é o advogado Roberto Teixeira.

(Leia no Blogstraquis a íntegra do artigo que mostra os altos vôos do compadre do presidente.)

Errei, sim!

‘MIMOSO FÉRETRO – Aterrorizado (e não é para menos), o leitor Leão Marcos Ampessan, de Santa Catarina, envia alguns, digamos, despojos d’O Jornal de Concórdia. Em exequial página, sepultaram um anúncio com os seguintes dizeres:

‘Este caixão pode ser seu. Preencha este cupom e entregue na Funerária Nossa Senhora do Rosário. E você já está concorrendo… Sorteio dia 10!

Atendimento 24 horas. Informações: Rua Marechal Deodoro, 776. Fone (0494 42-0622).

Ilustrado por mimoso féretro, maior do que muita quitinete oferecida por aí, o anúncio há de fazer, não me falece dúvida, o maior sucesso entre a população de Concórdia. ‘Quem viver, verá!’, animou-se Janistraquis.’ (maio de 1996).

Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP), ou japi.coluna@gmail.com.

(*) Paraibano, 65 anos de idade e 45 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou, entre outros, no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu nove livros(dos quais três romances) e o mais recente é a seleção de crônicas intitulada ‘Carta a Uma Paixão Definitiva’.’

INTERNET
Bruno Rodrigues

A linguagem, na internet, não se comporta como você pensa, 9/08/07

‘Faço questão de dividir com vocês o trabalho de pesquisa que desenvolvi sobre um dos principais aspectos do comportamento do conteúdo informativo online.

O estudo, intitulado ‘Como a linguagem se comporta na internet?’, já foi apresentado a vários dos meus clientes – com sucesso!

Sinto que consegui ajudar a desatar ‘nós’ em questões ligadas ao difícil relacionamento de quem produz conteúdo informativo para grandes sites ou portais com seus diversos públicos-alvos.

Leia, concorde, discorde – mas não deixe de postar seu comentário!

Bon apétit!

Bruno Rodrigues

******

Análise 1:

‘Linguagem’ na internet passa pela escolha de estilo

Entre os três estilos de redação – formal, semi-formal e informal – o semi-formal, derivado da publicidade, é utilizado com mais eficácia na internet.

O estilo formal chegou a ser usado no início da web comercial, mas ausência de empatia provocou rejeição imediata.

O estilo informal é utilizado com sucesso em sites pessoais, blogs e sites de humor ou critica, mas é obviamente restrito.

Vê-se o semi-formal como aquele que disponibiliza a informação de maneira clara, com um ‘toque’ de persuasão. No contato social, o semi-formal encontra um paralelo no relacionamento ‘educado’, ‘gentil’ ou ‘agradável’.

Conclusão: É recomendada a utilização do estilo semi-formal em boa parte dos públicos da internet, em especial os de sites empresariais ou de comércio eletrônico. É o estilo semi-formal a base segura, o estofo para se iniciar um relacionamento eficaz com os públicos.

Ferramenta de normatização: Guia de redação e estilo, produzido a partir das características dos conteúdos de cada site ou portal.

Análise 2:

‘Linguagem’ na internet passa pelo acesso a aspectos de uma mesma informação

Toda informação na internet deve ser estruturada em camadas, para que diversos públicos tenham acesso a aspectos específicos de uma mesma informação que lhes interessa.

Exemplo: ao falar em ‘perfil’ de uma empresa, ao estudante de 1º grau interessa a história da companhia, sua importância para a economia do país e suas atividades. Ao estudante de 2º grau – além dos aspectos já citados – interessa, por exemplo, o envolvimento da empresa na preservação do meio ambiente e em ações de responsabilidade social, além de seus patrocínios culturais. Ao universitário, interessa a atuação da companhia no exterior e seu desempenho no mercado acionário.

Como se pode notar, são diversos aspectos, mas sobre uma mesma informação: o ‘perfil’ da empresa.

Conclusão: Toda tentativa de escrever ‘diferente’ para públicos específicos é desastrosa. Quando se conclui que o correto é apurar quais aspectos das informações o público precisa, a aproximação é mais rápida, e a empatia, tão necessária, é conseqüência natural.

Ferramenta de normatização: Acompanhamento constante da arquitetura do site ou portal, o que irá garantir, sempre, a boa distribuição da informação e um acesso sem dificuldades a seus diversos aspectos.

Análise 3:

‘Linguagem’ na internet é resultado de relacionamento

Verticalizar o conteúdo de um site ou portal é resultado do conhecimento profundo de cada um dos públicos, que apenas um razoável tempo de relacionamento entre quem produz o conteúdo e quem o ‘consome’, é capaz de sedimentar.

Conhecer quais aspectos da informação ainda precisam ser abordados, quais são os que constituem ‘excesso’ – tudo isso é resultado de um contato permanente com o usuário.

Conclusão: Por mais que existam perfis previamente traçados, somente se conhece a real necessidade de um público na internet quando há a proposta de um relacionamento constante.

Ferramenta de normatização: A utilização de ferramentas de real interatividade com os públicos do portal, o que supõe ‘movimentos’ contínuos de relacionamento com um mesmo usuário, e não apenas dois ou três ‘movimentos’, como ocorre quando se responde um email ou se realiza uma promoção.

******

No dia 28 inicio mais uma edição de meu curso ‘Webwriting e Arquitetura da Informação’ no Rio de Janeiro. Serão cinco terças-feiras seguidas, sempre à noite. Para mais informações, é só ligar para 0xx 21 21023200 e falar com Cursos de Extensão, ou enviar um e-mail para extensao@facha.edu.br. Até lá!

(*) É autor do primeiro livro em português e terceiro no mundo sobre conteúdo online, ‘Webwriting – Pensando o texto para mídia digital’, e de sua continuação, ‘Webwriting – Redação e Informação para a web’. Ministra treinamentos em Webwriting e Arquitetura da Informação no Brasil e no exterior. Em sete anos, seus cursos formaram 1.300 alunos. É Consultor de Informação para a Mídia Digital do website Petrobras, um dos maiores da internet brasileira, e é citado no verbete ‘Webwriting’ do ‘Dicionário de Comunicação’, há três décadas uma das principais referências na área de Comunicação Social no Brasil.’

TELEVISÃO
Comunique-se

Debate Bola e Terceiro Tempo sairão do ar, 10/08/07

‘O Debate Bola e o Terceiro Tempo, programas esportivos comandados por Milton Neves na Record, devem sair do ar até o fim do mês. A descontinuidade seria fruto de um novo posicionamento da Record sobre esportes após o Pan. Não há confirmação oficial do fim dos programas, mas dois comentaristas do Debate Bola, Oscar Roberto de Godoy e Osmar de Oliveira, já deixaram a emissora. Oliveira está em conversas avançadas com a Band.

‘O que aconteceu é algo absolutamente normal. Eu já sei há dois meses que os programas iriam acabar. Numa televisão, o que a direção decide, tá decidido e não tem problema nenhum’, comentou Neves. O jornalista, que tem ainda três anos de contrato com a Record, participará de outros telejornais da emissora: ‘Não dá para ter certeza, mas devo colaborar com o Domingo Espetacular e outros’.

Record News

Neves desmentiu qualquer negociação com outra emissora: ‘São seis anos maravilhosos na Record. A emissora é muito correta e quem me conhece sabe que quando eu digo isso não é cascata’. Ele prepara agora seus programas na Record News, prevista para entrar no ar em novembro.

‘Já é certo que terei um programa esportivo de três horas de duração nos domingos à noite na Record News. Também terei um programa de grandes momentos do futebol, com os gols mais bonitos’, revelou.

Demissões?

Diferente de outras emissoras, a Record não fez contratações temporárias para o Pan. A cobertura foi feita com equipes do Rio, São Paulo e outras praças, envolvendo cerca de 200 pessoas. Ainda assim, alguns ficaram sem função após os Jogos, gerando o boato de demissões. Sete pessoas já teriam saído.

A assessoria de imprensa da Record comunicou que não houve nenhuma demissão, e que parte dos funcionários ociosos devem ser aproveitados na Record News.

Na Band

Já 21 dos 42 contratados pela Band para a competição não tiveram seus contratos renovados. Os demais profissionais ficarão focados nas diversas atrações esportivas que a emissora transmitirá no segundo semestre. Já no domingo (12/08) estréiam o Campeonato Inglês de futebol e o novo programa de Luize Altenhofen, o Garagem, sobre carros e motos, que ela acumulará com o Band Esporte Clube.

Ainda em agosto, começa o Campeonato Italiano de futebol e a Copa do Mundo Sub-17. Em setembro, serão transmitidos o Mundial de Ginástica Artística e a Copa do Mundo de Futebol Feminino.’

Antonio Brasil

Dança do Siri: gozação ou protesto contra a Globo?, 10/08/07

‘TV de verdade é TV ao vivo. Mas transmitir eventos sem quaisquer controles, filtros ou censura é muito perigoso. Principalmente para quem tem muito a perder ou esconder. Um dos melhores momentos da cobertura do Pan 2007 foi a saia justa do locutor Galvão Bueno ao narrar as comemorações de nossos jogadores de basquete na disputa pela medalha de ouro.

‘Olha a Dança do Siri, aí!’, exclamou o narrador, repetindo em seguida, ‘É a Dança do Siri’. Estava visivelmente surpreso. Não sabia o que fazer diante da cena tantas vezes proibida pela Globo. Mais tarde, os executivos da emissora declararam que o episódio ‘não é nada demais’ que ‘não há o que repercutir’. É. Pode ser. Mas há alguns dias, segundo a Folha, ‘A Globo expulsou internautas de festa virtual por fazerem dança do siri’. Mas o pior deve ter sido ouvir o xingamento da torcida presente no estádio. Centenas de espectadores repetiam uma frase impublicável. A grande mídia ignorou o protesto. Ninguém quer provocar ainda mais a força do império. Fiquei sabendo do protesto somente pelos vídeos do YouTube. Por lá ainda não é possível filtrar, controlar ou censurar o que vemos e ouvimos na TV.

Tem de tudo para todos no YouTube. De vaias em presidente, governadores e prefeito a críticas mais violentas ou até mesmo agressões a repórteres de TV. Por aqui, o protesto ou gozação ainda se resume a fazer uma coreografia no fundo da imagem.

Papagaios de pirata

Para muitos, a dança do siri é mais do que uma gozação. Inventada pelos humoristas do ‘Pânico na TV’, da Rede TV, a coreografia seria uma espécie de vaia ou protesto contra o poder da Globo. Virou uma verdadeira praga, uma ameaça constante nas entradas ao vivo de repórteres nos telejornais da emissora carioca. Segundo o noticiário, vários departamentos da Globo têm feito de tudo para impedir que a dança do siri entre — legal ou ilegalmente — na programação da emissora.

Outro dia, três rapazes viraram celebridades instantâneas ao executarem a dança dos políticos e a dança do siri atrás de um repórter ao vivo no JN. Foi sucesso imediato na rede. Tem até vídeo mostrando os bastidores da ação de guerrilha do grupo de jovens. Em um verdadeiro ‘making of’ eles mostram toda a organização da trama e a reação inesperado do público. Eles receberam inúmeros telefonemas de amigos que reconheceram os dançarinos que apareceram ao vivo no Jornal Nacional. Imperdível!

Esses vídeos demonstram a reação dos telespectadores ao poder da TV. Em tempos de interatividade na internet, de participação em tudo, a TV enfrenta com dificuldades o poder do público. Os telespectadores não se contentam em ser meros figurantes. Dos tempos dos papagaios de pirata – coadjuvantes passivos em entrevistas à dança do siri, há uma longa trajetória contra a ditadura dos telejornais. Hoje o público quer falar, dançar, tirar a atenção das reportagens, desafiar o poder da TV.

Momentos bizarros

A TV sempre almejou mostrar um mundo quase perfeito. Mas o jornalismo de TV ainda comete muitos erros. Tende a não ser levado muito a sério pelos demais profissionais de imprensa. Para eles, televisão é fonte inesgotável de risos.

Um dos maiores sucessos dos sites de vídeos são os filmes que mostram as ‘gafes’ nos telejornais. Fiz uma seleção dos melhores. Mas recomendo, principalmente, o ataque da câmera robótica. É simplesmente hilário. Mas há muitos outros exemplos. Também recomendo o festival de momentos bizarros durante telejornais de diversos países. Do Brasil e Portugal, vale a pena ver aqui e essa seleção de gafes hilárias da Globo.

Outra grande fonte de vídeos engraçados é o trabalho dos meteorologistas: homens e mulheres responsáveis pela previsão do tempo. Esse vídeo com o apresentador gay tendo um ataque ao ver uma barata é maravilhoso. Imperdível.

Mosca ao vivo

No Brasil, são famosos os vídeos com William Bonner imitando o Clodovil e outros grandes momentos dos nossos apresentadores e repórteres de TV. O meu favorito já é um clássico da internet: o vídeo da mosca com a repórter do RJTV. Reparem na reação da repórter. Ela tenta, mas não consegue evitar o desastre iminente ou disfarçar o riso.

TV ao vivo é muito arriscado. Alguém pode aparecer fazendo algo inesperado e indesejado. Mas também pode ser muito engraçado!

(*) É jornalista, professor de jornalismo da UERJ e professor visitante da Rutgers, The State University of New Jersey. Fez mestrado em Antropologia pela London School of Economics, doutorado em Ciência da Informação pela UFRJ e pós-doutorado em Novas Tecnologias na Rutgers University. Trabalhou no escritório da TV Globo em Londres e foi correspondente na América Latina para as agências internacionais de notícias para TV, UPITN e WTN. Autor de diversos livros, a destacar ‘Telejornalismo, Internet e Guerrilha Tecnológica’ e ‘O Poder das Imagens’. É torcedor do Flamengo e não tem vergonha de dizer que adora televisão.’

DIRETÓRIO ACADÊMICO
Carlos Chaparro

Que triste destino deram à CPMF!, 10/08/07

‘XIS DA QUESTÃO – O governo quer os 36 bilhões/ano da CPMF, não por causa das carências da área da saúde, mas para manter o equilíbrio orçamentário sem precisar reduzir os gastos (principalmente com pessoal), que não param de crescer, inflados, também, pelos superfaturamentos da corrupção. Enquanto isso, em Pernambuco, até gaze falta nos pronto-socorros.

1. Nutrindo tetas sugadas…

Chega a ser irônico, perversamente irônico, que na mesma semana em que a televisão expôs ao Brasil a dramaticidade do descalabro da saúde pública em alguns estados do Nordeste, os jornais nos digam que o governo faz no Congresso jogos políticos na base do mais tradicional e rasteiro ‘toma lá dá cá’, para conseguir prorrogar a CPMF por mais quatro anos. E faz isso com justificativas que nada têm a ver com as razões que levaram o dr. Jatene a propor em 1996, e a implantar em 1997, o famigerado imposto do cheque.

O dr. Jatene idealizou essa contribuição sobre a movimentação financeira como forma temporária de financiamento de um bom modelo de saúde pública. Mas a CPMF teve a vida alongada por sucessivas renovações, traindo o próprio nome e as finalidades que a justificavam na origem. Deixou de ser provisória e nada mais tem a ver com Saúde Pública.

O governo luta pelos 36 bilhões/ano que o imposto lhe garante, mas não por causa de investimentos e melhorias que tão urgentes são na área da Saúde. O governo quer esses 36 bilhões/ano, sem partilhas, para manter o equilíbrio orçamentário, sem precisar reduzir os gastos (principalmente com pessoal), que não param de crescer. E porque assim é, enquanto falta dinheiro para cuidar da saúde do povo, dinheiro jamais falta nas tetas sugadas pelo empreguismo e pelos superfaturamentos da corrupção.

Triste e vergonhoso destino teve a CPMF, idealizada para outros fins pelo dr. Jatene.

Caos criminoso

Entretanto, em Pernambuco, foi preciso que os médicos plantonistas nas emergências hospitalares fizessem um movimento radical, com auto-demissões em massa, para o governo estadual descobrir a situação caótica das condições em que se fazia o atendimento de urgência da população.

Eles conseguiram, pelo menos, nos mostrar que, quando morrem pessoas (e não é caso raro) nos pronto-socorros devido à precariedade das condições de atendimento, os culpados por essas mortes não são os médicos, mas os governantes.

Entre as pessoas de Recife com quem, sobre o assunto, hoje conversei por telefone, um motorista de táxi me garantiu que a população ficou ao lado dos médicos, por entender que, além da justa reivindicação por melhores salários, eles lutavam pela melhoria das condições de atendimento à população. Nas unidades de atendimentos de emergência não eram só as camas, as macas e o espaço físico que faltavam. Faltava gaze, algodão, medicamentos, equipamentos, higiene, pessoal nas equipes de plantão.

Para que os meus leitores possam fazer idéia da gravidade do caos a que a saúde pública chegou por lá, conto-lhes algo espantoso – e aferi a informação em várias fontes.

Um problema novo hoje existente em Pernambuco é a falta de macas nas ambulâncias dos bombeiros. Há relatos de casos em que, no atendimento a acidentes, a falta de maca na ambulância de resgate impediu os bombeiros de fazer o transporte das vítimas para o hospital mais próximo.

E sabem vocês porque faltam macas nas ambulâncias dos bombeiros? Porque, frequentemente, em operações de socorro, junto com o paciente, os bombeiros são obrigados a deixar também a maca, por não haver, no pronto-socorro, macas disponíveis para receber pacientes. Por lá ficam as macas das ambulâncias, até que os doentes que as ocuparam tenham alta. E nem todas voltam…

Uma vergonha! E vergonha maior, por tudo isso acontecer num país obrigado a assistir à internacionalização de discursos ufanistas do tipo ‘nosso biocombustível vai mudar o mundo’.

Que bom seria se o milagre do biocombustível servisse, ao menos, para mudar este Brasil de dores e humilhações, um pedaço do qual os médicos plantonistas de Pernambuco conseguiram expor ao mundo.

***

Nem todos os médicos plantonistas envolvidos no movimento voltaram atrás, na decisão de se demitir do serviço público. Mas o acordo feito trouxe de volta aos hospitais os que acreditaram nas boas intenções do governo, que se comprometeu não somente em melhorias salariais. Prometeu, também, reduzir drasticamente as carências que justificaram o movimento dos médicos pernambucanos.

Vamos ver…

Quem te viu, quem te vê…

Entretanto, nos teares da negociação parlamentar, os entendimentos estão sendo tecidos em bastidores protegidos, para garantir aos cofres do professor Mantega os 36 bilhões do CPMF já previstos nos cálculos orçamentários de receitas. O que significa dizer que a prorrogação do providencial imposto já eram favas contadas, nas contas do governo.

Que a CPMF vai ser prorrogada, ninguém mais duvida. Dos acordos feitos para que assim seja, os mais nojentos talvez nem tenham sido noticiados. Mas o que os jornais informam hoje já é suficiente para lamentarmos que nada tenha melhorado na política brasileira, depois que o PT se recostou nos espaldares palacianos. Ficou igualzinho aos outros. Por isso, na hora de ajustar interesses, todos se entendem tão bem…

Pelo que os jornais dizem, em troca do voto na prorrogação, e entre outras ‘generosas trocas’, as hostes governistas aceitam votar um projeto de fidelidade partidária que ‘anistie’ os 38 parlamentares que mudaram de partido depois de eleitos em 2006, e que estão ameaçados de perder os mandatos, por decisão do TSE.

***

Em resumo: a refestelança nas salas, ante-salas e cozinhas do poder transforma para pior não somente as pessoas, mas também os partidos. Por isso, temos de tomar como coisa normal ver o mesmo PT que, lá atrás, tanto brigou contra a criação da CPMF, ocupar hoje posição de vanguarda nas ações e nos argumentos em favor da prorrogação. E assinando em baixo, com punho firme e sorriso no rosto, acordos que, em idos tempos de oposição, repudiaria com alarde noticiante – que para isso serviam os discursos carregados de ornamentos supostamente éticos.

Quem te viu, quem te vê…

(*) Manuel Carlos Chaparro é doutor em Ciências da Comunicação e professor livre-docente (aposentado) do Departamento de Jornalismo e Editoração, na Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo, onde continua a orientar teses. É também jornalista, desde 1957. Com trabalhos individuais de reportagem, foi quatro vezes distinguido no Prêmio Esso de Jornalismo. No percurso acadêmico, dedicou-se ao estudo do discurso jornalístico, em projetos de pesquisa sobre gêneros jornalísticos, teoria do acontecimento e ação das fontes. Tem quatro livros publicados, sobre jornalismo. E um livro-reportagem, lançado em 2006 pela Hucitec. Foi presidente da Intercom, entre 1989-1991. É conselheiro da ABI em São Paulo e membro do Conselho de Ética da Abracom.’

COMUNIQUE-SE
Cassio Politi

Sem fazer boas reportagens, C-se critica furo da Folha, 7/08/07

‘A Folha de S.Paulo teve acesso ao conteúdo da caixa preta do Airbus A320 da TAM. E o Comunique-se o que fez? Criticou a reportagem baseando-se em entrevistas com especialistas em direito e segurança no transporte aéreo. Tentou, sem sucesso, ouvir também o ilustre senhor deputado Eduardo Cunha. Um usuário deu a melhor definição para os entrevistados: ‘especialistas em censura’.

É uma inversão de valores: Fernando Rodrigues, da Folha, consegue ter acesso à caixa preta e o caso é tratado pelo Comunique-se como um ‘vazamento de informação’ que ‘viola a convenção internacional de Chicago’. O texto nem sequer explica que a tal convenção foi realizada em 1944 e estabeleceu regras internacionais de aviação. Nada a ver com jornalismo.

O Comunique-se condenou o furo ao adotar o ponto de vista não do jornalista, mas de quem foi surpreendido pelos holofotes da mídia. Antes que um leitor atento me corrija: sim, a revista Veja antecipou, há dez dias, o conteúdo da caixa preta. A Folha confirmou as informações ao ter acesso ao CD-Rom que chegou ao Congresso dia 31/07. A revista deu o furo de um jeito e o jornal, de outro.

A redação discorda deste ombudsman. Argumenta que a matéria não tem teor crítico, pois a própria fala de um dos entrevistados ressalta que a mídia tem um ‘papel importante’ e que ‘encobrir informações não é procedente até pela sua credibilidade’.

E as reportagens?

O que falta ao Comunique-se é a cultura de fazer reportagem. O blog de Milton Neves saiu do UOL e foi para o iG. A matéria não explica as razões. É tão vazia que dá margem a um pensamento: bendito Google.

No afastamento de Marcelo Parada da vice-presidência da Band, bastou à redação ler a nota oficial da emissora, citar algumas especulações que circularam por aí e utilizar as aspas do site O Fuxico. Penetrar nos bastidores não é tarefa do Comunique-se? Um leitor esclarece:

* Sugiro mais profundidade à matéria.

O Observatório da Imprensa colocou no ar a imagem da morte de uma funcionária da TAM no acidente com o vôo 3054. É a fita que, numa postura louvável, a TV Cultura se recusara a colocar no ar ou ceder a outras emissoras. Mais uma vez, caberia uma reportagem. Mas o portal ficou em uma notinha frouxa, sem apuração.

Cabrini no Bahamas

Outro episódio também passou em branco no Comunique-se. As portas do Bahamas, boate de luxo famosa em São Paulo, foram lacradas depois que Roberto Cabrini exibiu no Jornal da Noite (Band) entrevista com o dono do estabelecimento. Ele admitiu: ‘não vamos ser hipócritas: é prostituição de luxo’. Por causa dessa declaração, a boate foi fechada.

A pauta era ainda mais rica. O subprefeito da Vila Mariana, Fábio Lepique, publicou em seu blog a cassação do alvará de funcionamento do Bahamas um dia antes da publicação no Diário Oficial. Se quiser saber mais, leia na Folha Online – já que no Comunique-se não saiu nada.

Bem, pelo menos o Comunique-se é coerente. Se é contra o furo de reportagem, por que noticiá-lo?

Ninguém foi encontrado

O Comunique-se dificilmente tem acesso ao personagem principal das reportagens que se propõe a fazer. Informar que fulano não foi encontrado deveria ser o último recurso, usado somente depois de esgotadas todas as possibilidades. Mas tem sido álibi para matérias capengas. Os repórteres desistem de uma entrevista ao menor sinal de dificuldade.

A redação se defende. Explica que a dificuldade de falar com entrevistados é inerente ao jornalismo e, se houve casos em excesso como afirma este ombudsman, o problema foi pontual.

Fiz a crítica – democraticamente rebatida – baseado em algumas matérias da semana passada. Um jornalista ganhou na Mega-Sena. Ele concedeu entrevista a uma rádio de Porto Velho e à Globo. O Comunique-se se contentou em publicar que o felizardo não lhe retornou os telefonemas.

Ok, vamos ponderar: pode ser mesmo que o jornalista não estivesse disposto a falar. Mas lendo os trechos de matérias abaixo, fico me perguntando: ninguém mais dá entrevista neste planeta?

* ‘[O deputado Eduardo] Cunha não foi encontrado pelo Comunique-se para comentar o assunto.’

(Matéria sobre caixa preta do Airbus)

* ‘O Comunique-se não conseguiu ter uma posição da diretoria do jornal.’

(Vaivém sobre o Jornal do Brasil)

O repórter – na acepção da palavra – é insaciável, apaixonado pela rua, apurador persistente e um chato assumido, entre outras qualidades. O que me preocupa é que essa espécie está ameaçada de extinção. A geração gabinete chegou para ficar.

Cassio Politi é jornalista. Atua na Internet desde 1997, com passagens por projetos pioneiros e grandes portais, como o UOL. Ministra cursos de Jornalismo On-Line e Videorreportagem desde 2001. Deu aulas em 25 estados brasileiros para mais de 2,5 mil jornalistas. Em janeiro de 2007, tornou-se o primeiro ombudsman do Comunique-se, empresa na qual também ocupa o cargo de diretor da Escola de Comunicação.

Escreva para o ombudsman: ombudsman@comunique-se.com.br.’

******************

Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

Terra Magazine

Veja

Agência Carta Maior

Comunique-se

Blog do Políbio Braga

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem