Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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Cresce número de sites e boletins eletrônicos sobre terceiro setor

Por Mônica Herculano em 25/01/2005 na edição 313

Acompanhando o crescimento do terceiro setor no Brasil, o número de sites institucionais e noticiosos que têm como foco a área social vêm aumentando a cada dia e registrando altos índices de audiência. Para se ter uma idéia, em 1996 eram apenas 200 os sites com a terminação ‘.org.br’. Hoje, segundo a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), órgão responsável pelo registro de domínios no Brasil, são mais de 19.500.

‘Para o terceiro setor, a internet representa dois avanços notáveis. Primeiro, a possibilidade de disseminar a baixo custo uma quantidade antes impensável de informações e conhecimentos. Segundo, dá voz a muitos atores sociais que antes estavam à margem do mundo da comunicação’, afirma o diretor executivo do GIFE, Fernando Rossetti. O desafio, segundo ele, é identificar como lidar com o excesso de comunicação e de conhecimentos disseminados. ‘É aí que entra a importância dos sites de organizações com trabalho reconhecido, que legitimam as informações que selecionam e disponibilizam.’

Rossetti entende que os sites de terceiro setor têm papel fundamental em duas dimensões essenciais para as mudanças às quais ele se propõe: educação e comunicação. Ao mesmo tempo em que comunicam idéias e ideais, organizam e disponibilizam as informações existentes na área, facilitando processos de aprendizagem. ‘Para esses sites cumprirem cada vez melhor sua função, que é disseminar conceitos e práticas do terceiro setor e contribuir para a formação dos cidadãos neste campo, é importante que eles sejam cada vez mais profissionais, tendo em suas equipes pessoas que, de fato, conheçam a natureza do trabalho nessa área. Jornalistas são em geral formados como ‘especialistas em generalidades’, e o terceiro setor exige alguma especialização no tema. É também necessário que esses sites se modernizem constantemente, porque o mundo está passando por mudanças muito rápidas, e eles correm o risco de ficarem rapidamente defasados.’

Em 2004, a audiência do site do GIFE apresentou um crescimento de 80% em relação ao ano anterior, com média de 25 mil visitas por mês e picos de 33 mil. Um dos primeiros do terceiro setor no Brasil, ele foi lançado em 1996, quando o domínio ‘.org.br’ ainda não era muito popular. ‘Nessa época não tínhamos provedores gratuitos ou pagos com acesso ilimitado de horas. Estar na internet era para poucos’, lembra o coordenador do site da instituição, Alexandre da Rocha.

Recursos

Com a popularização da internet e do e-mail, tudo ficou mais prático e barato. É possível conseguir centenas de novos leitores por mês sem nenhum grande impacto sobre o custo total do site. Para manter o seu no ar, o GIFE sempre contou com o apoio financeiro e técnico de outras organizações, como a Fundação Kellogg. Para o lançamento da versão atual, em setembro de 2003, houve o patrocínio da Fundação Avina. Atualmente, há recursos da Fundação Vale do Rio Doce que, em troca, tem um banner em todas as páginas do site, e do Instituto Synergos, que financiou áreas específicas, como a de relatos de casos concretos em investimento social privado.

‘Isso tudo, porém, garante a manutenção técnica do site – como hospedagem, correções de problemas técnicos etc. O conteúdo do site é mantido por duas pessoas, uma responsável pela parte de notícias e outra para as demais áreas. Se considerarmos os salários desses profissionais, todos os apoios dedicados ao site não fecham a conta. Para isso contamos com os recursos operacionais do GIFE, que vêm da anuidade dos associados, da captação de recursos e de serviços como cursos e vendas de publicação’, lembra Alexandre.

Se a sustentabilidade já é um grande desafio para as organizações do terceiro setor, imagine quando se trata especificamente de um site nesta área. Para mudanças maiores, como reformulação geral do layout e ampliação de conteúdo, a captação de recursos específica para o projeto é uma boa medida. ‘O apoio institucional em troca de banners também pode ser um caminho. Estas duas opções não são suficientes, mas são alternativas viáveis para bancar custos como hospedagem, manutenção, disparo de e-mails com informativos etc.’, indica Alexandre.

Na Andi (Agência de Notícias dos Direitos da Infância) também não existe uma fonte exclusiva de renda para o site, que é mantido pelos vários projetos desenvolvidos pela agência e que tem média mensal de 30 mil visitas. A coordenadora de mídia online da organização, Viviane Danin, acredita que a internet deve ter a mesma função das outras mídias e democratizar o acesso à informação. ‘Os sites devem refletir o trabalho desenvolvido pela instituição e devem ajudar a cumprir os seus objetivos estratégicos. Utilizamos o site como uma ferramenta de mobilização junto aos nossos diversos públicos-alvo.’

Boletins

Praticidade e custo também explicam o crescimento dos informativos eletrônicos no terceiro setor. ‘Nos últimos cinco anos o número de leitores do redeGIFE cresceu 42 vezes. Atualmente, temos mais de 30 mil leitores. Se colocássemos todo o conteúdo de uma edição em um informativo impresso, seriam ao menos 8 páginas impressas em formato A4, fora o custo de distribuição. Além disso, a periodicidade semanal poderia ser ameaçada. Nossa equipe reduzida teria dificuldades em levantar pauta, apurar as informações, redigir as notícias, diagramar e imprimir o material em um espaço de tempo tão curto’, conta Alexandre da Rocha.

Os bons boletins eletrônicos, para Alexandre Le Voci Sayad, editor-chefe do site Aprendiz e coordenador de programas em Educação e Comunicação da ONG Cidade Escola Aprendiz, são aqueles curtos, simples e que possibilitam o aprofundamento da notícia no site. ‘Esse formato ganha força e é barato também. Mas os sites no terceiro setor não devem ser meramente noticiosos, devem contextualizar o setor, apresentar opinião e serviço. Na minha visão, poucos hoje fazem isso’, afirma.

O site da Cidade Escola Aprendiz conta com recursos de anunciantes, empresas que investem na ONG e vêem nele uma oportunidade de visibilidade de seus investimentos. Atualmente, seu conteúdo abrange cidadania, educação e trabalho, e conta com uma média de 210 mil visitas por mês.

Para Cristina Charão, editora da Agência Repórter Social, quando bem pensados e executados, os boletins eletrônicos têm características próprias e ‘efeitos colaterais’ importantes, que não estão presentes nos meios comuns. ‘Estimulam, por exemplo, as próprias fundações e empresas a pensar e investir na inclusão digital para de fato atingir o seu público-alvo (quase sempre excluídos). Abrem também possibilidades diversas de atuação ‘remota’, o que leva ao investimento em criação de tecnologias eletrônicas que possam ser usadas para a multiplicação de tecnologias sociais’, explica.

Daniela Marques, coordenadora geral do portal Setor 3, mantido pelo Senac São Paulo, acredita que também é função dos sites de notícias sobre o terceiro setor pensar na questão da exclusão digital, utilizando o conhecimento e a experiência dos profissionais envolvidos, ou mesmo a estrutura tecnológica a que têm acesso para ajudar a minimizar a exclusão digital. ‘Nós estivemos pessoalmente envolvidos no Projeto Site Social que, em parceria com o iG, capacitou membros de organizações sociais que produziram desde conteúdo até design dos sites de suas organizações.’

O boletim do Setor 3 tem hoje 7 mil assinantes. Sites de organizações do terceiro setor, segundo Daniela, devem funcionar como uma ferramenta para informações e serviços que possam beneficiar a gestão de uma instituição social. ‘A utilização de boletins eletrônicos é coerente com o trabalho que fazemos e a linguagem que utilizamos e tem custo muito reduzido em comparação a outras formas de divulgação, sem contar a agilidade. Além disso, quando a organização apresenta seu trabalho pela web, aproxima-se ainda mais de possíveis doadores e parceiros.’

A Fundação Telefônica investe em diversos projetos pela inclusão digital e mantém o portal de informações para o terceiro setor RISolidária. O diretor presidente da organização, Sérgio Mindlin, explica que o site trabalha conteúdo e mobilização e encerrou 2004 registrando um crescimento de 600% em relação a janeiro do mesmo ano. O número total de acessos ultrapassou a marca do 75 mil no ano.

‘Todos os setores têm utilizado bastante este novo veículo de comunicação. Pela agilidade propiciada pela tecnologia, a função social desses sites é oferecer conteúdo indicado pelo público como importante, de forma inovadora/experimental e também fazer com que o portal se torne um veículo propício à articulação, que estimule o relacionamento entre seus usuários, para que troquem e produzam conhecimento’, afirma Mindlin. Para cumprir essa função, explica ele, é necessário descobrir quais ferramentas e conteúdos são demandados pelos usuários.

Fausto Rêgo e Maria Eduarda Mattar, editores da Rets (Revista do Terceiro Setor), acreditam que o crescimento da utilização da internet na área social talvez seja um caminho natural da própria mídia, da evolução, difusão e do alcance cada vez maiores dessa ferramenta. Eles contam que a missão da Rits (Rede de Informações para o Terceiro Setor) é ser uma rede virtual de informações. O site, portanto, é a essência desse trabalho. Por meio dele, busca-se produzir e disseminar informação, trabalhar pela articulação de redes, oferecer apoio técnico e capacitação para o uso dessas tecnologias, acompanhar e influenciar a formulação e implementação de políticas públicas de infoinclusão.

Os recursos vêm de projetos, executados em parcerias com agências de cooperação, empresas, poder público e apoiadores que se engajam nas iniciativas desenvolvidas. Em 2004, o site da Rits teve um número aproximado de 72.500 visitantes por mês. A newsletter semanal conta hoje com cerca de 55 mil assinantes, sendo que há uma média de 900 novas assinaturas por mês.

‘A internet proporciona a veiculação de informação de maneira extremamente rápida e democrática. Ferramentas de publicação eletrônica podem dar voz a pessoas que normalmente não teriam acesso a outro tipo de mídia. Além disso, a internet oferece uma capacidade de articulação e mobilização fantástica e pode ser um espaço de exercício pleno de cidadania’, completam.

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Repórter do redeGIFE (http://www.gife.org.br/)

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