Quinta-feira, 25 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1034
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Crescimento em meio à desigualdade digital

Por Thiago Romero em 28/11/2005 na edição 357

No Brasil, as desigualdades digitais fazem paralelo com as sociais. Enquanto a maioria da população não tem acesso à internet, a minoria conectada bate recordes mundiais em horas navegadas na rede de computadores.

De acordo com números apresentados pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), na quinta-feira (24/11), em São Paulo, 68% da população nunca acessou a internet e 55% jamais utilizaram um computador. O estudo sobre o uso de tecnologias da informação e da comunicação foi desenvolvido pelo Instituto Ipsos Opinion entre agosto e setembro de 2005, em 8.540 domicílios.

Segundo o CGI.br, a metodologia utilizada seguiu o padrão internacional da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e do Instituto de Estatísticas da Comissão Européia (Eurostat), permitindo a comparabilidade internacional. A margem de erro é de 1,5%.

‘A renda e a educação da população brasileira são os dois principais determinantes para os índices de acesso à internet’, disse Rogério Santanna dos Santos, conselheiro titular do CGI.br, à Agência Fapesp.

Segundo ele, o acesso cresce à medida que aumenta o nível educacional e a média de renda da população. Os representantes da classe A têm 46 vezes mais chances de ter um computador em casa do que os das classes D e E.

Entre as pessoas que usam a internet, essa mesma proporção cai para 20 vezes. ‘O uso da internet não depende exclusivamente da posse do computador. Como grande parte dos internautas é jovem, o acesso ocorre também em escolas e telecentros’, explica Clifford Young, diretor-geral da Ipsos Opinion.

Para Young, a exclusão digital também pode ser influenciada pela geografia dos grandes centros urbanos. ‘Entre dois indivíduos igualmente pobres, o que mora na periferia tem três vezes menos chances de ter acesso a um computador do que quem mora próximo a um bairro nobre’, acrescenta.

O levantamento também mostrou que 24% dos entrevistados conectados acessaram a internet nos últimos três meses, sendo que 9,6% costumam navegar diariamente. Quanto ao uso da rede, 41% o fazem para atividades educacionais, 32% para fins pessoais e 26% no trabalho. Brasília é a cidade com o maior número de pessoas conectadas, seguida de São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro.

Entre as principais atividades realizadas na internet por aqueles que utilizaram a rede nos últimos três meses destacam-se o uso do e-mail (17,21%), a realização de atividades escolares (11,48%), a procura de informações sobre bens e serviços (8,94%) e o envio de mensagens instantâneas (8,48%).

Quanto à realização de compras pela internet, a pesquisa mostra que 20% das pessoas que utilizaram a rede nos últimos 12 meses compraram algum produto ou serviço. Entre os produtos mais comprados estão filmes e música (17,9%), equipamentos eletrônicos (14,4%) e livros, revistas ou jornais entregues digitalmente (14,1%).

Os resultados de acesso domiciliar para a utilização de serviços de governo eletrônico também foram apresentados. Dos internautas, 12,68% usaram algum desses serviços nos últimos 12 meses, como consulta ao CPF (6%), declaração do imposto de renda (5%), informações sobre serviços públicos de educação (3%), inscrições em concursos públicos (3%), informações sobre empregos (2%) e pagamentos de IPVA, multas e licenciamento (2%).

Primeiro em navegação

Outro destaque na apresentação feita pelo CGI.br foi o recorde no tempo de navegação. Os brasileiros com acesso à internet são os maiores navegadores do mundo, tendo permanecido em média 18 horas e 42 minutos ligados à rede em outubro.

O recorde anterior também era brasileiro. Em junho, a média havia chegado a 18 horas e 28 minutos, superando os tempos apresentados por países como Estados Unidos e Japão. Os dados são de pesquisa feita pelo Ibope/NetRatings.

Além do Instituto Ipsos Opinion e do Ibope/NetRatings, o CGI.br se uniu ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A parceria com o IBGE prevê a inclusão de um módulo com 23 questões básicas sobre penetração e uso da internet na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) 2005, incluindo indicadores sobre local de acesso à internet, freqüência de uso, tipo de serviços e atividades realizadas. Serão pesquisados 140 mil domicílios ainda este ano. Segundo o CGI.br, os resultados estarão disponíveis em outubro de 2006.

Mais informações: Núcleo de Coordenação e Informação do Comitê Gestor da Internet no Brasil

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Repórter da Agência Fapesp

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