Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

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Criador do ‘anti-Facebook’ chama a atenção

Por Douglas MacMillan e Barrett Sheridan em 29/03/2011 na edição 635

Em 2008, Mark Zuckerberg, então com 23 anos, atraiu as atenções no South by Soutwest Interactive, o festival anual realizado em Austin, no Texas, e voltado para os fanáticos por computadores. O fundador do Facebook usou uma entrevista que concedeu para articular sua visão sobre o poder transformador das redes sociais. Sugeriu que, ao amarrar as identidades online às da vida real, o Facebook iria ajudar a criar uma internet mais segura e amigável.

No festival deste ano, Christopher Poole, de 22 anos, despertou as atenções ao fazer um pronunciamento no domingo, 13 de março. Poole estava lá em parte para promover a Canvas, sua companhia iniciante de internet. Mas ele é mais conhecido como o criador do ‘anti-Facebook’: o fórum de mensagens 4chan.org, no qual quase todos os usuários fazem suas postagens sob a rubrica ‘anônimo’. Em seu endereço, Poole exalta o anonimato. Zuckerberg está ‘totalmente errado’ em usar nomes reais na internet, disse ele à plateia: ‘Anonimato é autenticidade.’

Instantaneamente, os blogueiros que estavam no auditório lotado passaram a fazer comentários sarcásticos online e a multidão de aficionados por tecnologia começou a debater esses comentários enquanto apreciava cervejas grátis sob o sol do Texas. Felicia Day, atriz que estava entre os principais oradores do festival neste ano, deu uma pausa na promoção de seu mais recente programa de TV exibido na internet para defender o anonimato. Sem ele, disse Felicia, ‘muitos de nós somos impedidos de fazer coisas por medo da vergonha de fracassar’. O argumento também tem ramificações nos negócios online. O Facebook vai obter uma receita de US$ 4 bilhões este ano, segundo projeções da empresa de pesquisas eMarketer, e parte de seu poder de atração para os anunciantes é que suas páginas são limpas, um lugar bem iluminado onde as marcas estão a salvo das mensagens anônimas.

A ferramenta de comentários

Desde os dias da internet discada e da AOL, a rede mundial de computadores é um lugar onde é fácil permanecer não identificado. As salas de bate-papo, os quadros de mensagens e os formulários de registro são preenchidos com apelidos sem sentido, como ‘cool_guy123’. O Facebook, com seus quase 600 milhões de usuários, exige que os novos membros façam sua adesão usando seus nomes verdadeiros e possui uma equipe de segurança de mais de 150 pessoas para fazer cumprir suas regras. O Facebook vem levando essa missão para além de suas próprias páginas por meio de um serviço para donos de sites chamado Facebook Connect. Nos 2,5 milhões de sites que usam o Connect, incluindo a estação de rádio via internet Pandora e o blog de fofocas Gawker, os novos usuários não precisam criar novas senhas e nomes de login. Em vez disso, eles usam as credenciais já existentes no Facebook.

Em março, o Facebook foi um passo além, ao começar a oferecer uma ferramenta gratuita de comentários para pessoas e empresas que publicam conteúdo na internet. Os comentários dos usuários sobre postagens de blogs e artigos noticiosos sempre foram cheios de observações vazias ou maliciosas. Com o novo sistema do Facebook, é possível ligar os comentaristas à sua conta de rede social e exibir seus perfis e nomes verdadeiros junto com suas postagens. O objetivo é acabar com os diálogos sarcásticos que o anonimato estimula, afirma Andrew Bosworth, diretor de engenharia do Facebook. ‘Sua identidade dá valor aos comentários’, diz ele.

Isso também pode acrescentar valor aos resultados. Alguns comentários incluem informações que podem ajudar o Facebook a direcionar melhor seus anúncios. Os sites aliados se beneficiam com o aumento das visitas às suas páginas: o site noticioso Examiner.com viu seu tráfego originado do Facebook mais que dobrar no primeiro dia após ter instalado a ferramenta de comentários. No Sporting News, o tom dos comentários dos leitores costumava ser ‘embaraçoso, na melhor das hipóteses’, segundo seu presidente e editor, Jeff Price. Desde que adotou o Facebook Comments, a qualidade melhorou, assim como a percepção do site entre os anunciantes, afirma Price. Mais de 17 mil sites implementaram o Facebook Comments nas duas primeiras semanas depois de seu lançamento.

Usuários optam por ficar no anonimato

Poole é o rosto escancarado do movimento pró-anonimato graças ao 4chan, que ele começou em 2003, aos 15 anos. Seus quadros de mensagens atraem 12 milhões de visitantes por mês e são cheios de comentários e imagens que vão do trivial ao provocativo e ao obsceno. O 4chan é sempre mencionado como ‘a identidade da internet’ e deu origem a alguns dos mais conhecidos memes (imagens, vídeos ou informações repassadas de um usuário a outro) da internet, como os Lolcats, a popular série de gatos que fala um inglês trôpego. É também a nascente do Anonymous, o grupo hacker que em dezembro atacou os sites da MasterCard e outras empresas que se recusaram a processar pagamentos para o WikiLeaks (Poole diz não ter ligação com o Anonymous).

O anonimato online pode gerar frivolidades como o Lolcats, mas também é importante para dissidentes, delatores e pacientes que querem fazer pesquisas sobre suas doenças, afirma Andrew Lewman, diretor-executivo do Tor Project. Seu grupo opera uma rede que ajuda as pessoas a surfar na internet sem serem detectadas e a maioria dos usuários, segundo ele, é formada por ‘pessoas normais e desinteressantes’, que prezam seu anonimato. Poole diz que o anonimato também estimula as pessoas a assumir riscos que levam à inovação: é a diferença entre aprender a andar de bicicleta sozinho ou num estádio lotado. ‘Você provavelmente ficaria mais confortável levando tombos num estacionamento vazio’, afirma.

A Canvas é o mais recente estacionamento vazio de Poole para os usuários da internet. Ele recebeu US$ 625 mil de empresas de capital de risco como a Andreessen Horowitz, uma empresa do Vale do Silício, para desenvolver o negócio. Trata-se de uma versão mais bem cuidada do 4chan, um lugar para ‘compartilhar e brincar com imagens’, conforme sugere seu slogan. Os usuários enviam as imagens, redigem as legendas, editam o material e o compartilham com ferramentas construídas dentro do site. Assim como acontece no 4chan, muitos usuários optam por ficar no anonimato. Ele também tem mais jeito de negócio que o 4chan e Poole – que além de ter um perfil no Facebook, diz ter conhecido Mark Zuckerberg e que gosta dele – fez algumas concessões. ‘Estamos usando o Facebook Connect para verificar se as pessoas que estão aderindo são pessoas reais’, diz. ‘Mas não estamos fornecendo nosso nome nem informações em nosso perfil’ (tradução de Mário Zamarian).

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Da Redação da Bloomberg Businessweek

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