Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Denúncia chinfrim não dá ibope

Por Alberto Dines em 11/12/2007 na edição 463


Veja assumiu abertamente a manipulação rasteira, ranheta, rastaqüera. Mas Veja está cansada, já não acredita no que publica. As matérias são encomendadas, enfiadas nos buracos e estamos conversados.


A reportagem sobre a estréia da TV Brasil (edição 2038, págs.146-148) é melancólica: foi colocada na rubrica ‘Ideologia’ porque pretendia denunciar a transformação da antiga TVE num soviet petista e acabou mostrando como a exaltação ideológica no lobby da mídia comercial está liquidando os mais comezinhos princípios da apuração jornalística.


O repórter saiu com a incumbência de entrevistar produtores e editores dos principais programas da rede educativa, certo de que obteria revelações fantásticas sobre malversação de recursos, aparelhamento, controle político etc. Ligou para alguns e só ouviu queixas contra a dupla de diretoras que justamente acabara de ser demitida pela nova direção da TV Brasil. Resultado: as demitidas foram obrigadas a assumir publicamente que foram demitidas porque não se contentaram com os cargos que lhes foram oferecidos pela nova direção.


Nenhuma palavra


A solução foi transformar uma trepidante matéria de denúncia numa aborrecida resenha sobre a burocrática estréia da rede pública na semana anterior. Ao invés de apontar os descalabros dos últimos cinco anos na TVE que, em última análise, foram os responsáveis pelo meio ponto do ibope na estréia da sua sucessora, a matéria deriva para as platitudes habituais dos filósofos privatistas: ‘O Brasil precisa de uma rede pública’; ‘o Brasil já não tem uma TV pública?’


E quando se imagina que o entediado editor da Veja vai finalmente acordar, ele saca a informação de que o país já tem 177 canais que consomem 800 milhões de reais por ano. Nem se dá ao trabalho de oferecer detalhes aos angustiados contribuintes, seus leitores.


Nenhuma palavra sobre a Rede Cultura, da Fundação Padre Anchieta e bancada pelo estado de São Paulo, a mais bem-sucedida experiência de TV pública. Compreensível o esquecimento: lembrar que pode haver uma TV pública qualificada, capaz de funcionar como alternativa à pobreza das redes comerciais, derruba a atual histeria privatista. E nenhuma palavra sobre a desastrosa TV digital que, afinal, está enchendo de anúncios as páginas dos jornais e revistas.

Todos os comentários

  1. Comentou em 21/07/2010 vinicius dias

    Senhores, publiquei um comentário ao texto ‘Morte sem epitáfio’ do Dines, e até agora, após 5 dias, ele não foi publicado. Houve algum problema?
    Vinicius

  2. Comentou em 13/12/2007 Edilson Luiz da Silva

    *Fico triste ao saber destas atitudes de uma revista como Veja. Estou poupando meu minguado salário para assinar a revista para buscar um pouco mais de informação, e sabendo através deste observatório, aos interesses que ela se presta penso em procurar outra alternativa. Bem pelo menos posso confiar em vir até esse espaço, receber informação, ler comentários, que são o real pensamento de quem assina a matéria, sem prestar-se a macular imagem, esconder fatos ou inventar histórias. A qualquer momento estou em meu quintal.
    *QUINTALDOPROFETA.BLIG.IG.COM.BR

  3. Comentou em 12/12/2007 alcer lima de abreu

    Prezado Jornalista Alberto Dines, provavelmente, por erro de percepção, não consegui ler nas respostas dos leitores da sua coluna qualquer comentário a respeito do assunto em pauta: estréia da TV Brasil, reportada pela Veja. O que apreendi, e eventualmente, tenha sido o motivo principal do seu artigo, uma simples crítica ao veículo a ao seu editor-chefe, foi a defesa de conflitantes pontos de vista em relação a indigitada revista. Com todo respeito, me parece que estão dando mais importância ao mensageiro do que a própria mensagem. Na melhor das hipóteses, trata-se de inversão de valores. Tenho para mim, que para manter a sanidade mental e tentar formar opinião a respeito do que nos cerca sem se transformar num mero observador do cotidiano é, que deveriamos ler a ‘la droit et a la gauche’ com isenção e respeitando o contraditório. Não me consta que os franceses, italianos e americanos sejam considerados golpistas por lerem, ‘Le Figaro ou Le Monde, La Stampa ou Corrierre della Sera ou The New York Times ou Washigton Post’. Lamentavelmente, sou obrigado a reconhecer que existe um pequeno reporter ou reporter pequeno, seu vizinho no portal, o qual, acometido de iracunda raiva e inveja, sabe-se lá a razão, teima em separar entre ‘moçinhos e bandidos’ , através de intermináveis sofismas, os que concordam e os que discordam da sua ideologia. Meus respeitos e até outra vez.

  4. Comentou em 12/12/2007 alcer lima de abreu

    Prezado Jornalista Alberto Dines, provavelmente, por erro de percepção, não consegui ler nas respostas dos leitores da sua coluna qualquer comentário a respeito do assunto em pauta: estréia da TV Brasil, reportada pela Veja. O que apreendi, e eventualmente, tenha sido o motivo principal do seu artigo, uma simples crítica ao veículo a ao seu editor-chefe, foi a defesa de conflitantes pontos de vista em relação a indigitada revista. Com todo respeito, me parece que estão dando mais importância ao mensageiro do que a própria mensagem. Na melhor das hipóteses, trata-se de inversão de valores. Tenho para mim, que para manter a sanidade mental e tentar formar opinião a respeito do que nos cerca sem se transformar num mero observador do cotidiano é, que deveriamos ler a ‘la droit et a la gauche’ com isenção e respeitando o contraditório. Não me consta que os franceses, italianos e americanos sejam considerados golpistas por lerem, ‘Le Figaro ou Le Monde, La Stampa ou Corrierre della Sera ou The New York Times ou Washigton Post’. Lamentavelmente, sou obrigado a reconhecer que existe um pequeno reporter ou reporter pequeno, seu vizinho no portal, o qual, acometido de iracunda raiva e inveja, sabe-se lá a razão, teima em separar entre ‘moçinhos e bandidos’ , através de intermináveis sofismas, os que concordam e os que discordam da sua ideologia. Meus respeitos e até outra vez.

  5. Comentou em 12/12/2007 Lina Arantes

    Essa lenga-lenga não vai acabar nunca. Quando o PT era oposição, vibrava com as notícias que saíam na mídia. Hoje, situação, ataca a mesma mídia, achando que ela mudou, que é partidária e coisa e tal.
    Então, quem mudou? a mídia ou o conceito de mídia pelos próprios políticos e partidários?
    Quando somos estilingue, gostamos de quebrar vidraças; quando somos vidraça não gostamos de levar estilingadas?
    Enquanto houver trocas de partido no governo, graças à democracia, esse arroubo vai continuar. Cada um defende a sua ideologia e interpreta a imprensa do jeito que lhe convier.
    A oposição gosta quando a imprensa expõe a seus leitores os malfeitos do governo, assim como a situação não gosta que isso seja feito. Isso é próprio da política e das pessoas que se envolvem com ela.
    Só que ‘nunca antes neste país’ atacou-se tanto a imprensa.

  6. Comentou em 12/12/2007 Marco Antônio Leite

    Senhor Magela, não se faz revolução com flores e beijos, revolução se faz com armas e brutalidade, ou seja, os guerrilheiros usam o mesmo método que a burguesia podre e fétida sempre usaram para matar os pobres. A revista ‘ZOIA’ não desmistificou ninguém, apenas sofismou sobre o maior ser humano que o mundo já pariu, um ser humano que virou um símbolo para o proletariado mundial. Você deve sofrer da incurável doença cujo vírus chama-se desvio burguês!

  7. Comentou em 11/12/2007 Marcelo P. Pereira

    Uma qualificada em 177? Nossa, esse negócio de TV estatal é muito pior do que eu pensava! E quanto ao ‘qualificada’, resta esclarecer na opinião de quem. Pois do público, que garante pouco mais que traço à Cultura, é que não é…

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