Quinta-feira, 23 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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Desciclopédia: ‘livre de conteúdo’, mas não de algumas verdades

Por Emanuelle Najjar em 07/04/2009 na edição 532

Depois de navegar em quase todos os sites de notícia, depois de procurar artigos e outros assuntos que pudessem inspirar algum texto, dei-me o direito de procurar algum tipo de diversão. Diversão, leia-se ‘cultura inútil’, aquilo que chamam de abobrinha. Não considero inútil, mas ok, opiniões diversas…

Voltando ao assunto, nessa minha incursão amplamente cultural, resolvi me aventurar na desciclopédia: ‘a enciclopédia livre de conteúdo’. A versão esculachada da Wikipédia, por assim dizer. Como seu senso de humor mordaz já é amplamente conhecido, resolvi procurar a definição dela para minha profissão: jornalista. E o que encontrei, além de me fazer rir, pode causar uma boa reflexão. Aí vai alguns trechos:

‘O jornalista se acha no direito de se auto-incumbir ao saber de verdade quanto a todas as informações, sem se importar nem um pouco se essa informação não leva a nada ou a lugar nenhum, só se importando caso isso melhore o seu salário e a reputação com o seu patrão.’

Muita gente acredita que esses programas que passam à tarde, que falam de fofoca, moda, culinário, jogos, curiosidades, comentários etc., é jornalismo. Por isso fazem jornalismo porque querem estar lá, mostrando o rosto na TV e ganhando dinheiro e reconhecimento batendo papo do lado de famosos.

Para o povo é fácil distinguir textos jornalísticos objetivos do chamado jornalismo opinativo, uma vez que a imprensa é a dona absoluta da verdade imparcial e nada seletiva, ou seja, não há porque duvidar de Deus.

Os ‘donos da verdade’

Significativo, não? Tudo bem que seja uma visão esculachada de internautas com senso de humor criativo e aguçado, mas há um pouco de verdade aqui. Afinal, quanta gente não acha que a TV é o único caminho, ou a única forma de ser famoso? Jornalismo não significa necessariamente fama. Aparecer numa materiazinha de rua falando sobre buraco – sem desmerecer aqueles que executam essas pautas – não significa garantia qualquer sobre um posto como âncora de telejornal.

E segmentos de fofoca não são aquilo que se espera de um jornalista, mas certamente são um campo de trabalho. Afinal, o mundo está em crise… as contas não param de chegar, independente do quão idealista você possa ser.

Refletindo sobre as responsabilidades atribuídas ao jornalista, não é difícil descobrir que somos vistos como filtros de realidade. Jornalistas decidem aquilo que entra ou não no jornal ou telejornal ou página de internet de acordo com regras a respeito da informação como um produto.

Com todo esse ‘poder’, nada mais justo que os profissionais da imprensa sejam vistos como donos da verdade. Na verdade, até agimos como tal. Temos tal postura, é quase inevitável. Tem gente que se sente mesmo Deus tendo um terninho, um bloco de anotações ou um microfone na mão. ‘Modéstia’ pode ser encontrada em qualquer lugar.

Enfim, apenas pequenas verdades ácidas sobre nossa profissão. Os donos da verdade encarando as verdades alheias e justamente de onde menos se espera.

A enciclopédia livre de conteúdo, quem diria, tem algumas verdades.

******

Jornalista, São José do Barreiro, SP

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