Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

E-NOTíCIAS > JORNALISMO DE ALTO RISCO

Divulgada pesquisa sobre jornalistas `incorporados´

30/01/2006 na edição 366

A ‘incorporação’ (‘embedding’, em inglês) de jornalistas nas tropas militares durante a invasão americana ao Iraque em 2003 foi considerada um sucesso absoluto, tanto na opinião do Exército quanto na dos jornalistas que participaram do programa, de acordo com estudo patrocinado em 2004 pelo Departamento de Defesa dos EUA.


A pesquisa, conduzida pelo Instituto de Análises de Defesa dos EUA, analisou entrevistas com 136 militares e 104 editores e jornalistas ‘incorporados’ entre maio de 2003 a abril de 2004. Embora tenha sido finalizada em setembro de 2004, ela só foi liberada pelo Departamento de Defesa para ser divulgada ao público no mês passado.


O autor da pesquisa, Richard Wright, não quis fazer comentários. O coronel Hiram Bell, comandante da Defense Information School (escola do Departamento de Defesa com aulas de jornalismo e relações públicas para militares), não se mostrou surpreso com os resultados do estudo. ‘Era o esperado, baseado no que escutamos anteriormente de militares e jornalistas’, afirmou, esclarecendo que a pesquisa não foi divulgada mais cedo porque teve de ser revisada diversas vezes. ‘Nunca houve um prazo de entrega, pois se trata de um estudo para registro’, completou.


Dados sobre a ‘incorporação’


A pesquisa revelou diversos fatos curiosos. No primeiro ano, apenas três jornalistas foram banidos permanentemente do programa; havia 67 mulheres ‘incorporadas’, ou 9,7% do total de jornalistas; o mais velho participante tinha 75 anos e o mais novo, 23. O Exército estima ter gasto US$ 1,2 milhão com os jornalistas nos meses iniciais da guerra, principalmente com equipamentos de proteção química e biológica, cursos de treinamento e alimentação.


Nove ex-‘incorporados’ entrevistados relataram ter tido ‘problemas para se ajustar depois de retornar do Iraque, com efeitos psicológicos que duraram de uma semana a seis meses’. Outro dado sobre a cobertura dos jornalistas que seguiam as tropas mostra que os ‘incorporados’ pediam freqüentemente aos comandantes que revisassem uma matéria ou olhassem um vídeo antes de sua divulgação, para garantir a ‘precisão’ das informações. No entanto, nenhum dos jornalistas classificou isto como censura. Sobre a relação entre soldados e jornalistas, os profissionais da mídia permitiam freqüentemente que soldados usassem seus telefones por satélite e laptops para se comunicar com suas famílias. O relatório conclui que a proximidade entre eles ‘não impediu que os jornalistas fizessem o que foram fazer – reportar a verdade’.


Visão obscura


Alguns comandantes militares admitem ter tido uma visão obscura dos jornalistas independentes ou ‘unilaterais’, que buscavam apenas notícias negativas sobre a guerra. Estes, de acordo com a pesquisa, não tinham a confiança dos comandantes e muitas vezes lhe eram negadas determinadas informações. Alguns comandantes davam a certos jornalistas acesso a informações confidenciais, ‘para ajudá-los a entender o conceito de uma operação e cobrir de acordo com os fatos quando eles testemunhassem uma execução’. Ao mesmo tempo, os militares ‘mostraram-se preocupados que muitos fatos referentes à reconstrução do país não foram divulgados’ pela imprensa.


Embora o relatório tenha uma visão positiva da ‘incorporação’, há afirmações de que pequenas mudanças devem ser feitas em futuras experiências em operações militares, como incluir maior acesso a veículos de transmissão, deixar juntos fotógrafos e repórteres das mesmas empresas de comunicação e permitir uma maior flexibilidade de deslocamento dos jornalistas nas unidades. Informações de Joe Strupp [Editor & Publisher, 26/1/06].

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