Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Documentário conta história de radialista assassinado no Haiti

27/04/2004 na edição 274

O premiado cineasta Jonathan Demme acaba de apresentar nos EUA o documentário The Agronomist, sobre a vida do jornalista e ativista dos direitos humanos haitiano Jean Léopold Dominique, assassinado em 2000. O filme estreou no dia 23/4/04, em Nova York, mas já havia sido exibido no Festival de Veneza, no ano passado. Dominique era radialista e dono da Radio Haiti Inter, e foi morto a tiros quando chegava à estação. Até hoje não se sabe quem contratou os assassinos, mas, segundo David Gonzales [The New York Times, 20/4/04], ninguém tem dúvidas quanto aos motivos do crime.

Dominique era um otimista apaixonado por seu país. Lutava de maneira eloqüente pela democracia, e por isso incomodava a muitos. ‘Minha única arma é minha profissão de jornalista, meu microfone e minha inabalável fé na mudança’, afirmou em um comentário feito poucos meses antes de morrer. Dominique não conseguiu ver a mudança e a luta pela democracia no Haiti parece estar cada vez mais longe do fim. Mesmo assim, seu engajamento tornou-se inspiração – agora imortalizado em filme.

Demme conheceu Dominique em 1986, quando filmava Haiti: Dreams of Democracy. O jornalista impressionou o diretor por ser carismático e comprometido com sua causa, e ao mesmo tempo mostrar-se intensamente orgulhoso de suas raízes. Dominique cresceu acompanhando seu pai – um corretor de importação e exportação – por viagens pelo interior do Haiti. Mais tarde, estudou agronomia na França, onde se apaixonou pelo cinema. Quando voltou ao Haiti, fundou o primeiro clube de cinema do país e co-dirigiu But I Am Beautiful, Too, primeiro filme produzido por uma equipe de haitianos. Dominique passou também seis anos trabalhando como agrônomo, ajudando camponeses a cultivar cacau e arroz. Seu trabalho provocou a ira dos donos de terras, que persuadiram as autoridades a prendê-lo. Após seis meses de cadeia, ele largou a agronomia para trabalhar em rádio. Começou como free-lancer, até tornar-se dono da Radio Haiti Inter, em que introduziu mecanismos considerados radicais – como a transmissão em creole, a língua falada pelas massas, e a abordagem de temas relacionados a política e direitos humanos. Seu engajamento jornalístico fez com que fosse exilado por duas vezes.

Foi durante o segundo exílio de Dominique, em Nova York, que Demme começou a filmar o documentário. O projeto foi abortado quatro anos depois, em 1995, quando o jornalista retornou ao Haiti para encontrar sua estação de rádio saqueada.

‘As fitas que eu acumulei com Jean foram colocadas em uma prateleira’, conta Demme. ‘Tirei-as de lá no dia 3/4/00, quando ele foi morto. Foi aí que o foco do documentário mudou de maneira drástica’. A história de Dominique tornou-se um triste retrato de um país sem liberdade. Sua história mistura-se com a história do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide, amigo que ele antes apoiava veementemente e a quem desafiou pelo rádio a acabar com a corrupção existente em seu partido político. A mulher de Dominique, Michele Montas, foi vítima de uma tentativa frustrada de assassinato em dezembro de 2002. Depois da morte do marido, ela continua sua luta.

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