Sábado, 23 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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E-NOTíCIAS > VIOLÊNCIA CONTRA JORNALISTAS

Documentário conta história de radialista assassinado no Haiti

27/04/2004 na edição 274

O premiado cineasta Jonathan Demme acaba de apresentar nos EUA o documentário The Agronomist, sobre a vida do jornalista e ativista dos direitos humanos haitiano Jean Léopold Dominique, assassinado em 2000. O filme estreou no dia 23/4/04, em Nova York, mas já havia sido exibido no Festival de Veneza, no ano passado. Dominique era radialista e dono da Radio Haiti Inter, e foi morto a tiros quando chegava à estação. Até hoje não se sabe quem contratou os assassinos, mas, segundo David Gonzales [The New York Times, 20/4/04], ninguém tem dúvidas quanto aos motivos do crime.

Dominique era um otimista apaixonado por seu país. Lutava de maneira eloqüente pela democracia, e por isso incomodava a muitos. ‘Minha única arma é minha profissão de jornalista, meu microfone e minha inabalável fé na mudança’, afirmou em um comentário feito poucos meses antes de morrer. Dominique não conseguiu ver a mudança e a luta pela democracia no Haiti parece estar cada vez mais longe do fim. Mesmo assim, seu engajamento tornou-se inspiração – agora imortalizado em filme.

Demme conheceu Dominique em 1986, quando filmava Haiti: Dreams of Democracy. O jornalista impressionou o diretor por ser carismático e comprometido com sua causa, e ao mesmo tempo mostrar-se intensamente orgulhoso de suas raízes. Dominique cresceu acompanhando seu pai – um corretor de importação e exportação – por viagens pelo interior do Haiti. Mais tarde, estudou agronomia na França, onde se apaixonou pelo cinema. Quando voltou ao Haiti, fundou o primeiro clube de cinema do país e co-dirigiu But I Am Beautiful, Too, primeiro filme produzido por uma equipe de haitianos. Dominique passou também seis anos trabalhando como agrônomo, ajudando camponeses a cultivar cacau e arroz. Seu trabalho provocou a ira dos donos de terras, que persuadiram as autoridades a prendê-lo. Após seis meses de cadeia, ele largou a agronomia para trabalhar em rádio. Começou como free-lancer, até tornar-se dono da Radio Haiti Inter, em que introduziu mecanismos considerados radicais – como a transmissão em creole, a língua falada pelas massas, e a abordagem de temas relacionados a política e direitos humanos. Seu engajamento jornalístico fez com que fosse exilado por duas vezes.

Foi durante o segundo exílio de Dominique, em Nova York, que Demme começou a filmar o documentário. O projeto foi abortado quatro anos depois, em 1995, quando o jornalista retornou ao Haiti para encontrar sua estação de rádio saqueada.

‘As fitas que eu acumulei com Jean foram colocadas em uma prateleira’, conta Demme. ‘Tirei-as de lá no dia 3/4/00, quando ele foi morto. Foi aí que o foco do documentário mudou de maneira drástica’. A história de Dominique tornou-se um triste retrato de um país sem liberdade. Sua história mistura-se com a história do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide, amigo que ele antes apoiava veementemente e a quem desafiou pelo rádio a acabar com a corrupção existente em seu partido político. A mulher de Dominique, Michele Montas, foi vítima de uma tentativa frustrada de assassinato em dezembro de 2002. Depois da morte do marido, ela continua sua luta.

Todos os comentários

  1. Comentou em 09/07/2009 Anselmo Oliveira

    Parece ser muito interessante. Fiquei curioso pra saber mais a fundo a história desse humanista, que se repete nos 4 cantos do mundo.

    Muito obrigado pela informação!

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