Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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A Web está morta?

Por Barbara Coelho Neves em 14/02/2012 na edição 681

Ultimamente, temos ouvido falar de expressões como fim do e-mail, o HTTP já era e morte da Web. Entretanto, do que se trata? O que deu origem a se decretar a WWW como morta? Tudo começou com a publicação de um artigo na prestigiada revista dos EUA Wired Magazine, assinado pelo editor-chefe, Chris Anderson, intitulado “The Web is Dead” (“a Web morreu”). A publicação impulsionou uma série de debates a respeito do que vem causando o declínio dessa “jovem”, nascida há duas décadas.

Em primeiro lugar, é preciso diferenciar a Web da internet. A primeira é apenas uma das muitas aplicações que existem na internet para transportar pacotes ao seu redor, por meio de IP e protocolos de TCP, enquanto a segunda é a rede propriamente dita. Ou seja, a Web é uma das “máscaras” da internet. É importante diferenciar aplicativo e rede porque a Web terminou fixando-se no imaginário da sociedade como sendo a própria internet. Diante desse contexto, ouvir coisas do tipo “morte da Web” pode caracterizar como “fim da internet”.

A causa deste debate, ainda pouco tratado no Brasil, é o aumento das aplicações de vídeo e peer-to-peer desde 2002. E o que chama atenção é o crescente uso de dispositivos móveis que possibilitam acesso à internet sem passar pela Web. Desse modo, impulsionados pela comunicação rápida e elegante, as classes dominantes têm utilizado significativamente os Apps e XML por meio de iPhone, iPad e derivados. Para atender ao crescimento da demanda, presenciamos uma verdadeira evolução dos portáteis e uma guerra de gigantes das telecomunicações, como relatado por Siqueira, em 24/01, na edição 678 deste Observatório.

Celulares e acesso à internet

Os especialistas dizem que a heterogeneidade de aplicativos é o futuro da internet. Os novos aplicativos têm ênfase muito mais no recebimento de informações que na busca. Chris Anderson defende que o fim da Web faz parte da evolução da própria internet. O mesmo artigo ainda traz explicações de Michael Wollf, comungando com Anderson que o abandono da Web vem sendo justificado pelo movimento do mercado, que vê nos aplicativos lucros mais promissores.

Em países como Estados Unidos e França, a maior parte da população já faz uso integral do acesso ao Facebook, Twitter, ouve músicas etc., por meio dos aplicativos em celulares, smartphones e tablets, dispensando o uso do HTML. Mas será que este é o caso de países como o Brasil?

Em nota, o presidente da Anatel, Ronaldo Sardemberg, destacou que doze estados brasileiros já apontam mais de um celular por habitante e o crescimento de 116% de acesso/ano à internet por vias terminais móveis do tipo 3G. Contudo, parece que esses dados em um país com índice de concentração de renda tão representativo (Gini [trata-se de um número entre 0 e 1, sendo que esse índice é igual a zero quando a distribuição é perfeita e quanto mais próximo de um demonstra maior concentração de renda, implicando na desigualdade] = 0,59), não podem ser considerados como homogêneos no território nacional.

Com isso, gostaria de lançar a questão: o atual definhar da web se aplica em países com alto índice de desigualdade como o Brasil? Deixe aqui seu recado.

***

[Barbara Coelho Neves é cientista da Informação, professora, especialista em Tecnologias da Informação e Comunicação, doutoranda em Educação, pesquisadora do GEC-Faced-UFBA e colunista de Tecnologia no Bahia Diário]

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