Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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Wikipédia quer mais conteúdo brasileiro

Por Murilo Roncolato em 14/02/2012 na edição 681
Reproduzido do Estado de S.Paulo, 10/2/2012; intertítulo do OI

O diretor da Wikimedia Foundation, organização que controla a enciclopédia digital Wikipédia, foi um dos palestrantes a subir ao palco principal da Campus Party ontem (9/02). Kul Wadhwa incentivou o Brasil a produzir mais conteúdo Wikipédia e criticou as propostas de leis antipirataria americanas. Para ele, o Stop Online Piracy Act, conhecido pela sigla Sopa, e o Acordo Comercial Antifalsificação (Acta), apoiado por Japão e EUA, “poderiam mudar completamente o modo como as pessoas usam a internet”, diz. Wadhwa acredita que as regulações restringiriam os recursos básicos da internet, como a possibilidade de compartilhar conteúdo.

Em janeiro, a Wikipédia bloqueou o acesso ao seu site, mostrando uma tela preta com as frases “imagine um mundo sem conhecimento”, mostrando o que poderia acontecer caso a Sopa fosse aprovada. Sobre o caso, Wadhwa disse que a ação foi motivada pelos próprios usuários. “Não queremos que o governo controle o acesso à informação ou impeça a expressão de pensamento. Nossa comunidade disse que tínhamos de fazer esse protesto e o fizemos”, afirmou o diretor em uma curta fala sobre o tema durante a palestra. “Não ao controle!”

É a segunda participação consecutiva do diretor no evento de tecnologia que acontece desde segunda-feira (6/02) no Anhembi, em São Paulo. Kul Wadhwa criou uma rede social chamada Ayoudo, palavra próxima a “ajuda” e tem por objetivo criar interações e colaborações reais entre usuários. Para além dos botões tradicionais de compartilhamento de redes consolidadas como Twitter e Facebook, o Ayoudo terá o botão “Do” ou, em português, “Faça”. A ideia é que a rede abrigue diferentes projetos, para os quais os seus autores precisem de ajuda. A partir daí, sua rede de contatos poderá voluntariamente se oferecer para fazer o projeto progredir. “Vocês precisam sair do hábito de serem somente consumidores na rede e passarem a ser também produtores”, disse.

“Filhos da Internet”

O diretor da organização deu ainda dados sobre a utilização da enciclopédia colaborativa pelos brasileiros. Segundo Wadhwa, apenas 2% de todos os que usam o site no país colaboram editando artigos. A média mundial é de 6%. Para ele, “o Brasil precisa tomar conta da Wikipédia em português”.

Chris Hoffman, diretor de engenharia e projetos especiais da Mozilla Foundation, dona do navegador Firefox, comentou sobre as grandes empresas de tecnologia dos EUA como a Apple, criticando-a por “ganhar dinheiro com o uso de informações pessoais dos usuários”, o Facebook e o suposto desleixo da empresa com a privacidade dos usuários e falou ainda sobre o concorrente Google. “Essa não é a internet que queremos”, prega. Por se tratar de uma organização sem fins lucrativos, Hoffman garante não se importar com a receita da Mozilla e, em paralelo, com a perda de usuários no mundo para o Chrome, o popular navegador do Google. Segundo o medidor StatCounter, o Chrome conta com 28,4% de market share e o Firefox, 24,8%.

O humor e a mobilização social serão os temas de hoje da Campus Party. Na mesa chamada “Filhos da Internet”, personalidades da internet falam às 13h sobre a relação que mantêm com a rede. Às 16h, haverá um debate sobre os movimentos Occupy Wall Street e a Primavera Árabe. O palco principal ainda receberá Julien Fourgeaud, gerente de produtos e desenvolvimento de negócios da Rovio, empresa responsável pelo Angry Birds (colaborou Carla Peralva).

***

[Murilo Roncolato, do Estado de S.Paulo]

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