Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Gastos com TI vão somar R$ 65 bi

Por Moacir Drska, Gustavo Brigatto, Talita Moreira, Br em 28/02/2012 na edição 683

A indústria de tecnologia da informação (TI) prepara-se para receber um forte fluxo de investimento nos próximos meses. Uma pesquisa do Instituto Sem Fronteiras (ISF), realizada com 1.140 empresas e revelada ao Valorcom exclusividade, mostra que os orçamentos de TI das empresas no Brasil vão somar R$ 64,6 bilhões neste ano, estabelecendo um novo patamar histórico.

O movimento representa um crescimento de 9% frente aos R$ 59,3 bilhões de 2011. A projeção é um pouco inferior à média anual de 10% registrada nos últimos dois anos, mas se mostra bem superior às estimativas globais. Segundo a consultoria Gartner, os investimentos mundiais em TI vão aumentar 3,7% neste ano, chegando a US$ 3,8 trilhões. A variação no setor também segue mais forte que a expansão prevista para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, de 3,3%, conforme a pesquisa focus do Banco Central. “Chegamos a um estágio em que se a empresa precisa reduzir custos, a área de TI é a última a ser atingida, pois ela acaba sendo uma ferramenta essencial para auxiliar nesse processo”, afirma Ivair Rodrigues, analista do ISF.

O Valorconsultou dez grandes companhias, de vários setores, sobre seus planos de investimento em TI. A TAM informou que o valor destinado à área será 52% superior ao do ano passado. Na Máquina de Vendas e na Toyota os recursos serão reforçados em 10%. No Banco do Brasil e no Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) estão programados aumentos de 8%. Itaú-Unibanco, Telefônica e Andrade Gutierrez informaram que terão orçamentos mais altos, mas preferiram não divulgar o percentual. Petrobras e TIM manterão os mesmos valores do ano passado.

“Processos ficarão mais ágeis”

Tanto as empresas que participaram da pesquisa do ISF como as companhias ouvidas pelo Valor vão dar ênfase a projetos de mobilidade e de automação de serviços. É isso o que explica a decisão de direcionar boa parte dos recursos em centros de dados, infraestrutura de redes e contratação de softwares como serviço via internet – todos elementos da chamada computação em nuvem. Segmentos tradicionais de TI, no entanto, continuarão a receber atenção. É o caso dos sistemas de gestão empresarial (ERP, na sigla em inglês), e dos softwares de análise de negócios (BI) e de gestão de relacionamento com clientes (CRM).

A adoção dos sistemas de CRM e de análise de negócios são prioridade para o Banco do Brasil. “A partir das análises dos dados, será possível aprimorar o atendimento e ter uma visão unificada do relacionamento com o cliente, seja via internet, caixas eletrônicos ou qualquer outro canal”, afirma Rogério Aparecido Silva, gerente executivo da diretoria de tecnologia da instituição. Neste ano, o Banco do Brasil prevê um orçamento de R$ 2,6 bilhões para a área, montante 8,3% superior ao de 2011.

Para a equipe de tecnologia da informação da TIM, o principal desafio será a integração de plataformas tecnológicas diferentes. Depois de adquirir a Atimus no ano passado, a operadora prepara sua incursão no segmento de banda larga fixa. Os sistemas herdados da Atimus e os já existentes na TIM não serão unificados por enquanto, afirma Luigi Longarini, diretor de TI da operadora. “As plataformas vão coexistir, mas serão mantidas em estruturas diferentes”, diz. A tele vai repetir, neste ano, o valor investido no ano passado, de R$ 500 milhões. Outra ação da operadora será a adoção de um sistema da Oracle para serviços de vendas e de atendimento ao cliente. “Vai ser uma mudança grande porque os processos ficarão mais ágeis”, diz Longarini.

Relacionamento comercial

A integração de sistemas também é prioridade para a Máquina de Vendas, resultado da união das varejistas Ricardo Eletro, Insinuante, City Lar e Eletro Shopping, ocorrida nos últimos dois anos. “O grupo vai consolidar a estrutura de sistemas e a infraestrutura para atender ao crescimento de lojas físicas e virtuais de 2011”, diz Fernando Campana, diretor de TI. O orçamento será 10% maior que o do ano passado.

A TAM elegeu dois projetos prioritários, que envolvem a adoção de softwares voltados à gestão de dados e processos, afirma Marcos Roberto Teixeira, diretor de TI da companhia. Um deles tem por meta aumentar a eficiência e melhorar o atendimento ao cliente. Em outra frente, a empresa aérea fará a integração de sistemas usados na comunicação interna e implantará ferramentas de colaboração para elevar a produtividade e a integração entre os funcionários.

A Toyota, que no segundo semestre planeja renovar sua linha de veículos compactos, vai se dedicar a projetos que permitam sustentar o crescimento de suas operações nos próximos anos, diz Eduardo Barboni, gerente de TI da companhia. Com um orçamento 10% superior ao de 2011, a Toyota vai implantar sistemas de integração da cadeia de suprimentos e um novo software de relacionamento comercial com os distribuidores, além de ajustar a infraestrutura de TI, incluindo o investimento em centros de dados, equipamentos de rede e virtualização de servidores.

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[Moacir Drska, Gustavo Brigatto, Talita Moreira, Bruna Cortez e Cibelle Bouças, do Valor Econômico]

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