Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

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Microsoft e AOL fazem acordo bilionário

Por Barbara Ortutay em 17/04/2012 na edição 690
Reproduzido do Valor Econômico, 10/4/2012; tradução de Sergio Blum; intertítulo do OI

Em dificuldades, a AOL, um ícone da internet, conseguiu arrancar mais de US$ 1 bilhão da Microsoft por uma coleção de cerca de 800 patentes em um leilão, o mais recente sinal do valor que esses portfólios podem ser para as maiores empresas do mundo da tecnologia. “Há uma briga por participação de mercado em curso em diversas frentes, como tecnologia, patentes e publicidade”, disse Colin Gillis, analista no BGC Financial, que cobre a Microsoft. “Mais do que outras companhias no mercado, a Microsoft vem se valendo de seu portfólio de patentes como forma de gerar receitas de licenciamento. Isso deve reforçar essa tendência.” A Microsoft recusou-se a revelar o que as patentes cobrem. O respeitado analista Clayton Moran disse que elas envolvem tecnologias de internet, inclusive publicidade, pesquisa e mapeamento.

Isso deverá ajudar a Microsoft a enfrentar o Google, um grande rival que está à frente da Microsoft nessas três áreas. As patentes tornaram-se um “produto” disputado no setor de alta tecnologia, nos últimos anos. Elas são úteis tanto para ataque – para processar concorrentes – quanto para defesa – para dissuadir ações na justiça com ameaças de revides judiciais. O Facebook, uma estrela em ascensão, por exemplo, recentemente comprou 750 patentes da IBM, uma iniciativa que provavelmente ajudou a empresa a defender-se, depois que o Yahoo acusou-a de desrespeitar dez de suas patentes. O Facebook reagiu com sua própria ação judicial, acusando o Yahoo de desrespeitar dez de suas patentes.

Patentes de software podem ter amplas aplicações, e milhares de patentes podem estar envolvidas em um produto complexo, como um telefone celular. O Google está comprando a Mobility Holdings, uma fabricante de telefones pertencente à Motorola, por US$ 12,5 bilhões, em grande parte para conquistar suas patentes.

Origem das receitas

Após o anúncio, as ações da AOL subiram para seu nível mais alto em mais de um ano. A empresa concordou em vender 800 de suas patentes e licenciar outras à Microsoft por cerca de US$ 1,06 bilhão em dinheiro. A empresa novaiorquina desenvolvedora de websites e provedora de acesso à internet disse planejar distribuir entre seus acionistas parte das receitas obtidas com a venda. A AOL disse que após a venda deverá ter cerca de US$ 15 por ação de dinheiro em caixa. Suas ações valorizaram US$ 7,83, ou 43%, chegando a US$ 26,25 nos negócios em torno do meio-dia, adicionando mais de US$ 750 milhões à sua capitalização de mercado.

As ações da Microsoft caíram US$ 20, para US$ 31,32, em meio a um declínio mais amplo do mercado. A iniciativa da AOL sinaliza que a empresa está ouvindo seus acionistas, que pedem maior retorno sobre seus investimentos. Em fevereiro, uma empresa de investimentos, um dos maiores acionistas da AOL, disse que indicaria candidatos à sua diretoria, porque considera que a companhia não estava se empenhando suficientemente para fazer dinheiro com suas patentes. Na ocasião, a AOL afirmou que já havia começado a buscar maneiras de extrair valor de suas patentes. A AOL anunciou que após a venda ainda deterá mais de 300 patentes e pedidos de patentes envolvendo uma diversidade de tecnologias. Como parte do negócio, a AOL também recebeu uma licença para utilizar as patentes que vendeu à Microsoft. “A combinação de venda e acordo de licenciamento libera valor em dólar corrente para nossos acionistas e permite à AOL continuar a executar de forma agressiva nossa estratégia de criar valor a longo prazo para os acionistas”, disse Tim Armstrong, presidente e executivo-chefe da AOL, em comunicado.

A AOL informou que determinará a melhor maneira de distribuir aos acionistas uma “parcela significativa” dos recursos obtidos com a venda antes de selar o negócio, algo que deverá acontecer até o fim deste ano. A AOL é proprietária de sites noticiosos como o Huffington Post, o Engadget e o Techcrunch, mas ainda deriva grande parte de suas receitas provendo acesso discado à internet.

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[Barbara Ortutay, da Associated Press, de Nova York]

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