Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

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Governo via Twitter

Por Christine DiGangi em 24/04/2012 na edição 691
Reproduzido da Folha de S.Paulo/The New York Times, 23/4/2012; intertítulo do OI

Os comentários de cunho social dominam seu Twitter, implorando que você retuíte mensagens e mostre que é contra as leis que restringem a imigração. Amigos do Facebook fazem lobby para você curtir sua publicação denunciando uma guerra entre Israel e o Irã. Você acrescentou sua voz aos milhares, ou talvez milhões, que pedem mudanças aos políticos. A mídia social amplifica as vozes de cidadãos a tal ponto que os políticos estão constantemente reagindo às exigências mutáveis do público online. Essas vozes tornam mais difícil para o governo planejar para o longo prazo.

Howard Wolfson, vice-prefeito da cidade de Nova York, disse ao Times que a mídia social “cria ao mesmo tempo oportunidades – de compartilhamento de informação e de empoderamento dos cidadãos – e desafios para os governos, as empresas e a mídia enxergarem além do próximo tuíte ou do próximo post no blog”. Por outro lado, o envolvimento social permite que a classe dominante envolva os cidadãos, refutando a noção de falta de contato com as pessoas comuns, escreveu Paul Geitner no Times.

A Iniciativa de Cidadãos Europeus, que começou em abril, é um esforço da União Europeia para permitir que as pessoas proponham leis. As propostas enviadas até agora incluem declarar o acesso a água e esgoto um direito humano, proibir plantações geneticamente modificadas, estabelecer o Dia Europeu da Obesidade e proibir trabalho aos os domingos, relatou o Times. Tony Venables, diretor de uma instituição sem fins lucrativos que trabalha com órgãos da UE para promover a iniciativa, disse ao Times: “Acho que com o tempo veremos uma lei europeia mais voltada para os valores.”

A Twittersfera não é facilmente silenciada

Com todos os interesses especiais, torna-se uma batalha de influência versus importância. Os políticos enfocam os projetos mais benéficos ou aqueles que chamam mais atenção? “A notícia em si tornou-se tão onipresente, tão constante, que nossos olhos só se arregalam quando um objeto realmente brilhante vem flutuando pelo rio”, disse ao Times o diretor da Vox Media, Jim Bankoff. “As pessoas não apenas consomem, elas 'curtem', retuítam e mandam por e-mail. Todo esse compartilhamento leva a mais compartilhamento, que define uma tendência, que gera mais cobertura.”

A antiga precedência deu poder aos usuários da internet, escreveu Brian Stelter no Times, como se viu quando o vídeo Kony 2012, da organização Invisible Children, atraiu a atenção internacional para Joseph Kony, chefe de um grupo guerrilheiro que ataca civis há décadas no leste da África. Em três dias, o vídeo computou mais de 50 milhões de acessos, relatou o Times. Assim como a mídia social inspira os usuários a se envolver com a atualidade, o volume de vozes que se levantam pode sufocar os legisladores que tentam usar essa energia para fazer política.

Em um discurso em março, em Cingapura, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, disse: “Estamos basicamente tendo um referendo sobre todas as coisas que fazemos diariamente. E é muito difícil para as pessoas enfrentarem isso e dizer: 'Não, não, é isto que vamos fazer', quando há críticas constantes e um processo eleitoral que você precisa enfrentar periodicamente.” Os políticos podem tentar ignorar o ruído. A União Europeia pretende rejeitar as propostas de cidadãos que considere “abusivas, frívolas ou vexatórias”. Mas a Twittersfera apaixonada não é facilmente silenciada. As conversas entre cidadãos e políticos podem parecer disputas de gritos digitais: que vença a facção mais ruidosa.

***

[Christine DiGangi, do New York Times]

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