Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

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Interação ou reprodução?

Por Aristóteles Lima Santana em 24/04/2012 na edição 691

As redes sociais estão na moda. Orkut, Twitter, Facebook e outras menos conhecidas. Elas se tornaram a febre dos últimos anos na internet. Ao se conectar em uma delas, você também se interliga com uma rede de amigos. A depender do seu nível de socialização, você poderá ter mais ou menos amigos conectados e não necessariamente poderá conhecer todos eles. As redes sociais, em tese, realizam a possibilidade de um aumento gradativo de contato e integração com outros. Trocas de mensagens e até negócios podem ser feitos por elas.

Mas nem tudo é tão lindo e maravilhoso neste admirável mundo novo. Este contato via tela de computador não estará na verdade minando nossa capacidade de contato real com o próximo? Qual a vantagem de se ter mil pessoas associadas ao seu perfil do Facebook se apenas vinte delas cumprimentam você na rua? As redes sociais aumentaram o tempo que um indivíduo passa na internet. O que você poderia estar fazendo se não estivesse na frente do computador? São apenas algumas perguntas possíveis nesse debate, mas não podemos reduzir o problema a elas.

Tanto no Twitter como no Facebook existem ferramentas de reprodução de informação. No Twitter chama-se retuitar e no Facebook o nome é compartilhar. A reprodução de informações é uma das pragas das redes sociais. Alguns meses atrás, o humorista Rafinha Bastos foi considerado por uma entidade que não lembro mais o nome como a personalidade mais influente do planeta. Qual o critério? Simples, ele era o sujeito mais retuitado do mundo, ou seja, as informações que ele colocava no Twitter eram reproduzidas aos milhares por seus seguidores. Isso, na opinião desta entidade, era o suficiente para fazê-lo mais influente que banqueiros, magnatas da imprensa, os donos da Rede Globo e até o presidente da maior potência econômica e militar do planeta. Com tanta “influência”, fica difícil entender o bota fora que Rafinha Bastos sofreu por parte da Rede Bandeirantes de TV…

Ainda temos inteligência

A reprodução automática de informações nas redes sociais leva muitas vezes a situações engraçadas ou perigosas. Já se tornou comum e motivo de piadas (e motivo de indignação dos verdadeiros fãs) a reprodução de frases falsas (ou retiradas arbitrariamente de seu contexto) atribuídas a Clarice Lispector e Caio Fernando Abreu, escritores brasileiros já falecidos. Até ai nada demais, mas fotos com pessoas sendo acusadas de crimes foram colocadas e reproduzidas por milhares de pessoas na internet. Eram criminosos mesmo? Estavam realmente sendo procurados pela polícia? Ou eram cidadãos comuns vítimas de calúnias no Facebook? Você já pensou em encontrar uma foto sua em uma rede social sendo apontado como estuprador ou assassino? Pense bem antes de “compartilhar” qualquer informação.

Nas redes sociais há uma grande dificuldade para o debate. Claro que todas elas estabelecem ferramentas de comentários, mas a mentalidade da maioria das pessoas que está lá tem extrema dificuldade em aceitar e enfrentar críticas. Como há uma maior tendência para a reprodução acrítica, os comentários críticos não são, em sua maioria, bem aceitos. A maior parte destas pessoas vive em um mundo fantasioso onde tudo é lindo, maravilhoso e todo mundo tende a concordar (e reproduzir) com tudo que elas postarem.

Fotos falsas, mensagens falsas ou tolas, a reprodução delas é a grande tônica das redes sociais neste país em que o hábito de leitura desapareceu até das classes mais altas. Não sou um inimigo das redes sociais. Também estou nelas. Mas o fato de estar em um lugar ou participar de um processo não deve eliminar nosso senso crítico. A crítica, e não a reprodução automática, é a prova de que ainda temos aquilo que se chama inteligência.

***

[Aristóteles Lima Santana é professor, Paulo Afonso, BA]

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