Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1066
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A era da carteira digital

Por Somini Sengupta em 08/05/2012 na edição 693

Em Londres, passageiros podem comprar bilhetes de trem com seus telefones -e erguer os telefones para o cobrador ver. Nos cafés Starbucks dos Estados Unidos, o freguês pode pagar por seu “latte” passando seu telefone diante do caixa.

Graças à internet, o dinheiro mudou de cara. E, em breve, é possível que a carteira seja destinada à lata de lixo da história -isto é, se tudo acontecer como querem algumas empresas de tecnologia.

Cada vez mais, o telefone celular contém os elementos essenciais que precisamos para fazer transações. “Identificação, pagamento e itens pessoais”, apontou Hal Varian, o economista chefe do Google, em uma nova pesquisa realizada pelo Centro Pew de Pesquisas, em Washington. “Tudo isso vai caber no seu telefone celular e é inevitável que isso aconteça.”

O telefone contém e registra muitas outras informações vitais: ele registra onde você está, do que você gosta e quem são seus pares. Esses dados podem ser aproveitados para lhe vender coisas que você nem sabia que precisava.

Campo próximo

Divulgada no mês passado pelo Projeto Internet e Vida Americana, do Centro Pew de Pesquisas, e o Centro Imaginando a Internet, da Universidade Elon, na Carolina do Norte, a pesquisa pediu a mais de mil tecnólogos e cientistas sociais que opinassem sobre o futuro da carteira em 2020.

Quase dois terços concordaram que até lá “o dinheiro vivo e os cartões de crédito terão quase desaparecido”, substituídos por aparelhos inteligentes, capazes de realizar transações. Mas um terço dos entrevistados respondeu que os consumidores terão receios quanto à segurança de transações feitas por um aparelho móvel e não vão querer revelar tanto sobre seus hábitos de compra.

Às vezes, as pessoas que têm menos opções são as que mais facilmente aderem às novidades. No Quênia, um serviço chamado M-Pesa (“pesa” significa dinheiro em suaíli) atua como sistema bancário para pessoas que talvez não possuam conta em banco. Munidos de um celular rudimentar, os usuários do M-Pesa podem enviar e receber dinheiro através de uma rede de agentes, incluindo lojas de celulares. Na Índia, várias operadoras de celular permitem que seus usuários façam transferências de valores pequenos pelo celular e paguem suas contas de água, luz e telefone.

Várias empresas de tecnologia, grandes e pequenas, estão tentando fazer com que possamos vender e comprar todo tipo de coisa sem usar nossas carteiras. A startup We-Pay se descreve como um serviço que possibilita o pagamento de comerciantes pequenos; a empresa verifica a reputação de pagadores e vendedores, analisando, entre outras coisas, suas contas no Facebook.

Uma startup britânica, a Blockchain, oferece um aplicativo gratuito para iPhone com o qual o usuário pode usar uma cripto-moeda chamada “bitcoin”.

Uma firma chamada Square começou oferecendo um pequeno acessório que ajuda vendedores de comida em barraquinhas ambulantes e outros pequenos comerciantes a aceitarem pagamento com cartões de crédito em telefones e iPads. A invenção mais recente da companhia permite que o usuário registre uma conta com os comerciantes que usam o Square e pague proferindo os nomes deles. A imagem do cliente aparece no iPad do comerciante.

O Google Wallet foi criado para aparecer no seu telefone, ser ligado a seu cartão de crédito e permitir que você pague passando seu telefone sobre um leitor, usando a chamada tecnologia do campo próximo. Mas o Google Wallet só funciona com quatro tipos de telefones e não há muitos comerciantes equipados para usar a tecnologia do campo próximo.

À porta

Enquanto isso, o PayPal, que permite às pessoas fazer pagamentos pela internet, vem tentando persuadir seus usuários a usar seus celulares. O PayPal recebeu transações no total de US$ 31 bilhões no ano passado.

“A carteira, como objeto físico, que não passou por inovação alguma nos últimos 50 anos, vai virar um artefato”, me disse recentemente o executivo-chefe da eBay, John J. Donahoe. A carteira será transferida para o PayPal. O consumidor não precisará mais se preocupar com o perigo de perder sua carteira. Tudo, disse Donahoe, estará contido no PayPal. E isso permitirá à empresa acumular um volume imenso de informações sobre os hábitos, as compras e os orçamentos do usuário.

Donahoe quer que a empresa dele vire “um shopping center no bolso do freguês”, disse ele.

Recentemente, descrevi os planos do PayPal ao economista Alessandro Acquisti, que estuda a privacidade digital na Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh. Acquisti sorriu. Se hoje, disse ele, quando você vai a uma loja tudo o que precisa fazer é registrar seu telefone e seu código de cartão, talvez amanhã a loja possa detectar seu telefone.

Talvez, você nem precise mais sair às compras. Suas informações serão coletadas e usadas para lhe informar o que você precisa: uma motocicleta Ducati ou botas de chuva roxas do tamanho certo para sua filha. Uma entrega chegará à sua porta. “No futuro, talvez você não precise pagar”, aventou o economista em tom de brincadeira. “A transação será feita para você.”

***

[Somini Sengupta , do The New York Times]

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