Terça-feira, 23 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1047
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Facebook gera fama, mas pouco lucro para bancos

Por Anupreeta Das, Randall Smith e Aaron Lucchetti em 08/05/2012 na edição 693

Wall Street acelerou o passo na sua preparação para vender a Facebook Inc. Mas, se a riqueza está perto de chegar para os maiores acionistas da companhia, os bancos devem lucrar bem menos com o negócio.

Executivos da Facebook, inclusive o diretor financeiro David Ebersman, iniciaram uma turnê a Wall Street na sexta-feira, com a primeira parada às 8 da manhã na sede do Morgan Stanley em Manhattan, disseram pessoas a par do assunto.

A reunião de cerca de uma hora foi descrita como discreta e os executivos saíram por uma porta menos usada para evitar as câmeras das equipes de TV.

A cena na sede do J.P. Morgan Chase & Co., onde os executivos da Facebook tiveram reunião às 9:30 da manhã, teve mais fanfarra. Eles foram recebidos pela bandeira azul e branca da Facebook do lado de fora do edifício e uma faixa que dizia: “O J.P. Morgan dá as boas-vindas à gerência da Facebook”. Dois cartazes com o símbolo de “curtir” do Facebook pendiam das janelas. James B. Lee Jr., o diretor do J.P. Morgan responsável pelo negócio, foi visto acompanhando o grupo da Facebook na saída. Depois, os executivos foram ao Goldman Sachs Group Inc.

Gestão de patrimônio

Sendo os principais coordenadores, os três bancos devem embolsar a maior parte dos estimados US$ 150 milhões em comissões, segundo pessoas a par do assunto. Outros bancos envolvidos na oferta pública inicial vão ganhar bem menos. E, mesmo depois que a rede social se tornar uma empresa de capital aberto, ela não deve trazer lá muitos negócios aos bancos.

Isso não impediu mais de 30 bancos de se debaterem para participar da gigantesca abertura de capital, que a partir de hoje começa a ser oficialmente apresentada aos investidores, com o início de um “roadshow”. Depois de cerca de dez dias, as ações com o símbolo FB começarão a ser negociadas e darão à Facebook um valor de mercado estimado em US$ 96 bilhões.

Mas qual o maior atrativo para os bancos? O direito de se gabar, dizem os participantes do setor. Muitos bancos acreditam que o prestígio associado ao negócio compensa os custos, inclusive comissões abaixo da média. “Você ganha o poder de ir a uma outra empresa e dizer ‘nós estamos com a Facebook’”, na esperança de ganhar negócios no futuro, diz um banqueiro de uma firma que participa da abertura. Alguns dizem que só chance de estar nas reuniões em que os executivos da Facebook fazem suas apresentações oferecerá material para bate-papo com outros clientes durante anos.

As comissões certamente não são altas comparadas com outras aberturas de capital. Com os bancos tão ansiosos por fazer parte da operação, a Facebook está pagando cerca de 1,1% do total levantado, disseram pessoas a par do questão. Isso é quase um terço da média de 2,9% das comissões pagas em aberturas de capital de empresas americanas de mais US$ 5 bilhões desde 2000, segundo a Dealogic. A oferta inicial de US$ 20,1 bilhões da General Motors Co. em 2010 teve uma tarifa menor porque a GM estava sob controle do governo na época.

As menores comissões são as dos chamados gestores passivos, que podem se limitar a distribuir um pequeno lote de ações da Facebook e fazer um pouco de pesquisa. Um banco desse grupo poderia receber só algumas centenas de milhares de dólares, dizem especialistas do setor.

O retorno será maior para os três principais bancos. É deles o poder de distribuir grandes blocos de ações a clientes – e também a capacidade de fechar contratos para a gestão do patrimônio dos novos milionários criados pela abertura de capital.

Juros baixos

Uma grande abertura de capital também pode aumentar o volume de negociações dos bancos que a coordenam semanas antes da oferta inicial. Isso porque, na esperança de conseguir uma grande fatia das ações ofertadas, investidores institucionais fazem mais transações para tentar cair nas graças desses bancos, disse Larry Tabb, diretor-presidente do Tabb Group, firma de assessoria e análise de mercado.

Gente do setor afirma, porém, que os benefícios diretos para a instituição evaporam relativamente depressa no caso de bancos nos escalões inferiores da hierarquia da abertura de capital. Para alguns deles, a participação poderia até ter um custo.

Além de receber honorários baixos pela operação, a maioria dos 11 principais gestores está contribuindo para uma linha de crédito de US$ 5 bilhões e um empréstimo-ponte de US$ 3 bilhões. Esses financiamentos, a juros competitivos, se destinam basicamente a ajudar a Facebook a pagar impostos retidos na fonte sobre ações que serão concedidas a funcionários seis meses após a abertura de capital, caso não seja possível vender ações na época para cobrir a conta dos impostos.

Banqueiros de Wall Street que participam ou não da abertura de capital da Facebook dizem que, dado o ambiente atual de juros baixos, o custo da concessão de crédito para a Facebook pode facilmente superar quaisquer comissões que abertura gere.

***

[Anupreeta Das, Randall Smith e Aaron Lucchetti, do Wall Street Journal]

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