Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

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Procurando privacidade na web

Por Christine DiGangi em 05/06/2012 na edição 697
Reproduzido da Folha de S.Paulo/The New York Times, 4/6/2012; intertítulo do OI

O Big Data toma nota quando você compra lingerie online. Ele registra as buscas de informação sobre uma irritação de pele que você digita em motores de busca. E, ao que parece, capta seus e-mails com cartas de amor quando seus carros passam diante de sua casa (bem, isso, na realidade, é o Google, mas você entendeu a ideia, não?).

Os dizeres em letras miúdas nas declarações de privacidade online não devem ser vistos como escudo que proteja internautas dos coletores de dados e governos em todo o mundo estão tentando desemaranhar interesses comerciais complexos e segurança dos cidadãos. Nos Estados Unidos, a Comissão Federal de Comércio monitora se as companhias na internet cumprem suas próprias políticas de privacidade em relação a quando e onde vão compartilhar as informações pessoais de seus consumidores. Mas a comissão não tem poderes para avaliar penalidades para a maioria das violações, reportou o NYT, e tem pouca influência sobre a operação de empresas que não possuem políticas de privacidade.

“Nos Estados Unidos, a privacidade é um negócio do consumidor”, disse ao jornal Jacob Kohnstamm, presidente da Autoridade Holandesa de Proteção de Dados. “Na Europa, é uma questão de direitos humanos fundamentais.”

A versão século 21 do ermitão

No início do ano, a Comissão Europeia propôs uma lei que exigiria que empresas na internet obtivessem permissão de usuários para decidir como seriam usados seus dados. Mas o apetite insaciável por informação dos consumidores complica a legislação de proteção de dados. “Não temos muita escolha senão confiar no Google”, disse Christian Sandvig, pesquisador da Universidade do Illinois em tecnologia das comunicações e política pública. “Dependemos do Google para tudo.” E, quanto mais dependemos do Google e do Facebook, mais estes dependem de seus consumidores para levar adiante seus modelos econômicos, que se apoiam fortemente sobre a publicidade com alvos certos.

Nesse cenário, quais são as opções? Empresas de tecnologia estão trabalhando para criar mecanismos “Não Rastreie”, semelhantes às listas de telefones “Não Ligue”, para os quais é proibido fazer telemarketing. Jon Leibowitz, presidente da Comissão Federal de Comércio, pediu às empresas de varejo, publicidade e tecnologia que façam mais do que simplesmente bloquear os anúncios com alvo certo. Ele disse: “Embora ainda reste muito trabalho a ser feito sobre o ‘Não Rastreie’, a comissão acredita que os avanços conseguidos até agora, somados a propostas legislativas, fornecem o ímpeto” que pode levar a métodos úteis de proteção da privacidade.

E, enquanto aguardamos que essas medidas de proteção virem realidade, nossas informações continuarão a ser garimpadas com finalidades lucrativas. A coleta de dados criou um dilema para a sociedade: ou aceitamos o fato de que nossas ações sempre serão visíveis ou dedicamos energia tremenda à tarefa de moldar nossa imagem pública.

Ou então escolhemos a versão século 21 da vida de ermitão: saímos da internet.

***

[Christine Digangi, do New York Times]

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