Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

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Apple e Google partem para a guerra dos mapas

Por Jessica E. Vascellaro e Amir Efrati em 12/06/2012 na edição 698
Reproduzido do Valor Econômico, 6/6/2012; intertítulos do OI

Desde que se juntaram em 2007, o iPhone e o Google Maps sempre pareceram o casal digital ideal. O amplamente usado serviço de mapas da Google Inc. – que permite aos internautas encontrar endereços, checar tráfego e obter itinerários – tem ajudado o iPhone, da Apple Inc., a ter sucesso. O aumento das vendas do iPhone, por sua vez, conduziu toneladas de tráfego para a ferramenta de buscas da Google por meio do Google Maps. Mas não por muito tempo. A tecnologia de mapas móveis está para se tornar o mais novo campo de batalha na guerra cada vez mais acirrada entre as duas gigantes de tecnologia pelo domínio da computação do futuro.

A Apple planeja retirar o Google Maps como o aplicativo de mapeamento que vem de fábrica no iPhone e no iPad, ainda este ano, e lançar um substituto que roda tecnologia da própria Apple, segundo pessoas que trabalham ou já trabalharam na Apple. A Apple pode apresentar o novo software, que será parte de seu próximo sistema operacional móvel, já na semana que vem, em sua conferência anual de desenvolvedores em San Francisco, nos Estados Unidos, disse uma pessoa a par dos planos. A Apple planeja encorajar criadores de apps a embutir seus mapas em aplicativos de rede social e serviços de busca, entre outros. O blog de tecnologia 9to5 Mac já noticiou que a Apple vai lançar seu próprio app de mapas em seu próximo sistema operacional.

A Apple vem amadurecendo o plano para tirar o Google Maps do iPhone há anos, segundo empregados atuais e antigos da Apple. O plano se acelerou quando smartphones que rodam o software Android, da Google, ultrapassaram o iPhone em volume de vendas.

Apps exclusivos para o iPhone

A Apple, sem muito alarde, já comprou pelo menos três companhias da vanguarda do mapeamento, e fundiu a tecnologia delas com a sua própria. No ano passado, a Apple deu um primeiro passo no desenvolvimento de um serviço de mapas com o discreto lançamento de um “geocodificador” – o cérebro por trás de um app de mapas que traduz a longitude e latitude de um celular num ponto no mapa, como um endereço. Antes disse, ela dependia do geocodificador da Google.

Anúncios móveis associados com mapas ou localizações são responsáveis por cerca de 25% dos aproximadamente US$ 2,5 bilhões gastos com publicidade móvel em 2012, segundo estimativa da Opus Research, uma firma de análise especializada nesse nicho. Em 2010, a fatia foi de 10%, segundo a firma, que prevê que ela vá crescer à medida que os apps de localização se expandem.

Mas, mais do que receita publicitária, a Apple está investindo no mercado de mapas para ter maior controle sobre um ativo fundamental na guerra dos smartphones. O Google Maps é usado por mais de 90% dos usuários de iPhone nos EUA. Então, a Apple acredita que controlar a experiência de mapeamento e oferecer funções que o Google não tem pode ajudar a vender mais aparelhos e seduzir desenvolvedores a criar apps exclusivos para o iPhone.

Modelos de cooperação

No curto prazo, a Google vai perder alguma receita publicitária e ficar sem dados sobre quais empresas locais as pessoas estão buscando – algo que ela usa para convencer varejistas a comprar certos anúncios. No prazo mais longo, é possível que isso reduza a capacidade da Google de gerar faturamento relacionado a mapas, segundo ex-empregados da Google. Uma porta-voz da Google disse que seria prematuro comentar sobre algo que ainda não aconteceu.

A mudança de posição da Apple com relação à Google vai além de mapas. A guerra das duas vai definir como as pessoas usam tecnologia nos próximos anos. “A Apple está batendo de frente com a Google em várias dimensões”, diz Rajeev Chand, direto-gerente do banco de investimentos Rutberg & Co., citando mapas e buscas na web. “Google e Apple estão numa batalha sobre dados, aparelhos, serviços e o futuro da computação. É a batalha histórica de hoje.”

Durante anos, Apple e Google foram modelos de cooperação. Cada uma delas se atinha a seu próprio mundo – a Apple fazia computadores e outras máquinas; a Google oferecia buscas na web e vendia anúncios online. O diretor-presidente da Apple, Steve Jobs, falecido em outubro, tinha um relacionamento próximo com seu equivalente na Google, Eric Schmidt, que foi membro do conselho da Apple de 2006 a 2009.

“A próxima dimensão”

A ascensão do iPhone e outros smartphones mudou isso. Jobs se sentiu traído pela incursão da Google em aparelhos móveis com seu sistema operacional Android. A Google depois entrou diretamente no negócio de aparelhos, comprando a Motorola Mobility Holdings, que faz celulares. A Google recentemente também lançou uma loja de música, filmes, livros e apps móveis para concorrer com a iTunes, da Apple. O volume de vendas mundiais de smartphones Android agora supera o de iPhones.

A Apple reagiu, invadindo a seara de publicidade da Google ao vender anúncios móveis. E no ano passado ela revelou sua nova arma contra os negócios de busca da Google, o “assistente virtual” ativado por voz chamado Siri, que dá às pessoas uma nova maneira de buscar informação usando o iPhone. Alguns executivos da Google dizem, privadamente, que acham que a Apple está tentando seduzir usuários para o iPhone usando busca tradicional de internet em seus celulares.

Vários analistas do setor móvel acreditam que o uso de pesquisa Google no iPhone gera a maior parte da receita da Google com publicidade móvel ligada a buscas. A Google já acelerou seus planos para desenvolver seu próprio assistente de buscas ativado por voz para aparelhos que rodam o Android, o qual deve ser lançado este ano, disseram essas pessoas.

A Google marcou para hoje uma entrevista coletiva em que deve divulgar “a próxima dimensão do Google Maps”.

***

[Jessica E. Vascellaro e Amir Efrati, do Wall Street Journal]

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