Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

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Apple abre nova frente na batalha por conteúdo de TV

Por Jessica E. Vascellaro e Shalini Ramachandran em 21/08/2012 na edição 708
Reproduzido do Valor Econômico, 17/8/2012; intertítulos do OI

A Apple Inc. está conversando com algumas das maiores operadoras de TV a cabo dos Estados Unidos sobre deixar os consumidores usarem um aparelho da Apple como conversor para televisão ao vivo e outros conteúdos, segundo pessoas a par do assunto.

As conversas representam o passo mais ambicioso da Apple para se infiltrar na sala de estar, depois de anos de tentativas.

A Apple não parece ter chegado a um acordo com nenhuma das operadoras de cabo. Um obstáculo pode ter sido a relutância das operadoras em deixar a Apple entrar no negócio de televisão.

A Apple teria que persuadir um número substancial de consumidores a comprar o conversor por talvez centenas de dólares, em vez de alugá-los de uma das operadoras de cabo por US$ 10 ou US$ 15 por mês. Fabricantes de eletrônicos como TiVo Inc. e Samsung Electronics Co. já vendem conversores, até agora sem causar um grande impacto no mercado.

Crescimento pequeno

As conversas mostram que a Apple está procurando um caminho menos radical do que ela contemplou no passado, ou seja, unir-se a provedores estabelecidos em vez de licenciar conteúdo para competir com eles diretamente.

O porta-voz da Apple Tom Neumayr não quis comentar sobre o que ele chamou de boatos e especulação.

As companhias de tecnologia há muito estão de olho no mercado de televisão como sendo seu próximo grande território. Mas as guardiãs dele – as distribuidoras de televisão e as companhias de comunicação – vêm hesitando em deixá-las entrar, receosas de ceder o controle, como as gravadoras e operadoras de celular fizeram no passado.

Ao criar um conversor que poderia ser usado com operadoras de cabo, a Apple seguiria o mesmo modelo que ela usou para transformar a indústria de telefonia celular: convencer as atuais prestadoras a agregar os serviços delas ao hardware e software da Apple.

A abordagem vem permitindo à Apple lucrar com a venda de iPhones enquanto as operadoras arcam com o custo de fornecer o serviço, na esperança de vender mais dados aos clientes.

A Apple vende por US$ 99 o conversor Apple TV que possibilita aos usuários acessar alguns vídeos de internet nos seus televisores, mas não os canais de televisão ao vivo oferecidos pelas operadoras de cabo. Não está claro se o aparelho sendo discutido será uma atualização daquele equipamento ou um conversor mais sofisticado.

Duas pessoas a par do assunto disseram que a tecnologia em questão poderia acabar sendo embutida na televisão. A Apple já trabalhou em outros protótipos para televisores no passado, segundo pessoas que conhecem os projetos.

As vendas do Apple TV vêm crescendo, mas ainda são pequenas. A empresa vendeu 1,3 milhão de unidades no trimestre encerrado em 30 de junho, 170% a mais que um ano atrás.

Variedade de opções

Numa recente conferência de resultados, Cook disse que a companhia acredita que o dispositivo “vai nos levar a algum lugar”. O conversor oferece programação comprada no iTunes e alguns aplicativos de transmissão de vídeo como o da Netflix Inc. Mas não oferece a seleção de canais convencionais disponíveis através das operadoras de cabo e satélite, o que limita a utilidade do aparelho.

A Apple cogitou fabricar um conversor para cabo mais de dois anos atrás, antes de lançar a última versão da Apple TV, segundo uma pessoa a par do assunto. Na época, o então diretor-presidente da Apple, Steve Jobs, descartou a ideia.

Os dois lados mediram forças durante anos, dizem pessoas familiarizadas com o raciocínio das empresas de TV a cabo. As operadoras estavam preocupadas no passado com a possibilidade de a Apple corroer a relação delas com os consumidores, caso entrasse no jogo com o conversor.

Executivos do setor de cabo também disseram que as vendas historicamente baixas da Apple TV fizeram que um acordo para oferecer programação ao vivo através do conversor deixasse de ser prioridade. As operadoras colocaram mais ênfase nos aplicativos, ou apps, para o popular tablet iPad.

As operadoras de cabo também se desanimaram no passado com o fato de a Apple exigir 30% dos ganhos com certas transações feitas através do conversor, segundo uma pessoa a par da situação. A Apple também manifestou o desejo de ser a provedora exclusiva de conversores usando a tecnologia de Protocolo de Internet (IP, na sigla em inglês). E ela queria que as operadoras de cabo fizessem a manutenção dos conversores.

Para as operadoras, a vantagem de um negócio com a Apple é que ele poderia lhes permitir reduzir seus gastos com a compra dos conversores, que são alugados para os clientes. O negócio também poderia ajudá-las a conquistar os clientes que podem assistir a vídeos numa variedade cada vez maior de opções de internet, já que tanto a TV tradicional como os vídeos da web estariam disponíveis no mesmo aparelho. (Colaborou John Jannarone)

***

[Jessica E. Vascellaro e Shalini Ramachandran, do Wall Street Journal]

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