Domingo, 18 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

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Cultura e educação em 140 caracteres

Por Camille Dornelles em 24/12/2012 na edição 726
Reproduzido do Ciência Hoje On-line, 18/12/2012

Quando foi criado pelo programador norte-americano Jack Dorsey em 2006, o Twitter tinha o modesto objetivo de ser um microblogue e mostrar aos usuários o que as outras pessoas estavam fazendo enquanto navegavam na internet. Ele nem poderia imaginar que essa rede social seria usada como instrumento de promoção da cultura e da educação no país que hoje tem o segundo maior número de usuários da ferramenta. Atualmente, os funcionários de instituições culturais públicas do Brasil são incentivados a abrir suas páginas do Twitter no horário de trabalho graças a políticas de uso das redes sociais como forma de divulgação de seus projetos, iniciativas e produtos – sejam livros, filmes, exposições etc.

Durante encontro para debater os rumos da cultura no Twitter, realizado no início de dezembro na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, o presidente da fundação que gerencia a entidade, Galeno Amorim, disse que, junto com o objetivo de compartilhar essas informações, está a possibilidade de as pessoas poderem acompanhar o trabalho dessas instituições, fiscalizar sua atuação e fazer cobranças. “Essa é uma forma de a gestão se comprometer com aquilo que está sendo divulgado”, concluiu, acrescentando que a Biblioteca Nacional já possui políticas públicas para utilização desse tipo de ferramenta. A diversificação do uso do Twitter talvez esteja apoiada em dois pontos principais: a facilidade da ferramenta para a troca de informações e a divulgação em tempo real. Além disso, há o fato de ser um instrumento gratuito e todas as pessoas – celebridades, cidadãos comuns ou autoridades – poderem ter o mesmo espaço. “As modernas tecnologias permitem que as informações circulem de forma mais democrática e efetiva”, ponderou Amorim.

O debate na Biblioteca Nacional mostrou ainda que a educação também vem se beneficiando das novas tecnologias. A Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, criou uma forma de gerenciar discussões pelo Twitter. Os problemas apontados por professores, pais de alunos ou pelos próprios estudantes seguem da plataforma diretamente para os setores competentes.

Maneiras simples de divulgar cultura

O subsecretário de Educação do Rio e responsável pela área de inovação, Rafael Parente, disse que o melhor do Twitter é o tamanho máximo da mensagem ser de apenas 140 caracteres. Segundo ele, isso permite acelerar o processo, pois é preciso falar do problema de uma forma muito rápida e espera-se que a solução seja dada tão rapidamente quanto. Para tirar maior proveito das novas mídias, a Secretaria desenvolveu uma plataforma onde professores e alunos podem publicar seus próprios textos. “Queremos que eles sejam também autores de conhecimento e não só consumidores, e isso tem feito uma diferença muito bacana, inclusive nas notas”, contou.

O presidente da Fundação Biblioteca Nacional ressaltou que não é difícil promover o contato entre pessoas e cultura pela internet. Pode ser desde a indicação de uma boa leitura até a divulgação da agenda da instituição, de projetos que ainda estão sendo pensados e discussões em aberto. “Mas é preciso topar correr esse bom risco de fazer com que a informação chegue às pessoas.” Amorim disse que muitas vezes as formas de disseminação de informações não são usadas adequadamente e isso acaba sendo um desserviço à cidadania e à igualdade. “A divulgação é um processo extremamente saudável e estabelece um diálogo mais amplo da sociedade com os atores sociais da área da cultura. Abre espaço para a pessoa interagir com a informação e poder discordar dela, o que faz parte do jogo democrático.”

Mas é preciso lembrar que, na internet, nem tudo são flores. O projeto de lei de controle da rede, que está em tramitação no Congresso desde 1999, tem tanto opositores quanto adeptos. Esses últimos apontam como fator principal para a aprovação da lei a facilidade de impunidade que resulta do anonimato e do distanciamento dos usuários.

“Hoje a pessoa fala o que quer, produz o que quer e nem sabe onde aquilo que foi lançado irá chegar”, destacou Rafael Parente. Para ele, os excessos da utilização das novas tecnologias podem trazer problemas sérios e essa reflexão também deve fazer parte das políticas de educação. “A gente precisa conversar um pouco mais sobre essas coisas, parar para pensar no que estamos falando e levar esse debate para dentro das escolas.”

***

[Camille Dornelles, do Ciência Hoje On-line]

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