Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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Vale do Silício tenta estender influência até Washington

Por Richard Water e Anna Fifield em 16/04/2013 na edição 742

O que se comenta é que ele cobra uma taxa de adesão de US$ 1 milhão e ostenta alguns dos maiores nomes da tecnologia entre seus membros – entre os quais seu fundador, Mark Zuckerberg, do Facebook. Mas a mais recente tentativa do Vale do Silício de formar um grupo de lobby foi atacada por concorrentes do setor de tecnologia como uma intromissão política desnecessária que desencadeará uma onda de publicidade negativa.

A nova organização, a ser formalmente lançada nos próximos dias, marca o surgimento do primeiro super-Pac – ou grupo de ação política, nas iniciais em inglês – do setor de tecnologia desde que o Supremo Tribunal dos Estados Unidos derrubou as restrições sobre doações políticas de empresas, em 2010.

As fontes próximas ao grupo estimam que o capital inicial da organização seja de US$ 20 milhões a US$ 25 milhões, doados por Zuckerberg, o que faria da associação o mais rico grupo de lobby do Vale do Silício, com uma meta total de captação de recursos de US$ 50 milhões.

Como sua primeira causa, a aliança, ainda sem nome, adotou a reforma da política de imigração, a fim de impulsionar o ingresso de engenheiros e outros trabalhadores qualificados nos Estados Unidos.

Mas críticos provenientes de companhias de tecnologia não envolvidas na iniciativa advertem que o novo grupo corre o risco de atrair atenção negativa para a fabulosa riqueza de alguns de seus membros. Segundo eles, a iniciativa despertaria também o tipo de acusação de arrogância e ingenuidade que acompanhou algumas tentativas do Vale do Silício de moldar a política de Washington.

Mobilização on-line

O pedido é que os aspirantes a membros paguem pelo menos US$ 1 milhão pela filiação, embora uma pessoa próxima ao grupo tenha dito que essa quantia é flexível. O grupo conquistou o apoio principalmente de membros da mais recente geração de empresas de internet voltadas ao consumidor, entre os quais Reid Hoffman, do LinkedIn, a rede social de contatos profissionais, e Mark Pincus, da empresa de jogos Zynga.

Tradicionais potências tecnológicas com uma história mais longa de fazer lobby em Washington, como a Cisco, a Oracle e a Intel, além de empresas consagradas como o Google, ainda não se envolveram na iniciativa.

A atitude de colocar alguns dos nomes de maior visibilidade no setor por trás de questões polêmicas poderá provocar uma reação contrária, disseram alguns especialistas. “Os super-Pacs são uma marca tóxica”, disse um executivo não envolvido com o grupo. Outros analistas preveem que a riqueza do grupo lhe dará um impacto imediato. “Eles têm dinheiro para valer”, disse um entusiasta. “Estão tendo problemas em chegar aos US$ 50 milhões, mas, mesmo se começarem com US$ 20 milhões, estarão em boa situação.”

Para acirrar a polêmica, Joe Green – o ex-companheiro de quarto de Zuckerberg na Universidade de Harvard que está na direção do novo grupo – foi obrigado a voltar atrás na semana passada, depois que um memorando sobre os objetivos de sua organização foi vazado para o site Politico, cuja sede fica no Estados americano da Virgínia.

No memorando, Green afirmava que algumas das personalidades mais influentes do setor de tecnologia vão acionar as redes de suas empresas para respaldar as causas do grupo, exercendo enorme influência ao mobilizar uma massa de público on-line.

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Richard Water e Anna Fifield, do Financial Times, em San Francisco e Washington

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