Segunda-feira, 22 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1033
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EUA tentam unificar senhas de internet

Por James Sterngold em 08/02/2011 na edição 628

A comodidade prometida pela internet sempre parece evaporar quando você liga o computador todas as manhãs. Primeiro, vem o nome do usuário e a senha, necessários para que você inicie seu smartphone ou PC. Em seguida, é preciso digitar outra senha para acessar seu e-mail. Quer comprar um livro pela Amazon.com? Terá que digitar outra senha (mais uma vez, qual é mesmo o nome do primeiro animal de estimação que você teve?) e frequentemente informações sobre seu cartão de crédito e endereço. Comprar botas na Zappos.com, fazer a reserva de uma passagem de avião ou conferir seu saldo bancário depois de tudo isso? Prepare-se para uma senha após a outra.

O Departamento do Comércio dos Estados Unidos está encabeçando um novo sistema online de segurança que, segundo especialistas, vai eliminar a confusão de senhas e talvez dar um empurrão ao comércio eletrônico. O plano prevê um único registro toda vez que um computador ou telefone for ligado, usando um dispositivo como um token, um cartão com chip ou um leitor de impressões digitais. Uma vez dentro do sistema, os usuários terão acesso a qualquer site que aderir ao programa. ‘Você é a sua senha nesse sistema’, afirma John Clippinger, diretor-adjunto do Laboratório de Direito do Berkman Center for Internet & Society da Universidade Harvard e um defensor do plano. ‘Ele será muito mais eficiente e você vai controlá-lo muito mais.’

Economia de papel

Atividades hoje realizadas fora da internet devido a preocupações com segurança ou privacidade – avaliações de registros médicos ou o refinanciamento de uma hipoteca – poderão migrar para a web depois da adoção das novas regras, chamadas de National Strategy for Trusted Identities in Cyberspace, ou NSTIC (algo como Estratégia Nacional para Identidades Confiáveis no Espaço Cibernético).

As senhas não proporcionam uma boa segurança porque a maioria das pessoas escolhe combinações de letras que são facilmente descobertas pelos hackers. Um padrão universal que exija algum tipo de dispositivo, ou um chip com dados codificados, manteria as informações sobre o consumidor mais seguras, ao mesmo tempo em que tranquilizaria as companhias de que elas não estariam sendo alvo de um esquema fraudulento, afirma Don Thibeau, presidente da Open Identity Exchange, um grupo que defende os interesses de grandes companhias de tecnologia, como Verizon, AT&T, Google, PayPal e Symantec. ‘A NSTIC poderá ser um grande passo em um dos desafios fundamentais que a internet enfrenta hoje, que é `em quem você confia?´’, diz Thibeau. ‘Isso nos proporciona as regras, as políticas de que precisamos para realmente seguir em frente.’

Um padrão de segurança também poderá reduzir o tamanho dos help desks das companhias de internet, diz Bruce McConnell, conselheiro de proteção nacional do Departamento de Segurança Interna dos EUA. ‘O elemento de maior custo para os help desks é lidar com senhas perdidas’, observa ele. Outra vantagem: uma identidade online de confiança poderá encorajar médicos a receitar mais medicamentos pela internet, ajudando a economizar três milhões de folhas de papel por ano, afirma McConnell.

‘A inovação é um dos aspectos-chave’

O governo americano está desenvolvendo os padrões para o plano de segurança e verificação, mas sua adoção será voluntária e as companhias que usarem o sistema é que vão administrá-lo. Não haverá um banco de dados central com as informações dos usuários, segundo funcionários do Departamento do Comércio, removendo as preocupações com a privacidade. Em vez disso, cada companhia vai manter seu próprio banco de dados com informações dos clientes, e qualquer pessoa que for conectada ao sistema por uma companhia será considerada segura pelas demais que estiverem usando o sistema.

As empresas ainda não disseram se vão aderir ao programa, mas se o sistema permitir a elas adaptá-lo facilmente a seus propósitos, o uso poderá disparar, afirma Brian Kissel, presidente da Janrain, uma consultoria especializada em redes sociais. ‘O empurrão será dado pela demanda dos usuários’, diz Kissel.

O governo prometeu dar início ao plano encorajando agências públicas a usá-lo para tudo, de impostos e benefícios concedidos a militares veteranos a reservas de vagas em locais de acampamento em parques nacionais. ‘A inovação é um dos aspectos-chave aqui’, diz Ari Schwartz, um consultor de políticas para a internet do Departamento do Comércio. ‘Muita coisa adicional poderia ser feita se pudéssemos confiar mais nas transações.’

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Da Bloomberg Businessweek

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