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Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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Facebook mostra as limitações do Google

Por Gustavo Chacra em 10/08/2010 na edição 602

Líder absoluto em buscas na internet, o Google ficou para trás no mercado de sites de relacionamentos e já tem planos de mais uma vez tentar bater de frente com o Facebook e o Twitter. O temor da empresa é que esta nova iniciativa possa terminar em derrota como no caso do Buzz, lançado neste ano e conhecido apenas por invadir os contatos dos usuários do Gmail.

Basicamente, o Google terá que fazer o inverso do que ocorre no setor de buscas na internet. Nesta disputa, o Google busca se defender do crescimento dos rivais Bing, da Microsoft, e do Yahoo. Nos sites de relacionamento, é o Google que precisa correr atrás, apesar de ter largado na frente com o Orkut há seis anos e meio. E, até hoje, muitos se questionam como o Google perdeu esta batalha.

O Orkut foi criado um mês antes do Facebook, em janeiro de 2004. Na época, existiam outros no mercado, como Friendster e o MySpace. A diferença é que o Orkut foi desenvolvido na Google, uma gigante da internet – aliás, o nome do responsável pelo desenvolvimento do produto se chamava Orkut Buyukkokten. Qualquer usuário da rede podia abrir uma conta.

O Facebook teve um início mais elitista. Seu fundador, Mark Zuckerberg, era estudante de Harvard. Nos seus primeiros meses, o site visava apenas os alunos da universidade, como se fosse uma fraternidade virtual, conforme descreve Ben Mezrich, autor de um livro sobre a história do Facebook.

O segundo passo de Zuckerberg foi ampliar o acesso ao seu site para outras estudantes de outras universidades da elite, como Princeton, MIT e Stanford. Depois, o Facebook foi aberto para alunos de qualquer instituição educacional. Bastava ter um email terminado em ‘edu’, de educação, para acessar. O golpe final foi permitir que qualquer usuário da internet ingressasse no Facebook.

Neste momento, o Orkut já dominava o mercado brasileiro. O problema é que, nos EUA, quase ninguém sabia da existência deste site de relacionamentos, até hoje descrito pelo New York Times como ‘um Facebook para brasileiros’, que são mais de 50% dos usuários.

Nas universidades americanas, estudantes brasileiros precisavam explicar para os americanos o que era o Orkut. E, aos poucos, também começaram a convencer amigos brasileiros a trocarem o site de relacionamentos do Google pelo do Facebook. ‘O Facebook foi um sucesso porque ele começou do topo da hierarquia social’, escreveu Charles Petersen na New York Review of Books.

Da mesma forma que o nos EUA, o Facebook ingressou no Brasil pela elite e aos poucos começou a dominar os computadores dos jovens – e também dos pais deles – da classe média alta de São Paulo e do Rio. O Orkut ficou ultrapassado, já que não dava para incluir amigos estrangeiros. Os brasileiros voltando de temporadas na Europa e nos EUA preferiam manter nos seus contatos os amigos feitos no exterior. Com o Orkut, restrito quase apenas a brasileiros e indianos, isso seria impossível.

A invasão brasileira inicial do Orkut também deixou irritados americanos que não conseguiam entender o que as pessoas falavam. Na comunidade da Universidade Columbia no Orkut, por exemplo, estudantes americanos reclamavam que não entendiam o que os outros membros – brasileiros – diziam.

No Twitter, um fenômeno similar tem ocorrido, como no ‘Cala Boca Galvão’. Os brasileiros, nos últimos meses, dominaram diversas vezes os ‘trending topics’. Estrangeiros que não entendem português reclamavam na própria rede que estavam frustrados por terem ficado de fora.

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