Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

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Filmes 3D marcam transição para o cinema digital

Por Valério Cruz Brittos e Diego Garcia Goulart em 23/09/2008 na edição 504

O cinema digital traz uma tecnologia que possibilita produzir um filme de forma mais barata e menos complicada. No entanto, apesar do mercado de entretenimento ser cada vez mais pujante, a nova forma de fazer cinema se desenvolve a passos lentos. A vantagem do sistema digital está em transformar a imagem em sinal eletrônico, diferente do cinema em película, que sensibiliza o filme virgem. O processo de revelar, telecinar, criar efeitos especiais e editar em película torna o cinema caro demais, dificultando a produção de filmes independentes. O cinema digital reduz custos, o que incentiva a uma maior produção por parte de novos diretores, nesta Fase da Multiplicidade da Oferta da Comunicação.

Hoje, o cinema digital já apresenta qualidade para utilização em escala comercial. Mais do que isso, depois de 50 anos de abandono, a digitalização, incorporando a tecnologia 3D (imagens de duas dimensões trabalhadas de maneira a criar a ilusão de uma terceira), vira uma alternativa para burlar a pirataria e tornar as salas de cinema mais atrativas. Graças aos avanços tecnológicos, tal retorno pode acelerar a conversão das salas para o sistema digital, requisito básico para que se possa, com adaptações, realizar projeções em 3D. A Walt Disney já manifestou apoio à tecnologia, criando um estúdio para realizações em 3D em parceria com Robert Zemeckis, o diretor de Polar Express, assim como a DreamWorks Animation SKG, que prometeu que todos os seus filmes serão lançados neste modo, em 2009.

Problemas de mal-estar superados

Os grandes estúdios apóiam a iniciativa, que, dentre tantos benefícios, reduzirá os custos de lançamento, pois não será mais preciso produzir cópias em película. Este apoio pode transformar-se numa contribuição para o pagamento dos custos de reconversão das salas, de analógicas em digitais. O custo estimado para a transição ainda está caro, cerca de US$ 3,6 bilhões, segundo observadores do setor. Os filmes em três dimensões têm uma origem anterior ao século 20, mas somente na década de 1950 a idéia ganhou forma em Hollywood. O diretor Sidney W. Pink estava entre os cineastas de vanguarda da época que apoiavam a tecnologia. Ele produziu, em 1952, Bwana Devil, sobre leões que devoravam homens.

Esta tecnologia está em franca expansão e a aventura do mercado digital 3D, que teve início em 2005, com o filme Chicken Little, deverá continuar a crescer nos próximos anos. A título de exemplo, ainda em 2008, o concerto dos U2, baseado na tour Vertigo de 2005/6 da banda irlandesa, foi editado em digital 3D. Com este sistema, a imagem é projetada em 144 imagens por segundo (um número superior às imagens a duas dimensões). O projetor transmite as imagens já polarizadas e divididas entre os olhos direito e esquerdo do espectador. Com os óculos com lentes polarizadas, o receptor consegue ver imagens diferentes em cada um dos olhos, o que cria a ilusão de profundidade das três dimensões.

Os filmes em 3D antigos usavam duas camadas de cor – uma predominantemente vermelha e outra azul ou verde – numa única tira do filme reproduzida por um projetor. Por este sistema, para assistir ao filme, é necessário usar um óculos 3D com uma lente vermelha e outra azul ou verde. Essas lentes forçam um olho a enxergar a seção vermelha da imagem e a outra, a seção azul ou verde. Devido às diferenças entre as duas lentes, o cérebro as interpreta como uma imagem de três dimensões. Porém, por causa do uso de lentes coloridas, a coloração da imagem final não é nítida. Este tipo de tecnologia 3D já provocou no público dores de cabeça, lesões oculares e náusea, problema superado com a digitalização.

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Respectivamente, professor no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos e doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA; e graduando em Comunicação Social – Jornalismo pela Unisinos

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