Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

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Google reinicia guerra dos navegadores da web

Por Nick Wingfield e Amir Efrati em 13/07/2010 na edição 598

Anos atrás, o navegador de internet Firefox recriou um ambiente de forte competição entre os browsers, um mercado naquele momento dominado esmagadoramente pelo Internet Explorer, da Microsoft Corp. Agora, o Google Inc. está chacoalhando novamente o mercado de navegadores.

O navegador Chrome, do Google, alcançou em junho 7,24% do mercado global e é hoje o programa para surfar na Internet que cresce mais rápido, de acordo com dados da NetApplications.com, que acompanha o uso da web. O Google informa que o Chrome tinha mais de 70 milhões de usuários ativos em maio. Em junho de 2009, eram 30 milhões.

A terceira posição do Google no ranking de navegadores ampliou a influência da empresa na definição de padrões técnicos que moldam os sites da Internet e canalizam os usuários para sua ferramenta de buscas.

‘O navegador é importante por causa da sua capacidade de direcionar o acesso a outros ativos’, diz Sheri McLeish, analista da Forrester Research.

Dois dígitos

A determinação do Google de ganhar uma base nesse mercado mostra como os navegadores voltaram a se tornar importantes campos de batalha, uma vez que mais programadores de software estão transferindo para a Internet aplicativos ancorados em sistemas operacionais de PCs, como Windows e Macintosh.

O Google está tentanto aprofundar ainda mais a mudança com um novo sistema operacional chamado Chrome OS, feito a partir do navegador e projetado para rodar apenas software baseado na web. A expectativa é de que laptops com o Chrome OS, feitos por parceiros de hardware do Google, sejam lançados no fim do ano. ‘Quando a internet fica melhor, o Google tende a se beneficiar’, diz Sundar Pichai, vice-presidente de desenvolvimento de produtos do Google.

A guerra dos navegadores do fim dos anos 90 entre a Microsoft e a Netscape Communications Corp. foi a primeira grande batalha da era da internet, terminando com uma série agressiva de conflitos nos tribunais de defesa da concorrência para a Microsoft e com o desparecimento da Netscape, que acabou sendo esquecida. O Internet Explorer saiu da batalha com uma fatia de mais de 90% do mercado de navegadores, até o surgimento do Firefox.

O Firefox é um browser de código aberto criado com a colaboração de programadores voluntários, supervisionados pela Fundação Mozilla, entidade sem fins lucrativos que surgiu de uma organização criada pela Netscape no fim da década de 90. O Firefox encontrou uma audiência receptiva, em parte por conta da proliferação de um código malicioso que explorou vulnerabilidades de segurança do Internet Explorer.

Muitos consumidores passaram a ver o Firefox como uma alternativa inovadora e segura, o que ajudou o software a ganhar a segunda posição. O uso do navegador chegou a 24,7% em novembro, mas escorregou para 23,8% em junho, de acordo com a NetApplications.

A perda de fôlego foi provocada por sugestões de que o Chrome e outros navegadores estavam superando o Firefox em inovação. Em resposta a uma questão feita em maio no Quora, um site de discussões, sobre a capacidade do Firefox de manter a participação de mercado de dois dígitos em três ou cinco anos, Blake Ross, um cofundador do projeto Firefox, escreveu que estava ‘muito cético’.

Rapidez e segurança

‘Acho que a organização Mozilla gradualmente voltou ao seu padrão antigo de ser muito tímida, passiva e dirigida pelo consenso para conseguir lançar produtos de vanguarda rapidamente’, escreveu Ross, hoje diretor de produtos do Facebook Inc. Ele não respondeu aos pedidos para detalhar seus comentários.

Dentro da mesma discussão, o diretor-presidente da Mozilla, John Lilly, disse estar confiante de que o Firefox vai manter sua participação no mercado de navegadores. Uma porta-voz da Mozilla se recusou a comentar o que foi escrito por Ross e se referiu à resposta de Lilly, que já anunciou planos de deixar o cargo.

Executivos da Mozilla tinham declarado anteriormente que o objetivo deles há muito é estimular a concorrência no mercado de navegadores e influenciar os padrões técnicos da Internet, e não aumentar fatia de mercado e receita. Mitchell Baker, presidente do conselho da Fundação Mozilla, disse que o atual ambiente competitivo para os navegadores ‘parece um sonho que se realizou’.

Enquanto isso, o uso do Internet Explorer subiu para 60,32% em junho, ante 59,75% em maio, o primeiro aumento mensal para o software da Microsoft em quase um ano. A empresa está desenvolvendo uma nova versão do seu browser, o Internet Explorer 9.0, que poderá aproveitar melhor a capacidade de processamento dos PCs para produzir gráficos de web mais detalhados.

‘A concorrência sempre nos dá um bom impulso para garantir que atendamos às necessidades dos nossos clientes’, diz Ryan Gavin, diretor da Microsoft para o Internet Explorer.

Os esforços do Google para fazer um novo navegador – iniciados em 2006 – nasceram do temor de que os browsers já existentes não dariam suporte a seus serviços de internet ou fariam os usuários deixar de usar sua ferramenta de buscas. O navegador foi elogiado por alguns especialistas em tecnologia pela rapidez e segurança, mas também ganhou impulso com uma rara publicidade do Google – da sua página inicial a anúncios no metrô de Paris e comerciais de televisão.

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Do The Wall Street Journal Americas

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