Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

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Imprensa, inovação e conservadorismo

Por Luciano Martins Costa em 28/03/2011 na edição 634

O Estado de S.Paulo noticia na edição de segunda-feira (28/3), como reportagem principal do caderno ‘Economia & Negócios’, que uma nova Política de Desenvolvimento Produtivo, a ser divulgada nas próximas semanas pelo governo, vai voltar a priorizar a inovação como motor do desenvolvimento nacional.


O plano original, lançado em 2008, foi atropelado pela crise financeira. Trata-se de uma série de medidas para estimular a iniciativa privada a investir mais em pesquisa e desenvolvimento, elemento fundamental para que o atual surto de crescimento econômico venha a se consolidar.


Os estudos a respeito de inovação mostram que a indústria brasileira investe pouco no desenvolvimento tecnológico – em torno de 0,5% do PIB por ano. O volume de investimentos é considerado baixo, mas o mais grave é a falta de continuidade, o que provoca a interrupção de trabalhos importantes, que acabam perdidos por falta de recursos.


Outra mentalidade


Os grandes avanços ocorrem na economia rural, principalmente graças ao desempenho da Embrapa e aos grandes valores aplicados na produção de combustíveis de origem vegetal. Outro setor que investiu bastante em inovação foi o de petróleo e gás, e foi graças a esse avanço que o Brasil criou condições para explorar as reservas do pré-sal.


No entanto, ainda há muito desconhecimento na imprensa brasileira sobre os desenvolvimentos no setor e o noticiário é quase sempre factual. Uma característica da abordagem que o jornalismo nacional faz do tema inovação pode ser notada na localização das reportagens sobre o assunto: as matérias ficam quase sempre restritas à área de ciência e tecnologia, sem vínculos com a economia e as políticas públicas.


As novas circunstâncias da economia mundial, afetada pela crise financeira e condicionada pelas urgências ambientais e sociais, exigem uma mudança em determinados paradigmas que orientam as escolhas dos jornalistas. Um deles se refere ao fato de que inovação só pode ser considerada uma contribuição positiva quando favorece a busca da sustentabilidade.


Mas talvez a inovação mais sensível esteja esperando para acontecer nas próprias redações: a da mudança de mentalidade, que permita à imprensa enxergar a complexidade do mundo contemporâneo com todas as nuances que o caracterizam.

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