Sexta-feira, 22 de Março de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1029
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Internet é democracia

Por Luciano Medina Martins em 01/02/2011 na edição 627

Um movimento começado por estudantes na internet (Facebook) para protestar contra políticos levou mais de 30 mil belgas às ruas no domingo (23/1). O nome do movimento é Shame, vergonha em inglês. Os políticos belgas não conseguem chegar a uma coalizão partidária nacional forte o suficiente para formar uma só liderança no parlamento. Ou seja, o protesto era contra a falta de um governo. Mas também existem motivos econômicos: a avaliação de risco para investimento na Bélgica foi prejudicada pelo imobilismo de seus políticos.

No Brasil, cerca de 80 estudantes subiram a rampa do Planalto para protestar contra o aumento dos deputados. Eles não se articularam via internet e a divulgação de seu protesto foi feita pelos jornalistas que cobrem o Planalto, não por eles mesmos. Quase não houve repercussão internacional.

As redes sociais podem ser utilizadas para levar as pessoas às ruas, para mobilizar a população em torno de causas, para potencializar a repercussão de suas causas junto às mídias tradicionais, e antes mesmo disso, para formar a opinião. A opinião pública já se formava nas redes sociais fora da internet, nos corredores de faculdades, nos bares, nos cafés e restaurantes, nos pontos de encontro tradicionais de cada grande e pequena cidade. E as mídias tradicionais já a influenciavam, agendando uma parte da discussão nos círculos de relacionamento, pautando o bate-papo no bar.

Um referendo via celular

Agora, parte deste processo de formação de opinião ocupa o ciberespaço, nas redes sociais, onde as possibilidades de ‘conversar’ em uma grande ‘mesa de bar’ se multiplicaram e já vemos os primeiros sinais de que as redes sociais se afirmam como um berçário de movimentos políticos. Cada vez mais se torna importante garantir o acesso à internet para toda a população. Internet livre é democracia.

No Brasil, a possível promoção de acesso a uma fatia muito maior da população está ligada ao celular. O celular é mais barato que um PC ou um netbook e mais brasileiros podem ter acesso e participar de redes sociais através do celular. É possível que um dia façamos um referendo popular via celular e assim a opinião pública e a participação direta influenciem mais os governos e nossos representantes eleitos.

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Jornalista

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