Segunda-feira, 21 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

E-NOTíCIAS > WEBJORNALISMO

Jacob Weisberg

15/03/2005 na edição 320

‘No caso Valerie Plame, dois conhecidos repórteres foram condenados à prisão por se recusarem a revelar a identidade de uma fonte – ou mais de uma – que lhes deu o nome de Valerie, agente secreta da CIA. Advogados dos dois jornalistas – Matthew Cooper, da ‘Time’, e Judith Miller, do ‘New York Times’ – estão pedindo a tribunais que reconheçam o direito dos repórteres de se recusar a testemunhar sobre sua coleta de informações. Empresas de mídia insistem na necessidade de uma lei federal de proteção que criaria um privilégio para jornalistas semelhante aos de advogados, médicos e padres.

A maioria dos países tem mecanismos legais de proteção à mídia. Mas há um grande problema com as leis de proteção a jornalistas, que advogados ainda precisam explicar. Como se decide quem é jornalista? Se é criado um privilégio que se aplica a um grupo, alguém tem que decidir quem pertence ou não a esse grupo. Isto não é muito difícil no caso de advogados e médicos, credenciados por organizações profissionais e licenciados pelo governo.

Mas, como repórteres gostam de lembrar uns aos outros, eles estão juntos em algo mais parecido com um negócio ou uma arte do que com uma profissão. O jornalismo não requer treinamento específico, ou certificado institucional, ou sociedade organizacional, ou mesmo emprego regular. É apenas uma atividade em que algumas pessoas se engajam protegidas pela Constituição.

Mesmo antes do advento dos blogs, a questão sobre quem é qualificado para exercer o jornalismo era traiçoeira. Os panfletários da Revolução Americana eram jornalistas? O que dizer de Mark Twain? E Oprah Winfrey? Com a proliferação de novos modos de comunicação online, decidir quem é ou não jornalista se tornou praticamente impossível. Graças à internet, barreiras que separavam autores amadores de profissionais foram substituídas por desvios e sinais verdes. Até uma década atrás, praticar jornalismo era uma proposição intrinsecamente cara, que requeria a capacidade de obter lucro, ou subsídios de um velhote rico. Hoje, um numero ilimitado de pessoas sem qualquer apoio institucional pode se estabelecer como repórter, analista ou comentarista, obedecer à lei que preferir, encontrar públicos de vários tipos e tamanhos e, talvez, até conseguir um meio de vida. A liberdade de imprensa está disponível não apenas em teoria, mas na prática, a um número ilimitado de indivíduos.

Em resposta, muitos jornalistas da linha antiga tentaram definir seu trabalho de modos que excluem os novos aspirantes. Jornalistas institucionalizados argumentam que blogueiros não fazem reportagens convencionais, não são precisos, não são responsáveis, ou não são pagos – e portanto não são repórteres genuínos. Temem que o atual fluxo de amadores mine padrões profissionais ou que os profissionais maduros sejam injustamente derrubados por uma multidão de linchadores eletrônicos, como alguns dizem que aconteceu com Dan Rather, da CBS, e Eason Jordan, da CNN.

Desconsidere todas as reclamações motivadas por interesse próprio. A queda do que já foram terríveis barreiras no campo do jornalismo é uma boa notícia para a democracia como um todo e para a imprensa em particular. A grande cacofonia de vozes na esfera dos blogs significa que mais opiniões estão sendo representadas, que mais assuntos estão sendo examinados em detalhe e que entra mais luz solar em instituições de todos os tipos. Milhares de blogueiros falando alto significa que nossa cultura política abrange um debate saudável sobre tudo aquilo de que as pessoas discordam. Se você não gosta do rouco clamor que emana do ciberespaço, realmente não está confortável com a democracia.

Para o jornalismo, a internet está tendo efeito ainda mais imediato, e não menos benéfico. Blogs e publicações na internet essencialmente resolveram uma das maiores preocupações das últimas décadas: de que a consolidação da mídia estivesse diminuindo a independência e a pluralidade de vozes. Em outro nível, a capacidade de leitores de responder à grande imprensa está aumentando os padrões de precisão, cuidado e profissionalismo. Você já não pode ser preguiçoso ou descuidado porque muitos auto-intitulados patrulheiros estão tentando pegá-lo atravessando o sinal fechado.

É claro que blogueiros jogam com definições, escolhendo a identidade que se adequa a eles no momento. Num caso pendente na Califórnia, a Apple Computer indiciou judicialmente três blogueiros que relataram o que a empresa acredita serem segredos de negócios sobre seus futuros produtos. Os blogueiros querem ser admitidos pela classe jornalística protegida pela lei. Mas diante da perspectiva de serem regulados pela Comissão de Eleição Federal, assumem a posição de que não são nem mídia independente (que enfrenta restrições) nem defensores partidários (que enfrentam outras), e sim pertencentes a uma categoria privilegiada chamada internet, da qual o governo não pode cobrar impostos. Uma posição mais consistente seria afirmar que a Primeira Emenda deveria ser aplicada igualmente a todos que praticam jornalismo, e que a defesa política online deveria ser tratada consistentemente como defesa offline.

Nada disso é dizer que leis de proteção limitadas não são uma maneira razoável de proteger o público de promotores exaltados e corporações ameaçadoras. Também há casos em que órgãos do governo não podem evitar a discriminação entre jornalistas e o reconhecimento de uma hierarquia. O escasso recurso de credenciais para cobrir a Casa Branca ou cruzar linhas da polícia precisa ser distribuído de acordo com alguma fórmula. Mas aqueles que defendem um privilégio legal especial para jornalistas precisam aceitar que qualquer um que pense que é jornalista é jornalista, e descobrir como proteger a atividade, mais do que a um grupo definido de pessoas. Propriamente entendido, o jornalismo nunca foi simplesmente um negócio ou uma profissão. Numa democracia como a nossa, é um direito básico. JACOB WEISBERG é editor da revista na internet ‘Slate’’



INTERNET
Pedro Doria

‘A chegada do RSS’, copyright No Mínimo (www.nominimo.com.br), 12/03/05

‘Desde a semana passada há uma nova maneira de ler NoMínimo: via RSS. O sistema permite ao leitor ser informado sobre cada nova atualização sem precisar acessar a primeira página toda hora. Para usar o sistema, basta baixar um programa que leia os feeds ou usar um software de navegação moderno, como o Firefox ou o Opera – quem sabe, um dia, a Microsoft decide implementar a possibilidade no Explorer.

Parece complicado? Para o usuário, não é – e esta coluna divide-se em duas partes. Na primeira, como fazer com que funcione, pura e simplesmente. Na segunda, um pouco da história do RSS e como ele, de certa forma, representa os grandes desafios técnicos da Internet.

Como botar o RSS para funcionar

Com o RSS funcionando, o leitor tem acesso a uma página com as chamadas da capa de NoMínimo – cada chamada é um link. Tudo constantemente atualizado. Não só: é um sistema de assinaturas de sites noticiosos. Os principais portais de notícia brasileiros oferecem o mesmo recurso. Muitos dos blogs têm RSS. Basta ao leitor assinar o que lhe interessa, de NoMínimo ao ‘New York Times’, e esta sua página particular terá as últimas, com cada coluna, post de blog ou reportagem a um clique de distância.

Para saber se um dito site é compatível, basta procurar o logo laranja com as letras XML escritas. Aqui, está no pé da coluna à esquerda, onde listam-se os colunistas.

Quem navega pela web com o Firefox ou o Opera vê, na primeira página de NoMínimo, um quadrado laranja no canto inferior direito da tela. Um clique no ícone dispara um menu que oferece a opção para assinar o site. Pronto: doravante, nos favoritos, ficará lá a opção ‘NoMínimo’ com uma lista dos títulos daquilo que está no ar. Selecione-se um matéria qualquer e a página abre.

Quem ainda usa o Explorer precisa do socorro de um feed reader. Os mais populares são FeedReader (para Windows), Net News Wire (para MacOS X) e Straw (para Linux). Uma vez instalado, o programa exige apenas uma coisa: o endereço do feed. Aquele logo XML na primeira página de NoMínimo tem justamente este objetivo: clique com o botão esquerdo do mouse, um menu oferecerá a opção copiar atalho. O prezado leitor acaba de copiar o endereço do feed, basta colar no programa.

No fim, tanto via browser quanto via um programa específico, a vantagem é ter uma constante atualização dos sites e blogs de acesso recorrente sem precisar visitá-los a toda hora. Serve para que as notícias venham ao leitor, não o contrário.

Metafóra da Internet

Depois de incluir o primeiro site, todo leitor tira o sistema RSS de letra. Do outro lado, para quem bota para funcionar o RSS no site, as coisas não são tão simples. Há nada menos que sete versões diferentes da linguagem RSS entre as quais optar. É um sistema que obviamente interessa à rede, já que facilita a vida do usuário, mas quem produz esses padrões dificilmente se entende.

Por um motivo muito simples: todo mundo quer ser dono dum padrão. Fale de vídeo na Internet e quantos formatos há? Windows Media, QuickTime, MPG, RealVideo. Para cada tipo, às vezes, é preciso um programa diferente. No caso dos filmes, o resultado é que usam-se todos e nem Microsoft, nem Apple, nem Real conseguem o monopólio que pretendem. Termina em Babel e o pobre navegante tem de instalar dois ou três programas, ao invés de um.

Originalmente, a Internet foi idealizada para funcionar em padrões abertos, ninguém é dono, as empresas poderiam produzir seus programas para ler – por exemplo, filmes – e o usuário escolheria aquele que prefere. Mas todos seriam compatíveis entre si.

Com o RSS aconteceu igual. Foi criado pela Netscape, quando a empresa ainda tinha um navegador forte e queria entrar no ramo dos portais. Seria a maneira de divulgar seu conteúdo. A Netscape fraquejou, abandonou seu portal e o sistema foi adotado por Dave Winer, um dos pais dos weblogs. Dave simplificou o sistema da Netscape e o popularizou entre blogueiros.

Mais ou menos quando os grandes sites de notícia estavam prestando atenção na idéia, um outro grupo lançou uma nova versão de RSS que mantinha a complexidade original. De repente, havia duas opções no mercado. Depois três.

Em finais de 2004, a versão 2.0, cunhada pelo grupo de Winer, recebeu a bênção da Universidade de Harvard e foi adotada pelo ‘New York Times’, talvez mais importante jornal do mundo. É a tentativa de homologar um dos padrões em detrimento dos outros: é aberto, qualquer um pode usar sem a necessidade de pagar royalties.

Mas se outras histórias similares da rede fizerem jus à história, não será desta vez que um padrão vai ser fixado. A rede mantém sua triste vocação para Babel e incompatibilidades e afins.

Nada, no entanto, com que os leitores de NoMínimo devam se preocupar – para o usuário, funciona bem.’



Mariana Barros

‘Garoto faz clipe e vira celebridade virtual’, copyright Folha de S. Paulo, 9/03/05

‘Cômica, constrangedora, bizarra. Não faltaram adjetivos para a performance on-line de Gary Brolsma, um garoto norte-americano de 19 anos que filmou a si mesmo entoando e dançando a canção pop ‘Dragostea Din Tei’, do trio romeno O-Zone.

A dublagem de Brolsma é caprichada, cheia de caretas para acompanhar a letra. A melhor parte fica por conta da coreografia em que levanta os braços e chacoalha a cabeça, batizada por ele mesmo de ‘Numa Numa Dance’ (veja em www3.ns.sympatico.ca/lyle_24/myhero.swf).

Calcula-se que o clipe tenha sido visto por mais de 2 milhões de pessoas. O sucesso começou em dezembro de 2004, quando o site newgrounds.com publicou o link para a gravação. Não demorou para que Brolsma alcançasse o estrelato.

Os canais de TV norte-americanos CNN e VH1 transmitiram a performance, a NBC quis levá-lo ao programa ‘Today Show’ e o jornal ‘The New York Times’ tentou entrevistá-lo. Em vão. Brolsma não quer aparecer na mídia, pois, segundo sua família, ele está assustado com a repercussão do vídeo e muito envergonhado.

Em visita ao Brasil, o professor de antropologia cultural da Universidade de Roma, Massimo Canevacci, falou à Folha sobre o episódio. Segundo ele, ao contrário do que ocorre em outras mídias, as pessoas que se tornam celebridades pela internet nem sempre desejam isso. ‘Quem se expõe na rede é movido por um instinto não narcisista, mas criativo’ explicou. ‘Quer reelaborar algo que viu, ouviu ou leu. A internet é uma mídia de mão dupla, em que somos observadores e realizadores ao mesmo tempo’, disse.

Broslma é um bom exemplo dessa duplicidade. Se, por um lado, ele se baseou em uma música já existente para criar algo inédito, por outro, o seu vídeo inspirou dezenas de imitadores.

Segundo o webmaster do site newgrounds.com, Tom Fulp, desde a publicação do vídeo ele não parou de receber paródias. Uma das mais recentes mostra uma classe de estudantes cantando uníssonos em romeno enquanto fazem a estranha coreografia. Outra versão disponível na rede mostra um clipe feito com peças do brinquedo Lego (www.big-boys.com/articles/dudelipsync.html).

‘Dragostea Din Tei’, a música que inspirou Brolsma, tornou-se hit durante o último verão europeu e ficou por mais de 300 semanas no topo das paradas -algo incomum para uma música não cantada em inglês.

Além de vídeos, pipocaram adaptações locais. No site www.fanclub.ro/archive/index.php/t-10939.html, há dezenas de versões para a letra original. Ela é traduzida para o polonês e para o russo, e comentada por internautas de várias nacionalidades.

No Brasil, a canção foi adaptada pelo cantor Latino, que aproveitou o ritmo para criar o hit ‘Festa no Apê’. O significado da letra brasileira nada tem a ver com o da romena, a começar pelo título, que originalmente quer dizer ‘O Amor sob a Tília’. Mas isso é o que parece menos importar.

Segundo a fornecedora de conteúdo para celulares Takenet, foram feitos, apenas no mês de fevereiro, 534.442 downloads de campainhas de ‘Festa no Apê’ e 36.672 de ‘Dragostea Din Tei’.

Para o professor Canevacci, a teia costurada em torno da canção é um exemplo de ‘tecnosincretismo’, conceito que usa para caracterizar o cruzamento entre as esferas individual e pública, local e global, próprias da cultura digital.

Não se sabe exatamente o que determinou o sucesso da performance, mas, depois de assistir ao clipe, resistir a enviá-lo aos amigos é praticamente impossível.’



Amy Harmon

‘‘Cybervalentões’ difamam colegas pela internet’, copyright O Estado de S. Paulo / The New York Times, 14/03/05

‘A briga começou na escola, quando garotas da 8.ª série roubaram um estojo de maquiagem da nova aluna Amanda Marcuson e ela as denunciou. Mas não terminou lá. Assim que Amanda chegou em casa, as mensagens instantâneas começaram a aparecer na tela de seu computador. Era fofoqueira e mentirosa, elas diziam. Abalada, a menina respondeu: ‘Vocês roubaram minhas coisas.’ Na tela, se sucederam palavrões e palavrões como resposta.

Naquela noite, a mãe de Amanda a arrancou da frente do computador para ir a um jogo de basquete com a família. Mas a enxurrada de insultos eletrônicos não parou. Ao fim do jogo, Amanda já tinha recebido 50 mensagens em seu celular – o limite da capacidade. ‘Parece que as pessoas conseguem dizer coisas muito piores para alguém online do que seriam capazes de fazer pessoalmente’, disse a menina, de 14 anos, que mora no Estado de Michigan. As garotas nunca disseram uma palavra para ela.

Não mais confinados à escola ou aos horários diurnos, ‘cybervalentões’ estão caçando suas presas nos próprios quartos. Ferramentas como mensagens de e-mail e blogs permitem que o bullying seja menos óbvio para os adultos e mais humilhante publicamente, já que fofocas, gozações e fotos embaraçosas passam a circular entre um público maior, pela internet.

Psicólogos dizem que a distância entre o agressor e a vítima na internet está levando a um grau de brutalidade sem precedentes. ‘Nós sempre falamos sobre proteger as crianças na internet de adultos e pessoas ruins’, disse Parry Aftab, diretor executivo da WiredSafety.org, uma ONG que tem recebido telefonemas de pais e diretores de escola preocupados com o bullying virtual. ‘Nós esquecemos que às vezes precisamos proteger as crianças das crianças.’

Susan Yuratovac, uma psicóloga da escola de ensino fundamental Hilltop, em Ohio, trabalha há anos para minimizar o bullying e agora passou a se preocupar com as agressões online. ‘Eu tenho crianças que chegam perturbadas à escola por causa de algo que aconteceu na internet na noite anterior’, diz. ‘É muito nebuloso; não está acontecendo no refeitório, não está acontecendo no ônibus escolar, mas pode se espalhar rapidamente’, disse Mary Worthington, educadora que faz palestras sobre o assunto.

As novas armas no arsenal adolescente de crueldade incluem roubar os apelidos online dos outros e enviar mensagens provocativas para amigos ou objetos de paixão, passar material particular para muitas pessoas e deixar anonimamente comentários pejorativos sobre colegas em blogs.

Listas online classificando as garotas da escola como gostosas, feias e sem graça também são comuns. A que apareceu na Horace Greeley High School, no Estado de Nova York, dava nomes, telefones e supostos feitos sexuais das meninas. Uma aluna da 7.ª série da escola Nightingale-Bamford, em Manhattan, disse que assistiu recentemente a um vídeo online em que um garoto cantava uma música para a garota de quem gostava e rapidamente se espalhou pela internet. ‘Eu realmente senti pena do sujeito’, disse.

Psicólogos afirmam que os adolescentes são atraídos pelo ato simples de apertar o botão ‘enviar’ e ver mensagens e fotos desaparecer, como se atitude não fosse real. ‘Não é o mesmo que pegar uma foto picante de sua namorada e mostrá-la a todos na escola enquanto você está lá segurando a foto’, disse Sherry Turkle, psicóloga do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.’



Daniela Milanese

‘Submarino tentará captar R$ 505 milhões’, copyright O Estado de S. Paulo, 14/03/05

‘O lançamento de ações do Submarino dá seqüência à ativa estratégia da GP Investimentos para o mercado de capitais. O site varejista pretende levantar entre R$ 445 milhões e R$ 505 milhões com a venda de papéis. A empresa, controlada pela gestora de recursos, estréia no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) no dia 30 de março.

Em junho de 2004, a GP listou a companhia de ferrovias América Latina Logística (ALL) na Bolsa paulista, numa operação de R$ 588 milhões. A empresa volta ao mercado agora, nove meses após a estréia, e pretende captar mais R$ 700 milhões com o lançamento de units (papéis formados por quatro ações preferenciais e uma ordinária). Os interessados podem começar a reservar as units da ALL com as corretoras de hoje até o dia 21 deste mês.

O fato de a ALL ter anunciado duas emissões em um período de tempo tão curto chamou a atenção do mercado. Segundo especialistas, pode ser uma mostra de que os próprios controladores consideram que os papéis estão caros. Desde o lançamento, as ações acumulam alta de quase 65%.

Os interessados em comprar as ações do Submarino poderão fazer as reservas entre 18 e 28 de março. A companhia estima emissão entre R$ 20,33 e R$ 23,05 por ação, mas o preço definitivo depende da demanda dos investidores. A aplicação mínima para as pessoas físicas é de R$ 3 mil e a máxima, de R$ 100 mil. A empresa decidiu destinar de 10% a 20% dos papéis emitidos para o varejo.

Das 21,875 milhões de ações a serem emitidas pelo Submarino, 15,625 milhões referem-se a papéis já existentes, em poder do controlador. A GP ficará com cerca de R$ 340 milhões, considerando a média do preço proposto; os outros R$ 135 milhões ingressarão no caixa da companhia.

Essa é uma característica de praticamente todas as operações recentes. Ainda são poucas as empresas que buscam recursos para investimentos, a maior parte vai para a remuneração do controlador. No caso da GP, é exatamente essa a estratégia. O fundo investe em companhias com potencial de crescimento para depois vender as participações com lucro.

Após a oferta, o capital do Submarino será formado por 45,937 milhões de ações, o que indica um free float de 48%, porcentual bem acima do mínimo exigido pelo Novo Mercado, de 25%.

Se a operação for bem-sucedida, o valor de mercado do site chegará a R$ 1 bilhão, mesmo porte da fabricante de implementos agrícolas e autopeças Randon e da varejista tradicional Globex, dona da rede Ponto Frio.

O Submarino fechou o ano passado com lucro líquido de R$ 6,390 milhões, o primeiro de sua história, ante prejuízo de R$ 1,544 milhão em 2003. A receita líquida subiu 65,22%, para R$ 276,430 milhões. A geração operacional de caixa (Ebitda) praticamente dobrou de um ano para outro, de R$ 13,4 milhões para R$ 26,5 milhões. No final de dezembro, o patrimônio líquido estava em R$ 6,023 milhões, contra valor negativo de R$ 367 mil em 2003.’



INTERNET GRÁTIS
Renato Cruz

‘Provedor da Telemar já tem 200 mil internautas’, copyright O Estado de S. Paulo, 12/03/05

‘A Oi Internet, provedor gratuito da Telemar, fechou a sua segunda semana de existência com 200 mil usuários cadastrados. ‘O resultado está muito acima do esperado’, afirmou o presidente da empresa de acesso, Sérgio Creimer. ‘Existem provedores com cinco ou seis anos de mercado que ainda não chegaram aos 60 mil.’ De acordo com o executivo, o critério usado para a medição foram as contas de correio eletrônico com números diferentes de CPF. Para o fim do ano, a meta é chegar a 1 milhão.

O lançamento do provedor, no fim de fevereiro, foi cercado de polêmica. A empresa anunciou uma promoção, oferecendo 31% de desconto nos pulsos de acesso à internet para os primeiros 500 mil clientes da Telemar que se cadastrassem no provedor. Trinta e um é o código de longa distância da operadora. O prazo da promoção termina em 24 de maio.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) suspendeu o lançamento do desconto em conta. Concorrentes do Oi Internet reclamaram da promoção, que, em sua visão, contrariava a exigência legal de tratamento isonômico dos prestadores de serviço por parte das concessionárias de telefonia. ‘O contrato para desconto na conta, assinado entre a Oi Internet e a Telemar, foi cancelado’, disse Creimer. ‘Mas a promoção continua.’ A empresa estuda outras opções para conceder o benefício ao internauta, como créditos na conta bancária ou troca dos valores por produtos.

A decisão da Telemar de criar um provedor gratuito foi tomada com a venda de sua participação no iG, no ano passado. As concessionárias têm interesse no tráfego gerado pela internet grátis. A Telefônica possui o iTelefônica, a Brasil Telecom o iG e o iBest e, desde o mês passado, a Telemar a Oi Internet. Os provedores servem, ao mesmo tempo, como garantia de que não haverá um ataque mais agressivo de uma empresa à área da outra. A Oi Internet, por exemplo, usa linhas da Telefônica em São Paulo e da Brasil Telecom na região Centro-Sul do País. Qualquer movimento brusco do mercado poderia levar a empresa a usar linhas da Telemar em toda a sua operação, tomando para si o tráfego.

Mas não é essa a explicação dada por Creimer que, antes de ingressar na Oi Internet, foi responsável pelo lançamento do BrTurbo, provedor de internet rápida da Brasil Telecom, e do Pop, empresa de internet grátis que tem a GVT como sócia: ‘Optamos por outras empresas fora da área de concessão da Telemar para termos uma cobertura rápida. Começamos com 220 cidades e já estamos ampliando’.

A Oi Internet já tem 15 mil clientes cadastrados no serviço de e-mail unificado, que permite reunir várias contas de correio eletrônico em um só lugar. O Flog, diário virtual com fotos, conquistou 7 mil usuários. ‘Tivemos que reestruturar o banco de dados do Flog, devido à demanda acima do esperado’, disse Creimer. ‘Para os outros serviços, estamos estruturados desde o princípio para a meta de 1 milhão de usuários.’

Além da força da Telemar, maior operadora de telefonia fixa do País, o novo provedor cresceu na esteira da empresa de celular Oi, que tinha 6,863 milhões de assinantes no fim do ano passado. O site da operadora de telefonia móvel (www.oi.com.br) transformou-se no site do provedor.’

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