Terça-feira, 18 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1018
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Jornais apostam em gráficos para aprofundar informação

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 29/10/2008 na edição 509

Leia abaixo a seleção de quarta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Quarta-feira, 29 de outubro de 2008


 


INTERNET
Daniela Arrais


Gráfico no jornal dissemina informação


‘Barack Obama quer mudar os Estados Unidos. John McCain invoca Deus em meio a suas propostas. Pelo menos é o que mostram as análises visuais dos discursos dos candidatos à presidência dos Estados Unidos.


Enquanto o democrata se apóia em palavras como energia, seguro de saúde, emprego, economia e [George W.] Bush, o discurso do republicano trata de impostos, reformas, negócios e guerra.


Com base nas transcrições dos discursos dos candidatos, o ‘New York Times’ fez um infográfico para mostrar os destaques e as diferenças de cada um. A peça pode ser vista em www.nytimes.com/interactive/2008/09/04/us/politics/20080905_WORDS_GRAPHIC.html.


O jornal norte-americano sempre se destacou no aspecto gráfico e, agora, com a ajuda da internet, alcança leitores interessados em buscar informações de outra maneira -de preferência, a que transforme uma grande quantidade de texto em algo que pode ser entendido com apenas uma olhada.


Durante a Olimpíada de Pequim o ‘New York Times’ fez um mapa-múndi em que o tamanho dos países era proporcional ao número de medalhas conquistadas. O Brasil, por exemplo, com maior extensão territorial e apenas 15 medalhas, ficou bem menor do que a Alemanha, que conseguiu 41.


Organizar visualmente informações que despertam o interesse de grande parte dos leitores é o desafio diário do jornal, segundo Matthew Ericson, um dos responsáveis pelo departamento gráfico.


‘A cada dia, o ‘New York Times’ usa informações gráficas no papel e na internet para mostrar dados, contar histórias e fazer a informação mais entendível para milhões de leitores. O desafio é único. Muitos leitores não estão acostumados a pensar visualmente. E os deadlines podem ser curtíssimos’, disse.


Outro exemplo de uso de gráficos foi feito pelo ‘Los Angeles Times’, que comparou um discurso do presidente Bush antes do 11 de setembro e outro de 2006. Veja em www.latimes.com/news/nationworld/nation/la-020106union-clouds_lat,0,3278328.htmlstory.


Alcance


O uso de informações visuais no jornalismo ainda é pequeno, se comparado a fotos e vídeos, mas ajudam a focar em certos temas, segundo Al Tompkins, pesquisador do Poynter Institute (www.poynter.org), ‘escola para jornalistas que também praticam jornalismo’.


‘Você pode pegar dois discursos e comparar as palavras que aparecem com mais freqüência em um e outro. Pegue o relatório anual de um prefeito, por exemplo, e veja sobre o que ele fala mais. É sobre economia, segurança, impostos, educação? Como esse foco muda ao longo do tempo?’, indagou em entrevista à Folha.


Em seu blog (www.rnctagcloud.blogspot.com), Tompkins disponibiliza um vídeo em que explica como se faz uma nuvem de tags.


Ele usa o Tag Crowd (www.tagcrowd.com), que permite visualizar a freqüência com que as palavras aparecem em um texto. Basta colocar o texto, escolher a língua em que ele está escrito, se quer mostrar quantas vezes as palavras se repetem e clicar em Visualize!.’


 


 


Cristina Moreno de Castro


‘Mausoléu’ virtual na internet tem 240 mil mortos cadastrados


‘Uma espécie de ‘mausoléu’ virtual, criado há cerca de três meses na internet, já abriga 240 mil mortos cadastrados. O site permite que perfis de pessoas que se foram ganhem fotos, vídeos, homenagens e recados dos parentes que ficaram.


É o primeiro cadastro nacional de mortos do país, segundo o idealizador, o engenheiro civil Maurício Costa, 57, que mora em Blumenau (SC).


O site já registrou a inclusão de pessoas de cerca de 300 municípios, especialmente da região Sul do país.


Segundo Costa, em até dois anos o portal Espaço Viver (www.espacoviver.com.br) já terá registrado todas as prefeituras do Brasil, o que permitirá saber todos os óbitos do país. ‘Quando cadastrarmos todas, a inclusão de dados das cidades vai ser automática.’


O objetivo, mais adiante, é se associar a cartórios para que as novas certidões de óbito entrem automaticamente no site.


O portal busca os registros em cartórios e cemitérios e só divulga o nome do morto, de seus pais e da cidade do óbito. Há um sistema de busca de quem morreu. Pessoas inscritas no site também podem cadastrar os parentes e amigos -o óbito é checado pela equipe do site antes de entrar no ar.


A secretária Jean Thomsen, 43, de Blumenau (SC), cadastrou dez parentes e amigos. Ela diz que pretende fazer um memorial para os avós. Para isso, terá que pagar por um pacote, que vai de R$ 17 a R$ 490 (taxa única). Segundo ela, o site é como um Orkut dos mortos.


Se comprar, será o primeiro que Costa terá vendido. Ele ainda não lucrou nada com o site, já que a inclusão do nome é gratuita, assim como outros serviços -como deixar mensagens de afeto e montar a árvore genealógica da família.


Entre os planos pagos, o mais barato permite uma homenagem de 1.500 caracteres e uma foto. O mais caro comporta 60 fotos, uma biografia e vídeos.


Ao pensar no site, há quase dois anos, Costa diz que não conhecia o Orkut, mas logo viu o Footnote -versão norte-americana que tem mais de 80 milhões de mortos cadastrados. Segundo ele, os brasileiros evitam falar de morte, mas o site pode ser um consolo para ‘80% das pessoas do país que acreditam em vida após a morte’.’


 


 


Folha de S. Paulo


Mulher é presa no Japão por matar marido virtual em jogo


‘Uma japonesa de 43 anos foi presa na semana passada sob acusação de ‘assassinar’ o ex-marido virtual, de 33 anos, no jogo on-line MapleStory.


Em um momento de raiva, após o rompimento da relação, a mulher entrou no programa para excluir o perfil do companheiro, segundo um oficial da polícia de Sapporo.


No MapleStory, internautas usam avatares para interagir com outras pessoas, participar de atividades e lutar contra monstros e outros obstáculos.


‘Eu estava divorciada de repente, sem um aviso prévio. Isso me fez ficar com muita raiva’, disse ela no depoimento.


O policial também explicou que, apesar do crime virtual, a mulher não tinha qualquer plano de vingança no mundo real -não se sabe se os dois se conheciam pessoalmente.


Ela foi presa por acessar um computador ilegalmente e manipular informações -usou o login e a senha do marido virtual para acessar o MapleStory e deletar o avatar dele.


A japonesa ainda não foi formalmente acusada, mas, se condenada, pode pegar até cinco anos de prisão ou uma multa de US$ 5.000.


O homem reclamou à polícia quando descobriu que o avatar havia sido deletado. A mulher foi presa na quarta-feira passada, durante uma viagem pelo país -ela saiu de Miyazaki, onde mora, e foi para Sapporo.


O policial não soube informar se a professora é casada no mundo real.


Em agosto, uma mulher de Delaware (EUA) foi acusada de planejar o seqüestro real do namorado que conheceu por meio do Second Life.’


 


 


Bruno Romani


TV pela internet inclui bate-papo


‘O canal norte-americano CBS inaugurou em seu site (www.cbs.com) salas nas quais internautas podem assistir a séries e ainda interagir com os programas. Lançadas na semana passada, as salas sociais para conteúdo televisivo são mais um experimento da grande mídia para levar à rede o ato de ver televisão como um acontecimento social.


São como as salas de bate-papo tradicionais, em que as pessoas podem conversar por mensagens de texto, mas têm o recurso adicional de exibir -com boa qualidade de imagem- diversos programas do canal, como o ‘Survivor’, ‘Big Brother’ e o seriado ‘CSI’.


Além dar pitacos sobre o programa no chat, o usuário pode jogar ‘tomates’ e ‘dardos’ na tela caso algo não agrade, ou enviar ‘beijos’ e ‘corações’ em caso de paixão por algum personagem. Todos os que estão assistindo na sala vêem essas demonstrações quando elas ocorrem.


Mas a interatividade também tem fronteiras. Quem quiser pode assistir aos programas sem a companhia virtual de outros ‘internetespectadores’. E apenas usuários nos Estados Undos têm acesso às salas.


Como funciona


Os programas são exibidos de forma ininterrupta. Entre um e dois minutos após o encerramento de um episódio, o mesmo episódio recomeça. Se um usuário chega atrasado para exibição, é obrigado a esperar o episódio recomeçar para poder ver as cenas que perdeu. E internautas atrasados devem aparecer, pois o site não indica horários de exibição.


As salas da CBS apontam uma tendência sobre como os grandes canais americanos irão exibir seu conteúdo na rede. Em agosto deste ano, a NBC, concorrente da CBS, foi criticada por blogueiros pela falta de interatividade entre espectadores de suas transmissões on-line dos Jogos Olímpicos.


Esportes


As críticas à NBC tinham um propósito. No underground da rede, transmissões esportivas em salas virtuais em que pessoas podem conversar enquanto assistem ao streaming não são uma novidade.


Sites como Justin TV (www.justin.tv) possuem chats enquanto transmissões caseiras de filmes, programas de TV e eventos esportivos acontecem. Jogos de futebol envolvendo clubes brasileiros estão entre os mais populares do site. Em dia de rodada, torcedores trocam provocações e xingamentos enquanto acompanham as partidas on-line. Até 3.000 pessoas chegam a assistir à mesma transmissão.


Em muitos jogos, a intensidade dos usuários ao torcer pelos seus clubes chega bem próxima à histeria provocada pelo futebol quando é acompanhado de maneira coletiva. Torcedores ‘gritando’ gol, vibrando a cada lance e se provocando são comuns nas salas do site.


No Justin TV, futebol às 10 da noite às quartas não é mais uma atividade solitária. Por sorte, o site não permite que os torcedores joguem dardos uns nos outros.’


 


 


ELEIÇÃO
Fernando Rodrigues


O desafio do TSE


‘WASHINGTON – A melhor notícia sobre a eleição no Brasil veio da Justiça Eleitoral. Em 2010, a internet poderá ser liberada para a livre expressão de opiniões e como ferramenta legal na arrecadação de fundos de campanha. O presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, é o autor da sugestão: ‘Enquanto não sai o financiamento público de campanha -que se impõe-, a internet poderia fiscalizar e dar mais transparência às doações.


Nesse ponto, os norte-americanos têm a nos ensinar’. Sobre a liberdade de expressão valerá o bom senso, pois ‘o internauta é maduro o suficiente para deletar as mensagens que não o interessam’.


O ministro Ayres Britto está certo. O uso da internet produziu um efeito nunca antes visto em eleições presidenciais dos EUA. Milhões de jovens começaram a discutir política por meio das redes de relacionamento social.


Na semana passada, em Miami, um grupo de aficcionados de videogame conectados pela internet fez uma reunião com o objetivo de debater a eleição. Todos os dias, sem exceção, os eleitores cadastrados nos sites de Barack Obama e John McCain recebem alguma mensagem eletrônica (ou várias) informando o que cada um fez ou discursou nas últimas horas.


No plano da arrecadação de fundos, uma massa inédita de pessoas passou a doar para os seus políticos prediletos. Tudo de maneira limpa e rápida, pela internet, com cartão de crédito ou débito. Obama já passou dos 3 milhões de doadores, muitos contribuindo com menos de US$ 100. Lula, em 2006, declarou ter recebido dinheiro de apenas 1.634 doadores.


A liberação total da internet em campanhas brasileiras dará mais transparência ao processo. Mas o TSE tem um desafio pela frente. Precisa tomar a decisão com rapidez e assim evitar as pressões de praxe às vésperas da eleição.’


 


 


Catia Seabra


‘Melhor língua presa do que suja’, afirma publicitário de Kassab


‘Apontados como grandes responsáveis pela reeleição de Gilberto Kassab (DEM), os jornalistas Luiz González e Woile Guimarães afirmam que o governador José Serra (PSDB) saiu fortalecido da disputa.


Para eles, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ‘falou até mais do que devia na campanha’. ‘Perdeu junto com sua candidata [Marta Suplicy]’.


Em entrevista concedida por e-mail, e a quatro mãos, os dois negam milagres. Quanto ao problema de dicção do prefeito, afirmam: ‘Melhor ter um prefeito com a língua presa do que um com a língua solta, ou suja’.


FOLHA – Esse resultado eleitoral os credencia para a campanha de José Serra à Presidência?


LUIZ GONZÁLEZ E WOILE GUIMARÃES – A comunicação de uma campanha é resultado de um trabalho de equipe muito grande. O programa e comerciais de TV têm mais impacto. Só aí, havia 130 profissionais. Mais 300 de outras dez empresas. É um time.


Quanto à próxima campanha, quem pode responder é o candidato. Quem deve avaliar se esse time tem ou não condições é Serra, se ele for candidato.


FOLHA – Por que não fizeram a campanha de Alckmin, de quem foram conselheiros?


GONZÁLEZ E WOILE – Houve um entendimento tácito de que o momento era de caminharmos separados. Uma decisão acertada. Quando fomos convidados por Kassab, aceitamos com naturalidade o desafio, no tempo certo. Outra decisão acertada.


FOLHA – Até que ponto a insistência de Serra pesou para a decisão?


GONZÁLEZ E WOILE – Não houve insistência do Serra.


FOLHA – Marta insistiu na tese de que Kassab era um produto. O que dizem sobre isso?


GONZÁLEZ E WOILE – Se ela disse isso, foi mais um erro que cometeu. Kassab, além de político experiente e articulado, revelou-se um comunicador de primeira. Tem conteúdo, sabe do que está falando. É alegre, comunicativo, gravava muito bem nas locações externas e foi incansável, conciliando a agenda de prefeito e a do candidato.


FOLHA – Operaram milagres ao transformar um político sem jeito e com a língua presa em popular?


GONZÁLEZ E WOILE – A estratégia de mostrar a obra e o seu autor foi seguida à risca. Logo o eleitor associou os avanços ao prefeito, viu que ele seguia um projeto de governo que iniciou com Serra. Percebeu que a cidade realmente avança. Atributos como caráter, operosidade e coragem se sobressaíram. Sobre o pequeno problema de pronúncia-articulação, melhor ter um prefeito com a língua presa do que um com a língua solta, ou suja.


FOLHA – Por que foi possível melhorar a imagem de Kassab e nunca se conseguiu demover apelido Picolé de Chuchu? Ou Martaxa?


GONZÁLEZ E WOILE – Kassab foi revelado como administrador presente, solidário, trabalhador. Não melhoramos a imagem, demos exposição correta a ela, sem truques, agressões. Picolé de Chuchu é uma brincadeira, um apelido jocoso. Não creio que tenha desgastado o Geraldo. Martaxa é a constatação de uma verdade, sinônimo de uma prefeita que, para arrecadar mais, criou um mar de taxas. Difícil remover um apelido que tenha tamanha identificação com a personagem.


FOLHA – O presidente Lula tentou nacionalizar a campanha, participou ativamente. No final, disse que transferência de voto é relativa. Os srs. acham que influenciou?


GONZÁLEZ E WOILE – O presidente se empenhou mesmo. Subiu no palanque, fez considerações incompatíveis com a cadeira presidencial, falou até mais do que devia. Perdeu junto com sua candidata. É assim mesmo. Se tivesse vencido, o PT provavelmente estaria exaltando a força do presidente. Tendo perdido, espera-se que reconheçam que o eleitorado não tem dono.


FOLHA – A campanha teve que esconder aliados como Orestes Quércia? Por que a ênfase na parceria com o PSDB, se a aliança era maior?


GONZÁLEZ E WOILE – Não tivemos de mostrar ou esconder ninguém. Nossa missão era mostrar o Kassab, a exposição de seus atributos, o que foi feito à exaustão. Qualquer outra coisa significaria perder o foco. E isso teria sido um erro.


FOLHA – Por que Quércia não foi defendido dos ataques de Alckmin, o que quase causou uma crise?


GONZÁLEZ E WOILE – Quércia não era candidato. Discuti-lo significaria entrar na agenda das outras campanhas. Eles queriam um bate-boca entre políticos, mas nos mantivemos firmes na exposição do candidato.


FOLHA – Qual foi o pior momento da campanha? Os srs. ficaram preocupados quando Kassab se empolgou e convidou os jornalistas para uma visita ao CEU Vila Formosa?


GONZÁLEZ E WOILE – Logo no início da campanha, houve uma semana em que o crescimento do Kassab andou de lado. Ultrapassado esse momento, só houve alegria. Quando vencemos o primeiro turno e veio a primeira pesquisa dando 17 pontos na frente, não houve nenhum momento que nos tirasse o humor.


O acontecimento de Vila Formosa ficou conhecido internamente como ‘episódio São Pedro’: Marta tinha sido barrada na porta do céu.


FOLHA – Os srs. acham legítimo perguntar se um candidato é casado e tem filhos?


GONZÁLEZ E WOILE – A Marta, o seu comando político e seu marketing acharam que sim. O eleitor achou que não. O assunto foi dissecado na mídia e repudiado unanimemente. Não só não deu um voto ao PT, como deve ter tirado muitos. Afinal, ninguém administra com o aparelho reprodutor, mas com capacidade intelectual, sensibilidade social e respeito à inteligência do eleitor. Até o PT deve ter se arrependido da baixaria.


FOLHA – O PT encolheu em áreas onde tradicionalmente ia bem na capital. Mérito kassabista ou rejeição alta a Marta?


GONZÁLEZ E WOILE – Ambas as coisas. O eleitor foi impactado tanto pela obra administrativa e pela personalidade do Kassab, quanto pela exposição de propostas confusas e agressividade da candidata do PT.


FOLHA – Quanto os srs. ganharam para fazer a campanha?


GONZÁLEZ E WOILE – Quem deve dizer quanto gastou é o cliente.


E fará isso prestando contas públicas, como manda a lei.


FOLHA – A Lua Branca (agência dos filhos de González) tem contratos com a prefeitura e o Estado. Vai aumentar essa participação na publicidade depois da eleição?


GONZÁLEZ E WOILE – Não há nenhuma relação entre uma coisa e outra. A Lua Branca não participou da campanha. Mas tem o direito legal e comercial de continuar participando de licitações públicas, como tem feito até agora, transparentemente.


FOLHA – Quais os cenários que vislumbram para 2010?


GONZÁLEZ E WOILE – Parece evidente que o governador José Serra sai fortalecido da eleição.’


 


 


TELEVISÃO
Painel do Leitor


Violência na TV


‘‘A TV Record tem batido todos os recordes de mau gosto na exposição desnecessária da desgraça humana em horários que deveriam ser dedicados à criança e à família. Todos os dias, na programação diurna, o canal insiste em trazer assuntos completamente impróprios e indevidos, a título de ‘notícia’. Onde estão as autoridades que deveriam nos proteger contra essa falsa liberdade de informação?’


MÁRCIA DA COSTA NUNES NETO (Campinas, SP)’


 


 


Daniel Castro


Apesar da crise, Record investe R$ 200 mi


‘A Record vai investir R$ 200 milhões nos próximos meses na ampliação de sua central de estúdios no Rio, apesar da crise financeira global.


Até maio, a emissora construirá dois novos estúdios de 1.000 m2 cada e uma central de pós-produção (finalização e efeitos especiais). As obras já começaram. O RecNov, sua central de produção, já tem cinco estúdios desse porte, mas são insuficientes para a demanda. A versão brasileira de ‘Rebelde’ começará a ser gravada em um estúdio alugado.


A emissora também construirá em 2009 um prédio administrativo, com 5.400 m2, e uma fábrica de cenários e reciclagem de materiais com 20 mil m2. O RecNov também ganhará praças com quiosques e laguinhos, um centro de convivência com restaurantes, biblioteca, academia e auditório, uma portaria exclusiva para atores e uma estufa para cultura de plantas, além de estacionamento para 800 carros.


Na Globo, especula-se que esse dinheiro vem da Igreja Universal (maior anunciante da Record). A emissora nega. Diz que os recursos são integralmente de receitas publicitárias. A emissora divulga estimativa de faturamento de R$ 1,780 bilhão neste ano.


Na Globo, futuras obras no Projac aguardam a definição do orçamento de 2009. A emissora espera por sinais do mercado publicitário sobre a gravidade da crise no Brasil.


LOUCURA 1


Em seu blog, Glória Perez escreveu dois artigos sobre o caso Eloá. Para a autora da próxima novela das oito da Globo, Lindemberg Alves é um psicopata.


LOUCURA 2


Glória aproveitou o caso para falar da personagem de Letícia Sabatella (Yvone), ‘que vai mostrar esse desvio de personalidade’. ‘Calma, ela não vai matar ninguém. Só 1% dos psicopatas matam’, avisa Glória.


LOUCURA 3


‘Yvone é uma predadora e vai passar os capítulos como passa a vida: matando sonhos, ilusões, a confiança que as pessoas depositam nela. Está mais do que na hora de levantar essa discussão, até para que as pessoas aprendam a reconhecer e a se defender desse tipo de gente!’, escreveu Glória.


SINTONIA FINA 1


Deu certo, pelo menos no primeiro dia, a mudança na grade da Globo, que agora exibe novelas e ‘Jornal Nacional’ até 20 minutos mais tarde, por causa do horário de verão.


SINTONIA FINA 2


‘Negócio da China’ marcou 25 pontos, 5,5 a mais do que na segunda passada. A novela das sete subiu de 27 para 32. E ‘A Favorita’, de 43 para 46. A Record tentou neutralizar, exibindo resumo do capítulo de sábado de ‘Mutantes’, entre 20h10 e 20h45, atrasando o ‘Jornal da Record’ e o capítulo inédito da novela. Mas não surtiu efeito.


AU, AU


Silvio Santos está assistindo a DVDs de um reality show sobre cães que suas filhas trouxeram da última feira de televisão de Cannes, no início do mês.’


 


 


Folha de S. Paulo


MTV apresenta festivais europeus


‘Até sexta-feira, a MTV exibe dois especiais que valem a pausa no zapping. Amanhã, o canal exibe, em meia hora, os melhores momentos do show do Kings of Leon deste ano no megafestival irlandês Oxegen.


A banda de rock do Tennessee (Estados Unidos) acaba de lançar seu quarto disco, ‘Only by the Night’, no qual se distancia da influência country que dominou e tornou conhecidos seus primeiros discos.


Para uma platéia de quase cem mil pessoas, que dimensiona o sucesso da banda lá fora, eles tocam ‘The Bucket’, ‘Slow Night, So Long’ -de seu segundo álbum, ‘Aha Shake Heartbreak’- e ‘On Call’, ‘Knocked Up’ e ‘Charmer’ -do penúltimo, ‘Because of the Times’.


Já o ‘Especial MTV @ Exit 2008’, exibido na sexta, apresenta o festival que aconteceu à beira do rio Danúbio, na bela cidade de Novi Sad (Sérvia), durante quatro dias. Entre entrevistas com o público, em clima woodstockiano no verão europeu, o especial traz trechos das apresentações de Primal Scream, Paul Weller, The Hives e Gogol Bordello, que se apresentou semana passada no Tim Festival.


MTV LIVE KINGS OF LEON


Quando: amanhã, às 19h30, sexta, às 21h


Onde: MTV


Classificação: livre


ESPECIAL MTV @ EXIT 2008


Quando: sexta, às 19h, domingo, às 18h


Onde: MTV


Classificação: livre’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Juros lá e cá


‘Wall Street saltou 10% pela ‘esperança de um corte na taxa de juros do Fed’, o banco central americano, segundo a manchete on-line do ‘New York Times’. Aqui, a Bovespa saltou 13%, mas foi porque Wall Street subiu, segundo o Valor Online.


Sobre os juros brasileiros, que também saem hoje, a Bloomberg ouviu economistas e eles se apresentaram divididos: 14 apostam em manutenção da taxa, 11 em nova alta. O ‘Financial Times’ aposta em alta, ponto. O blog de Vinicius Torres Freire, ontem na Folha Online, ironizou que a falida Islândia elevou sua taxa para 18%, ‘jogou o Brasil para segundo lugar’ e agora ‘o risco é o Banco Central ficar com inveja’.


RICOS & EMERGENTES


Seguem as reportagens sobre o fim do ‘descolamento’ entre economias desenvolvidas e emergentes. ‘Guardian’ e ‘Financial Times’, ontem, abordaram especificamente a Bovespa, que está colada em Wall Street.


O movimento tem duas mãos. Em coluna hoje no ‘FT’, Martin Wolf destaca como ‘vital’ para EUA e Europa que os emergentes mais afetados ‘sejam mantidos à tona’. Também o crédito: ‘Se os bancos não se dispuserem a emprestar, os bancos centrais devem tomar seu lugar’.


RECOLAR


O ministro da Fazenda foi parar na ‘New Yorker’. Steve Coll reproduz pronunciamento em que Guido Mantega cita Franklin Roosevelt, ‘estamos sofrendo de individualismo selvagem’, e prega um novo ‘sistema de controles, que requer cooperação internacional’. Coll chega a dizer que, ‘embora menos nobre, faz lembrar algumas das lições de moral de Gandhi ao império britânico sobre a implicação de seus próprios princípios democráticos’.


Como Wolf e o ‘New York Times’, este em editorial, o jornalista defende o ‘recolamento entre emergentes e o Ocidente’, inclusive política monetária. Argumenta que é para não perder a ‘classe média’ que surgiu por aqui.


ALCA, O RETORNO


Duas semanas depois de um artigo do senador Chris Dodd, em defesa de maior aproximação com Lula e até com Raúl Castro, o ‘Miami Herald’ deu novo texto, de uma acadêmica, em defesa do aumento no ‘vínculo EUA-Brasil’. Mas agora se fala em ampliar ‘o livro comércio bilateral’, talvez formando com outros ‘parceiros de livre comércio’ toda uma ‘área de livre comércio’.


BRASIL & CUBA


Reuters, Ansa e outras, no topo das buscas de notícias em espanhol, diziam ontem que Lula vai convidar Raúl Castro para a cúpula latino-americana, em dois meses. Seria a primeira viagem do novo ‘mandatário cubano’.


Mas a atenção maior, por ora, é com a ‘possível reunião’ de Lula e Fidel -e um acordo de Petrobras e Cupetróleo, para explorar as grandes reservas cubanas no mar.


PERDE-E-GANHA


A queda-de-braço sobre quem venceu e quem perdeu na eleição municipal foi parar na cobertura estatal chinesa, ontem. O site da emissora CCTV noticiou que o ‘partido governista’, o PT, ‘fracassou em capturar a prefeitura no centro financeiro de São Paulo’. Mas a agência Xinhua despachou que as eleições ‘reforçaram o poder do atual governo’, com o crescimento do PT, do PMDB e do PSB. E ressaltando Eduardo Paes no Rio.


O FIM


O ‘Christian Science Monitor’ anunciou em sua própria home page, no alto, ‘Monitor muda estratégia da imprensa para a internet’. Ano que vem, aos 100, deixa de circular em papel, mantendo uma revista dominical. É para ‘cortar custos’, destaca o ‘NYT’, que noticiou a decisão na home e sublinhou sua ‘reputação’.


O editor do mesmo ‘NYT’, em discurso postado pelo ‘New York Observer’ com eco nos sites de mídia, afirmou a ‘confiança no futuro’ do jornal, louvou a ‘fidelidade dos assinantes’ e os rendimentos recentes em papel.


SEM EQUILÍBRIO


O site Politico trazia ontem manchete sobre o suposto enviesamento na cobertura da eleição americana. Diz o Projeto pela Excelência no Jornalismo que John McCain enfrenta quatro vezes mais notícias negativas do que positivas. Por outra parte, o republicano vai mal e não retratar isso seria buscar um ‘equilíbrio artificial’.


SEM SUSPENSE


Mas é nas redes e nos canais de notícias que o problema se amplia, a ponto de o ‘NYT’ questionar que âncoras estão a um passo de afirmar que ‘acabou’. Obama é tratado como ‘altamente favorito’ nesta eleição, com ‘liderança quase insuperável’. Mais uma vez, o outro lado diz que é na própria realidade eleitoral que falta ‘suspense’.’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Quarta-feira, 29 de outubro de 2008


 


TELEVISÃO
Jamil Chade


Brasileira faz Lula cair em ‘pegadinha’


‘O presidente Luiz Inácio Lula da Silva caiu em uma ‘pegadinha’ da TV espanhola sem que seus seguranças e assessores se dessem conta do que estava ocorrendo.


Há duas semanas, quando visitou Toledo com José Luís Zapatero, presidente do governo espanhol, Lula acabou parando para falar com uma brasileira que o perseguia durante todo o dia. Ela disse que estava com seu pai no celular e que ele queria muito falar com o presidente do Brasil.


Na realidade, no outro lado da linha estava Jordi Evole, um famoso humorista espanhol, que ontem exibiu a conversa em um programa de humor grande audiência.


Ao pegar o telefone, Lula ouviu, num português carregado de sotaque espanhol: ‘Presidente, viva o Corinthians’. Lula mandou um abraço. O humorista foi além: ‘Para lidar com a crise, menos samba e mais trabalho.’’


 


 


O Estado de S. Paulo


Grupo conservador ataca Obama na TV


‘Na tentativa de minar a campanha de Barack Obama em Estados cruciais, o grupo político conservador Fundo Republicano Nacional vai divulgar propagandas mostrando sermões polêmicos do antigo pastor do democrata, o reverendo Jeremiah Wright. O grupo pretende gastar cerca de US$ 1 milhão com anúncios em TVs de Ohio, Flórida e Pensilvânia.’


 


 


Keila Jimenez


Da cópia ao original


‘Claramente inspirado no canal americano sobre celebridades, o TV Fama, da Rede TV!, vai ganhar conteúdo oficial do E! Entertainment. Trata-se da série E! True Hollywood Story, programas que relatam com uma boa dose de drama – para muitos, diversão pura – a biografia de famosos, seus sucessos e suas quedas.


O negócio foi fechado pela emissora brasileira durante a MipCom, feira internacional de conteúdo audiovisual. A Rede TV! comprou cerca de 50 episódios do E! True, cada um, de um artista diferente.


‘São milhares de episódios, mas queríamos fechar com um pacote com personalidades conhecidas por todos aqui, como Michael Jackson, Madonna e Britney’, conta o vice-presidente da Rede TV!, Marcelo de Carvalho.


O E!True vai ao ar aos sábados, devidamente embalado no TV Fama, que deixa de ser então repeteco da semana. A Rede TV! também trouxe da MipCom a série The Nanny, que vai ao ar na hora do almoço, novas temporadas de Pokémon, e o desenho japonês Ryukendo, uma espécie de novo Power Ranger. A compra de outras duas grandes séries está sendo finalizada.’


 


 


TELES
O Estado de S. Paulo


Anatel prepara contrapartidas para fusão Oi-BrT


‘A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deve exigir contrapartidas na compra da Brasil Telecom pela Oi. Ontem, durante o evento Futurecom, em São Paulo, o presidente da agência, Ronaldo Sardenberg, afirmou que as contrapartidas são definidas com a análise da anuência prévia de cada operação. Segundo ele, não caberia incluí-las na proposta do Plano Geral de Outorgas (PGO), decreto presidencial que permitirá a aquisição.


‘O fato de parte dos conselheiros da agência ter deixado de acolher algumas sugestões de condicionamento não significou falha ou omissão. Somente resultou da percepção de que à Anatel cabe exclusivamente impor medidas regulatórias’, afirmou Sardenberg. ‘Os condicionamentos deverão ser considerados no momento da anuência prévia, para cada caso concreto’, disse.


‘Na anuência, pode tudo’, afirmou uma importante fonte do setor à Agência Estado. ‘Se a Anatel não fizer, o Cade fará’, reforçou um integrante do governo, em referência ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica, que analisará a compra sob o ponto de vista da concorrência.


Uma das hipóteses que vêm sendo cogitadas, segundo essas fontes, é a de se exigir que a BrOi (apelido da empresa que seria criada na fusão) amplie para as áreas de segurança e de saúde pública o programa que prevê a instalação, pelas concessionárias, de banda larga gratuita em 55 mil escolas urbanas. Nesse caso, a BrOi teria de levar internet em alta velocidade e gratuita a postos de saúde, hospitais e delegacias de polícia, por exemplo.


Outras alternativas em estudo visam incentivar a competição, com medidas que facilitem o acesso às redes das duas concessionárias. Entre elas, está a possibilidade de a Anatel fixar valores para o uso de infra-estrutura de banda larga da BrOi por outras empresas.


Também está sendo avaliada a possível obrigatoriedade de a operadora praticar o modelo de revenda, em que a concessionária vende no atacado um pacote de minutos ou de dados a uma empresa pequena, que vai revender ao usuário final, atuando em nicho de mercado.


O presidente da Anatel rebateu críticas de que a agência tenha se ‘curvado a pressões externas’, ao aprovar o PGO. ‘Não houve pressão por parte do governo nem das operadoras’, disse Sardenberg. ‘Houve, sim, divergência de opiniões, o que é salutar num processo desse tipo. Cada um dos membros do Conselho Diretor assumiu com transparência sua responsabilidade, alicerçada em posturas técnicas ou em suas convicções.’


Sardenberg disse que não está preocupado com fim do prazo contratual que a Oi tem para comprar a BrT, em 19 de dezembro. Caso não o cumpra, a operadora terá de pagar uma multa de R$ 490 milhões à BrT. Ele preferiu não fazer previsão sobre o prazo para aprovação da anuência. O processo de análise só começará quando o PGO, assinado pelo presidente da República, for publicado no Diário Oficial.


O Conselho Consultivo da Anatel deve fazer sua análise até 3 de novembro. Depois, a encaminha ao Ministério das Comunicações, que levará 48 horas para enviar o texto ao presidente, segundo afirmou o ministro Hélio Costa na segunda-feira.


ESTRATÉGIA


No evento de ontem em São Paulo, a Telefônica anunciou a diversificação de seus negócios. A empresa pretende oferecer, a partir deste ano, serviços de automação residencial.


A idéia da concessionária, que hoje fornece voz, banda larga e imagem, é fazer com que todos os dispositivos de uma casa ou escritório ‘conversem’ entre si, usando como veículo uma rede de banda larga. Uma das idéias da empresa é vender um equipamento que permite controlar recursos de áudio, iluminação, segurança e temperatura de um imóvel.


O primeiro passo do novo negócio foi dado ontem, quando a Telefônica assinou com a CHL, construtora do Rio de Janeiro, um contrato para a instalação de toda a infra-estrutura de automação em um prédio de apartamentos de alto padrão na capital carioca. O valor do contrato não foi revelado. A Telefônica ficará responsável pelo projeto de implementação do lar digital, fazendo a gestão dos dispositivos espalhados pela casa.


Em um primeiro momento, a Telefônica vai vender o serviço para incorporadoras. A partir do ano que vem, estenderá a novidade ao usuário final. ‘Estamos nos preparando antes porque queremos ser a escolha do cliente para o lar digital’, afirmou o presidente da Telefônica, Antonio Carlos Valente, durante a Futurecom 2008.


Ao ser questionado se esse não seria um passo arriscado em tempos de crise financeira, já que, em períodos de incerteza, a prioridade sempre recai sobre os serviços essenciais, Valente disse que a Telefônica decidiu fazer uma aposta em inovação e serviços de alto valor agregado, a exemplo do que vem fazendo com fibra óptica e televisão por protocolo de internet (IPTV).


‘Temos a opção estratégica de criar valor’, destacou. Ele reconheceu, porém, que apostas em inovação podem, eventualmente, ser equivocadas, ‘já que a vida empresarial é cheia de riscos’.’


 


 


GOOGLE
Miguel Helft, The New York Times


Google pretende lucrar com energias renováveis


‘O Google, gigante de busca e publicidade na internet, está mostrando um interesse crescente no setor de energia como uma oportunidade de negócio. Desde seu início, a companhia investiu milhões de dólares para tornar mais eficientes seus próprios centros de processamento de dados. Seu braço filantrópico, o Google.org, fez investimentos de US$ 45 milhões em tecnologias de energias limpas.


Nas últimas semanas, Eric E. Schmidt, o presidente-executivo do Google, tem sugerido um interesse mais amplo em energia. Ele se uniu a Jeffrey Immelt, presidente-executivo da General Electric (GE), para anunciar que as duas empresas vão colaborar em tecnologias para melhorar a rede elétrica.


E, enquanto o Google.org investiu em companhias iniciantes de energia limpa – como a que usa pipas para captar energia eólica -, o Google está analisando investimentos maiores em projetos que efetivamente gerem eletricidade de fontes renováveis. ‘Queremos ganhar dinheiro, e queremos causar impacto’, disse Dan W. Reicher, diretor de mudança climática e energia do Google.org.


O momento pode não ser oportuno. Com a recessão despontando e os preços do petróleo em queda, os investidores poderiam pressionar o Google a reduzir suas ambições em energia limpa. As ações do Google perderam mais da metade de seu valor no último ano, e alguns analistas se queixam de que a companhia tem uma longa história de se meter em novas iniciativas com resultados irregulares.


Mas nada disso dissuadiu o Google de ir mais fundo no novo negócio. A empresa está contratando engenheiros para realizar pesquisas sobre energia renovável, como ex-funcionários da área de energia do governo, cientistas e até um ex-astronauta da Nasa.


‘A companhia é um ator de destaque no campo energético’, disse Daniel M. Kammen, professor de energia e recursos naturais na Universidade da Califórnia e consultor de energia da campanha de Barack Obama. ‘O Google está na frente tanto em recursos humanos como em dinheiro.’


No ano passado, o Google anunciou seu objetivo de tornar a energia renovável mais barata que o carvão. Anunciou também um projeto para desenvolver veículos híbridos. A companhia está interessada em desenvolver tecnologias para sustentar algumas dessas modernizações, além de outras ferramentas que combinem energia e tecnologia da informação, como medidores elétricos ‘inteligentes’.’


 


 


Pedro Dantas


Familiares de mortos processam Google


‘Familiares dos três jovens do Morro da Providência, no centro do Rio, assassinados em junho após serem entregues por militares do Exército a traficantes do Morro da Mineira, na zona norte, entraram na Justiça contra o site de buscas Google.


O objetivo da ação, impetrada na 30ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Estado, é remover da internet um e-mail apócrifo intitulado ‘As fotos dos três anjinhos mortos no Rio’. Reproduzido em várias páginas, o texto relata as passagens dos jovens pela polícia e traz fotos deles armados e identificados como os mortos.


‘As informações sobre as passagens pela polícia são falsas e os adolescentes mostrados não são eles’, afirma o advogado das vítimas e presidente do Instituto dos Defensores dos Direitos Humanos, João Tancredo. Segundo ele, a defesa dos militares anexou o e-mail ao autos do processo. Usuários do site de relacionamentos Orkut, da Google, publicaram o texto e as fotos. Um deles na comunidade chamada ‘Marinha do Brasil’. Após listar os supostos crimes cometidos pelas três vítimas e até pela mãe de um deles, o e-mail, sem assinatura, critica o presidente Lula por ‘dar pensão para esta gente’ e acusa a ‘mídia parcial, o governo sem caráter, os políticos abaixo da crítica e ONGs defensores do crime’.


Segundo Tancredo, a ação estipula multa diária à Google Brasil caso as páginas não sejam removidas. O TJE informou que a ação não foi julgada. O Google informou que não foi notificado, mas esclareceu que não publica conteúdo, apenas indexa os existentes. Acrescentou que as fotos e os textos publicados devem ser eliminados em seus sites de origem.


Os rapazes Wellington Gonzaga Costa, de 19 anos; Marcos Paulo Campos, de 17; e David Wilson Florêncio da Silva, de 24, foram detidos por desacato no Morro da Providência, na manhã do dia 14 de junho, quando chegavam de um baile funk na Mangueira. Após o comandante recusar a ocorrência, o segundo-tenente Vinícius Ghidetti e seus dez comandados levaram os três para o Morro da Mineira, cuja facção criminosa é rival dos traficantes da Providência. Ali, os três foram torturados e mortos. Por causa desse caso, o Exército se retirou do morro, que era ocupado pelos militares para as obras do projeto ‘Cimento Social’.


INDENIZAÇÕES


Tancredo informou que a Advocacia-Geral da União já estuda os valores das indenizações que serão pagas aos familiares dos jovens mortos. Ele acredita que os valores devem ficar entre cem salários mínimos (R$ 41 mil) e mil salários mínimos (cerca de R$ 415 mil). ‘Além disso, as famílias de dois jovens estavam empregados no projeto Cimento Social receberão uma pensão equivalente ao salário mínimo que eles receberiam na obra. Utilizamos o mesmo critério adotado pela Comissão da Lei de Anistia.’


Os 11 militares que entregaram os jovens a traficantes devem ser levados a júri popular apenas em 2009, de acordo Tancredo. ‘Estamos na fase de ouvir as testemunhas de defesa e essas audiências devem durar até o final do ano’, afirmou o advogado dos familiares das vítimas.’


 


 


CRISE
Tutty Vasques


O último clique


‘A persistir o avanço da cobertura jornalística do fim do mundo, o repórter-fotográfico – ô, raça! – será a primeira categoria profissional a sentir na pele a crise financeira internacional. A rotina da pindaíba tem ensinado aos editores de Economia que, para efeito de ilustração do desastre global, basta um bom arquivo com variações em torno da clássica imagem do desespero dos operadores de bolsa de valores.


O personagem é manjadíssimo: homem de crachá e gravata frouxa, com a cabeça amparada entre as mãos, diante dos gráficos de queda das ações. O que determina se o flagrante é da bolsa de Kuala Lumpur, na Malásia, ou da de Reykjavik, na Islândia, é o tipo físico do pobre coitado em quadro. Não à toa, as redações têm à mão a mesma situação de pânico fotografada com modelos asiáticos, nórdicos, negros, mestiços…


É possível que hoje, extraordinariamente, eles estejam às gargalhadas nas bancas, opção que todo jornal dispõe para os raros dias – como o de ontem – de euforia do mercado. Seja como for, nada justifica mandar fotógrafo cobrir o pregão.’


 


 


 


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