Segunda-feira, 23 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

E-NOTíCIAS > CASO UCHO HADDAD

José Paulo Lanyi e Fábio José de Mello

15/03/2005 na edição 320

‘Antes de mais um artigo da série, reproduziremos duas frases que abriram, na Revista Imprensa, um dos textos do titular desta coluna, há alguns anos. O foco era o desprezo pela memória dos povos. Como hoje em dia as denúncias são fast-food, e quanto mais variado o cardápio, melhor, esta coluna é criticada por retomar um assunto mal resolvido. Ou melhor, nada resolvido. Por discordar daqueles que adotam o termo ‘requentado’ para classificar o jornalismo que resgata a memória pública, citamos, como alerta, duas frases de Napoleão Bonaparte:

‘Uma cabeça sem memória é um forte sem guarnição’;

‘Meu destino é o oposto dos outros. A queda os degrada, a minha queda me alça até as estrelas. Cada dia que passa faz cair meu hábito de tirano, de assassino, de homem feroz’.

Conforme fora anunciado, destacaremos aqui os comentários dos jornalistas e outros profissionais que apóiam Evaldo Haddad Fenerich, o Ucho (Leia Falso jornalista entrevista delegados da PF). O tom do desagravo é, quase sempre, o mesmo: esta coluna denunciou Ucho Haddad porque está ‘a serviço dos poderosos’.

Ucho Haddad é o outro nome de Evaldo Haddad Fenerich, citado em 09/10/2000 por uma reportagem do Estadão e do Jornal da Tarde como um dos responsáveis pelo ‘leilão do Dossiê Cayman II’. Correspondente em Nova York, o repórter Renan Antunes de Oliveira detalhou a negociata: ‘Uma ‘versão II’ do dossiê Cayman está em leilão para políticos e jornalistas, com lance inicial de US$ 60 mil. A papelada, supostamente comprometedora para o presidente Fernando Henrique e a liderança tucana, está sendo oferecida em Miami pela advogada Heloísa Ferraz, de 42 anos, mulher do empresário José Maria Teixeira Ferraz Junior, de 45, preso desde março pelo FBI por narcotráfico. ‘Quem pagar mais, leva’, disse Heloísa, ontem, por telefone’.

A matéria faz referência a Ucho Haddad, na época apresentado com o seu nome de batismo: ‘Polícia Federal, FBI, investigadores privados a serviço do governo brasileiro, jornalistas e todos os picaretas de Miami se debruçaram sobre a papelada durante quase dois anos, sem nenhum resultado concreto. Ferraz garante ter a única cópia autenticada – hoje nas mãos da mulher e de um outro sócio, Evaldo Fennerick (sic, e o grifo é desta coluna)’.

Mais adiante: ‘Ferraz autorizou sua mulher e Fennerick a revelar para o Estado alguns dos principais detalhes do esquema de corrupção na prefeitura de São Paulo em favor da Metrored, subsidiária do grupo americano Fidelity contratada para instalar a rede de fibra ótica na cidade’.

Ainda: ‘Segundo eles, Vital acertou com Barros e Ferraz que a Metrored pagaria US$ 10 milhões por contratos no valor de US$ 200 milhões. No ato, Vital adiantou US$ 2 milhões à Overland. ‘O pastor Caio Fábio ficou com US$ 100 mil. Ele queria mais US$ 400 mil no final da operação’, disse Heloísa, insatisfeita com o valor: ‘Ele foi ganancioso. No fim, nós só ficamos com US$ 900 mil, que ainda tivemos que dividir com Barros e Fennerick’.

Outro jornalista confirmou ter sido procurado por Haddad. Então na Agência Estado, Moisés Rabinovici, hoje diretor de Redação do Diário do Comércio, de São Paulo, narrou o episódio a esta coluna. Leia um trecho da reportagem, de meados de 2001: ‘Encontraram-se, diz Rabino, a pedido dele, Evaldo Haddad Fenerich. A conversa deu-se em um bar aberto, numa travessa da Avenida Paulista, próximo à Avenida Estados Unidos. Fenerich apresentou-lhe uma pasta fechada. Dentro da valise estariam os papéis de Cayman. Rabinovici não viu os documentos. Fenerich propôs o negócio, sem declinar o valor. Queria, primeiro, saber se o Grupo Estado tinha interesse em comprar o dossiê. Rabino diz ter levado a oferta à alta direção do Grupo. A resposta: ‘Nós não compramos esse tipo de informação’. Rabino diz que informou o proponente, e foi só’.

Trajetória inexistente

Com a prisão de seus comparsas pela Justiça americana, Fenerich fugiu dos Estados Unidos e, de volta ao Brasil, ‘mudou de profissão’. Em entrevista gravada a esta coluna, Haddad tentou construir uma trajetória jornalística inexistente. Disse que, como freelancer, testemunhou, do carro de trás, o acidente que matou a princesa Grace Kelly (‘Naquele momento morria Grace Kelly, na minha frente…’), e que vendeu a sua produção fotográfica a uma agência de notícias da Itália que, conforme jornalistas desse país, não existe.

Outro trabalho teria sido a cobertura dos últimos dias de Mário Covas para a Rádio Gaúcha. O chefe de reportagem Marco Antônio Bagio negou. Os repórteres, disse Bagio a Link SP, eram André Machado (estava em São Paulo para cobrir uma feira) e, depois, Marcelo Matusiak. Antes, a emissora de Porto Alegre recebia o material das agências, da CBN e da Jovem Pan.

Em outra passagem da entrevista gravada por esta coluna, Ucho Haddad comentara uma ajuda de relevância em seu início de carreira no jornalismo, como descreve outro trecho da reportagem de 2001: ‘Teria ido para Milão, apoiado por Maria da Penha Bueno de Morais. No início dos anos 80, editora de revistas femininas da Editora Abril. A jornalista dirigiu, em 26 anos de editora, as revistas Claudia Moda, Elle e Manequim. Ela diz que foi procurada há uns oito meses por Haddad. Apresentou-se como Evaldo. ‘Ele me telefonou, não conseguia me lembrar dele’. Depois, apareceu na casa dela. Tomaram café e conversaram. Bueno de Morais diz ter estranhado a visita. ‘Não tinha razão de ser. Nem sei como descobriu o meu endereço. Queria saber o que eu estava fazendo, insistiu que nos conhecíamos, que havíamos trabalhado juntos na Abril, falou do Noticiário da Moda [Haddad afirmara a esta coluna ter feito reportagens para esse periódico], disse que tinha interesse em abrir um site’ (…) ‘A ex-editora da Abril tem uma certeza: não enviou Haddad a Milão, nem como correspondente contratado, nem como free-lancer’.

Há um ano e meio, as notas do ‘colunista’ foram consideradas antiéticas pelo jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Leia a análise em ‘Jornalismo no Mínimo Esquisito’. A reportagem completa desta coluna sobre a fraude, ‘Ucho Haddad ou Evaldo Haddad Fenerich’, você lê aqui. Mais um trecho: ‘Evaldo Haddad Fenerich nasceu em 30 de outubro de 1958. Deve satisfação à Justiça há mais de dez anos. Habituou-se, desde 1992, a responder a inquéritos criminais: apropriação indébita, estelionato e outras fraudes, crimes falimentares, falsificação de documento público, falsificação de documento particular, uso de documentos falsos, receptação, ameaça… Mas, ressalte-se, foi condenado em somente um deles: por apropriação indébita, em 02/02/98. A sentença: um ano de reclusão em regime aberto e 10 dias-multa. Concedido o sursis, pôde cumprir a pena em liberdade’.

Quem está com Evaldo Haddad Fenerich

Claudio Julio Tognolli, conforme ele mesmo ‘professor doutor da ECA-USP, membro do International Consortium of Investigative Journalism (www.icij.org), que conta com apenas 100 membros no mundo, escolhidos mediante análise de curriculum e prática de jornalismo investigativo sério’, definiu a sua relação com Ucho-Evaldo: ‘… É meu amigo pessoal, meu vizinho. Meu site está linkado ao dele com prévia autorização minha – sinal de que acredito em sua boa fé. O Ucho pode contar comigo sempre’.

O ‘membro do International Consortium of Investigative Journalism, que conta com apenas 100 membros no mundo, escolhidos mediante análise de curriculum e prática de jornalismo investigativo sério’ também encaminhou todas as declarações de apoio a Evaldo Haddad à sua lista de ‘fellows’. Tognolli resumiu o que se leria na mensagem eletrônica: ‘Manifestações de apoio enviadas ao editor do site, em razão das acusações irresponsáveis, levianas e infundadas da última semana, disparadas por um jornalista que está a serviço de poderosos’. Como Haddad, em suas notas, Tognolli sugere mas não informa quem é o jornalista ‘a serviço de poderosos’, nem quem são os ‘poderosos’.

Roberto Romano, ‘professor titular de Filosofia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), professor de Ética, também pela Unicamp, doutor em Filosofia pela École des Hautes Études en Sciences’, traçou um paralelo curioso: ‘Não raro, na história dos povos, jornalistas levantam as iras de poderosos. Recordo apenas o caso mais célebre de todos, o de Emile Zola. Quando ele decidiu combater uma injustiça virulenta, no caso Dreifus, sofreu todo tipo de ataques, precisando sair de sua terra para não ser preso. Assim, todo jornalista digno deste nome experimenta, cedo ou tarde, o poder das forças políticas, econômicas, ideológicas, religiosas contra a sua frágil pena’. Sim, ele comparou a Gretchen à Sarah Vaughan. Note também o chavão que explica tudo: ‘as iras de poderosos’.

O jornalista Carlos Brickmann reforçou a blindagem e comentou a questão de uma maneira peculiar:

‘Ucho, Evaldo ou o nome que você quiser usar (e ninguém tem nada com isso): João Rubinato é o nome original de Adoniran Barbosa. Norma Jean é o nome original de Marilyn Monroe. Kirk Douglas não se chama Kirk Douglas, Doris Day não se chama Doris Day, Rita Hayworth e Lana Turner não se chamavam Rita Hayworth nem Lana Turner. E quanta alegria nos deram! Já don Tomás de Torquemada, o inquisidor, o torturador, o assassino, chamava-se Tomás de Torquemada, mesmo. E só nos trouxe tristeza. Não entendo por que tanta insistência acusá-lo de não se chamar Ucho, mas Evaldo. E daí? Vão Gogo era menos Vão Gogo porque se chama Millôr – ou, como pretendia seu pai, Milton? Não entendo por que acusá-lo de não ser jornalista. Você não escreve uma coluna jornalística? Será que é por não ter diploma? Nesse caso, somos colegas. Também não tenho diploma. Nem Millôr. Nem um imenso grupo de excelentes jornalistas. Mas, sinceramente, espero que o problema não seja a falta de diploma. A Arca de Noé foi construída por gente sem diploma. O Titanic, por gente com todos os diplomas possíveis e imagináveis. Não entendo, a propósito, por que voltam a acusá-lo agora. Cadê o gancho? Qual o acontecimento que justifica a volta da agressão? Será que você andou ferindo interesses, Ucho? Será que você mexeu com estruturas de poder, Evaldo? Será que alguém, atingido por alguma notícia de sua coluna, decidiu revidar, Fenerich? Como vê, seja o qual for o nome pelo qual o chamo, a dúvida é a mesma: onde é que você andou pesquisando que alguém poderoso não tinha interesse de ver pesquisado?’

Leitores atentos das colunas de Brickmann, Haddad, Giba Um e Cláudio Humberto, sempre em busca de informações preciosas, os jornalistas que assinam este artigo são, notória e publicamente, contrários à obrigatoriedade do diploma de jornalismo.

O repórter esportivo Wanderley Nogueira justificou a sua proximidade com Evaldo Haddad Fenerich. Elogiou o titular desta coluna, Link SP, e tratou o caso como um mero desentendimento pessoal: ‘Sobre o Ucho tenho a mesma impressão favorável que tenho de você. Acompanho sua coluna [de Ucho Evaldo], acho bem informativa e o considero um homem de boa fé. Sempre mostrou respeito e admiração pelo meu trabalho. Há alguns meses eu o convidei para escrever dois comentários semanais sobre esporte no meu site. Ele gentilmente aceitou e sugeriu um link no seu site. Eu concordei e agradeci. Só isso. A intensa atividade profissional também me impede ter contatos regulares com o Ucho. Nas últimas horas li o que você e o Ucho escreveram. Confesso, fiquei triste. Imagino que os demais jornalistas citados por você também tenham sentido a mesma coisa. Quando pessoas que respeitamos pelo trabalho que realizam entram em atrito temos a obrigação de tentar aproxima-las ou lutar para que as diferenças sejam superadas’.

Por fim, a entrevista com José Nêumanne Pinto, editorialista do Jornal da Tarde e colunista do site de Evaldo Haddad Fenerich. Pinto respondeu [em negrito] ao e-mail enviado por esta coluna. Leia a íntegra:

‘Caro Nêumanne…,

Não me lembro de conhecê-lo pessoalmente. Pode ser uma grave falha de minha cultura, mas a verdade é que tenho por hábito dar tratamentos como caro a pessoas de minhas relações ou, no máximo, de meu convívio.

… sou colunista do portal Comunique-se.

Não conheço, nunca abri, nunca ouvi falar. Perdoe-me a segunda falha cultural.

Escrevi uma reportagem sobre o falso jornalista Ucho Haddad, no site de quem o senhor figura como colunista. Como estou ouvindo todos os jornalistas citados no meu artigo, peço que o senhor me responda, por gentileza:

Não me consta que o fato de eu figurar no site de Ucho Haddad seja de sua conta.

O senhor tem conhecimento da vida de Ucho Haddad, descrita na coluna?

Está aí mais um assunto que não me parece lhe dizer respeito. Não posso imaginar por que lhe deva dar esse tipo de satisfação ou informação.

Sabia que ele se tornou um falso jornalista, depois de fugir de Miami para o Brasil?

Não estou interessado.

O senhor vai manter a sua coluna no site de Haddad?

O senhor há-de convir que se trata de assunto de exclusivos interesses do sr. Haddad e meu. Não estamos tratando do site Comunique-se, certo? Portanto, não lhe diz respeito.

O que o senhor pensa desse sujeito?

Considero suas questões impertinentes. Cheiram-me a patrulha, para dizer o mínimo. Têm o cheiro nauseabundo da censura. O que o Sr. Ucho Haddad fez ou deixou de fazer não tem o mínimo interesse para mim. E não me parece que lhe deva informar sobre o destino que dou ou deixo de dar a textos que escrevo ou deixo de escrever. Não me consta que o senhor tenha autoridade de me inquirir sobre o que faço deles.

Reproduzo a seguir o artigo que escrevi.

Se o senhor me permite, só li seu texto por causa da leviandade com que o senhor se refere a meu nome, fazendo menção que não tinha motivo de fazer. Neste momento, dedico-me à leitura de depoimentos de Roberto Romano, Carlos Brickman, Marli Gonçalves, Cláudio Tognolli e Ipojuca Pontes, profissionais cujos nomes me soam mais familiares que o seu.

Grato, José Paulo Lanyi.

Não sei por que me seria grato, mas lhe garanto que não agradeço nada sua tentativa desrespeitosa, censória e absurda de interferir na liberdade que tenho de produzir e distribuir textos que eu escrevo. Permita-me solicitar-lhe que dedique a meu nome e a minha produção idêntico descaso que voto aos seus.

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A Polícia Federal ainda não se pronunciou sobre essas questões. O caso está em análise. A coluna não conseguiu localizar os delegados que foram entrevistados pelo falso jornalista. Um deles, no entanto, assim que leu a reportagem ‘Falso Jornalista entrevista Delegados da PF’ manifestou apoio incondicional a Evaldo Haddad Fenerich. A exemplo de Pinto, na entrevista acima, não tem interesse em saber com quem se consorcia:

‘Olá Ucho, um homem se mede pelos amigos e inimigos que tem. Considerando quem o ataca e quem o apóia é possível aferir que você está no caminho certo! Lembro-me de uma época, em 2002, quando chefiava a DRE/RJ (Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal) e abri vários inquéritos para apurar lavagem de dinheiro e pedi o seqüestro judicial de vários imóveis de Fernandinho Beira-Mar. Fui procurado pelo principal advogado dele, o Dr. Lídio da Hora, que veio com uma conversa de sereia que repeli imediatamente. Meses depois, conversando com um advogado amigo, ele comentou que havia encontrado o Lídio da Hora, o qual falando a meu respeito, desfiou cobras e lagartos. Meu comentário imediato foi: GRAÇAS A DEUS!!! Ficaria preocupado se Lídio da Hora me elogiasse! Abraços UCHO, e conte comigo. Lamento não ter conhecido você há mais tempo.

Rayol (*)

(*) Antonio Carlos Rayol é Delegado Especial da Polícia Federal, especializado em crimes de lavagem de dinheiro, tráfico de entorpecentes e terrorismo’.

Evaldo Haddad Fenerich não falou com estes repórteres. Mas reagiu em seu website. Lá ele acusa a coluna de estar a serviço de ‘alguém’: ‘Cíclica, a cantilena dos inimigos começa a ressuscitar. Há dias, o mesmo jornalista que tempos atrás me elogiara de maneira estranha, para, horas depois, patrocinar um ataque voraz e covarde contra a minha pessoa, agora, a serviço de alguém, requenta o ataque de outrora. Nada tendo a apresentar de novo, manteve as mesmas’.

Em outro trecho, tenta fazer crer que as denúncias tenham relação com ‘o jornalismo não-diplomado’ (aspas nossas), por assim dizer: ‘Se a ausência de um diploma faz com que jornalistas sejam falsos, este senhor trará, caso cumpra a promessa, o depoimento de um jornalista tão falso quanto eu, quando, na verdade, falsos são aqueles que fazem de um reles canudo, que muitas vezes só alcança um quadrinho de vidraçaria de quinta, a sua mentirosa verdade de vida’.

Como de hábito, esta coluna se solidariza com todos os jornalistas de verdade, com ou sem diploma universitário.’



LÍNGUA PORTUGUESA
Deonísio da Silva

‘Um crucifixo com a marca INRI’, copyright Jornal do Brasil, 14/03/05

‘O juiz não queria acreditar. Lendo texto da lavra de advogado recém-formado, viu que entre os bens inventariados estava ‘um crucifixo de aço, marca INRI, sem indicação do fabricante’.

Vários profissionais do Direito, entre os quais alguns juízes, escrevem ao colunista narrando exemplos de tropeços em citações latinas. É um mero detalhe, entretanto revelador da falta de lastro intelectual de advogado que escreve mal.

Alguns de nossos grandes escritores, verdadeiros estilistas da língua portuguesa, foram ou são advogados. Contudo, hoje, no ambiente do fórum, basta o exame de poucos parágrafos para constatar que a língua portuguesa, principal instrumento de trabalho do advogado, é maltratada sem nenhuma possibilidade de recurso. E quanto mais ignoram a língua materna, mais erram também nas citações em outras línguas. O latim é vítima preferencial no Direito. Raros são os que fazem citações corretas.

No caso, INRI representa as iniciais da frase que Pôncio Pilatos mandou afixar na cruz em que Jesus foi supliciado. Vários compêndios de frases latinas, muito utilizados nos cursos de Direito, apresentam erros de transcrição, nessa como em outras frases. São omissões ou acréscimos de poucas letras, revelando entretanto o desconhecimento do autor que reuniu as citações.

A frase ‘Jesus Nazarenus Rex Judaeourum’ (‘Jesus Nazareno Rei dos Judeus’) aparece escrita de muitas formas. O genitivo plural de judaei, (judeus), judaeorum (dos judeus), aparece com variantes que os romanos jamais pensaram em usar. Pilatos, segundo nos narra São João, mandou escrever a declaração em latim, hebraico e grego, mas por motivos óbvios é em latim que ela é transcrita.

Um outro erro muito comum nas homenagens é a expressão in memoriam, que aparece escrita com freqüência in memorian. O acusativo singular da primeira declinação termina em m e não em n.

Outro erro presente em várias citações feitas por advogados remete-nos à Inconfidência Mineira. Os inconfidentes, entre os quais havia padres e letrados, socorreram-se do verso ‘Libertas quae sera tamen’, da autoria do poeta latino Virgílio. O juízo inteiro é ‘Libertas quae sera tamen respexit inertem’ (‘A liberdade que tardia, todavia, apiedou-se de mim em minha inércia’).

O lema, como foi adaptado, é esdrúxulo: a liberdade que tardia, todavia… (sic). Para o que queriam os inconfidentes, bastava ‘Libertas quae sera’. Ainda assim, o lema, com este erro de transcrição e de tradução, continua em documentos oficiais dos estados de Minas Gerais e do Acre. E em muitas petições, ainda que, entre outros, Paulo Rónai e Millôr Fernandes tenham já alertado, há muitos anos, para o equívoco.

Por influência da língua portuguesa, a expressão urbi et orbi, declinações de urbs, cidade, e orbis, universo, constantes de tradicional bênção do papa, que a estende a Roma e ao mundo inteiro, aparece grafada urbe et orbe.

Cyro dos Anjos a cita em Explorações do tempo: ‘Oposta à Matriz, num dos lados menores da Praça, a Cadeia exibia no rés-do-chão os seus negros, úmidos e malcheirosos cárceres, como a advertir urbi et orbi que o Código Penal não seria impunemente infringido na comarca’.

O Rio de Janeiro ostenta várias cotações latinas em prédios públicos. A frase ‘Ex fumo dare lucem’, muito citada por Machado de Assis, continua inscrita na fachada de antiga companhia de gás. É verso do poeta Horácio: ‘Non fumum ex fulgore, sed ex fumo dare lucem’ (‘Não dar fumo do fulgor, mas luz da fumaça’). Ipsis litteris é outra vítima. Ou dobram o p em ipsis ou suprimem o t de litteris. Frases e expressões latinas são indispensáveis no Direito. Convém, porém, citar direito. Não percamos o latim e muito menos o português!’



JORNAL DA IMPRENÇA
Moacir Japiassu

‘Rara ignorância’, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 10/03/04

‘Como habitualmente faz, o considerado mestre Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal no Planalto, chegou ao local de trabalho logo às primeiras horas da manhã. Distribuiu algumas ordens às secretárias, despachou um dos contínuos para a sede do Banco Central, onde funcionários zelosos distribuíam propaganda do presidente Henrique Meirelles ao governo de Goiás, e somente então, armado de uma caneta de tinta azul e outra de tinta vermelha, sentou-se à grande mesa do salão principal e abriu o Correio Braziliense.

Alguns minutos mais tarde, Roldão quedou-se em estado de choque, ao ler uma nota com o resumo da próxima novela da Globo, América, cuja estréia dar-se-á no próximo dia 14. O título, encorpado como um cavalo bom de sela, anunciava:

AMÉRICA – SONHO FULGÁS.

À tarde, mais ou menos recuperado, mestre Roldão enviou mensagem ao colunista:

Tá certo que há sonhos cheios de gás, como aquele do Paulo Maluf ao criar a tal da Paulipetro; porém, entre criaturas normais, até o pesadelo é apenas fugaz e nada mais…

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Infidelidade

Saiu na sempre divertida coluna de Claudio Humberto:

Eleitorado difícil

O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) anda descrente do eleitorado. Em visita a Anapu (PA), falou da incerteza de 2006, sobretudo dos eleitores conquistados com bandeiras como descriminalização da maconha.

– Está difícil: as prostitutas, que votam em mim, traem por profissão. Os maconheiros nem sempre acordam a tempo de votar e, quando fazem isso, esquecem meu número. E os gays só querem saber de Lindbergh Faria, o ‘lindinho’.

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Saudade

Na crônica de segunda-feira na Folha de S. Paulo, escreveu o considerado Carlos Heitor Cony acerca da frialdade dos computadores:

(…)Não creio que eles tenham inspirado qualquer tipo de poema a nenhum poeta. Mas lembro um bonito soneto de Ghiaroni, dedicado à sua máquina de escrever. Não o sei de cor. Tuberculoso, terminal, ele pede que a mãe dele não se assuste quando, em noite de luar, sozinhas, as teclas baterem devagar.

É deverasmente um belo poema (não soneto) e o leitor pode conferir os versos aqui no Blogstraquis.

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Pena de morte

Deu no apreciado Meio & Mensagem Online:

‘A execução é uma arte’ em novo anúncio da Stilgraf

[09/03 – 10:46] Peça apresenta banana completamente preta e a pergunta ‘É isso que você anda servindo para seu cliente?’

Janistraquis, que é contrário à pena de morte, indignou-se:

‘Considerado, execução não pode ser considerada obra de arte, nem mesmo pelo coronel Erasmo Dias! Não há nada mais politicamente incorreto, né mesmo? E a tal Stilgraf apresenta uma banana preta e sabemos todos que banana dessa cor só mesmo banana de dinamite. Quer dizer: mandam o condenado pro espaço e querem que isso seja algum tipo de arte?!?!?’

Confesso que não entendi bem a bronca do meu secretário, porém estamos numa democracia…

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Duas caras

Janistraquis se aproximou com aquele risinho no canto da boca, sinal de que vira mais um desses fantasmas incapazes de assustar alguém:

‘Considerado, acabo de descobrir que o novo presidente da Câmara, Severino Cavalcânti, é homem de duas caras, porque apareceu na Bandeirantes do jeito que Lampião gostava e, logo depois, como discípulo de Madre Teresa de Calcutá, em matéria da Rede Globo. Gravei. Quer ver?’

Fui dar uma olhada e confesso que fiquei envergonhado com a desfaçatez da terceira maior autoridade desta nação também de terceira (por favor, leiam a matéria da Folha, à qual se refere Clóvis Rossi em Nota dez, linhas abaixo). Pois Severino abriu a bocarra de cabra macho e confirmou toda a bravata diante da câmera da Band; pouco depois, no Jornal Nacional, apresentava o jeito manso, carregado de sotaque sertanejo, parecido com meu tio Dedé, que Deus o tenha. A diferença é que meu tio não gaguejava.

(O considerado leitor pode ler no Blogstraquis a excelente reportagem com o discurso do nosso homem em João Alfredo, sertão pernambucano.)

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Que pecado!

O considerado Camilo Viana, diretor de nossa sucursal em Belo Horizonte, deixou pra lá o Estado de Minas e o Diário da Tarde e enviou a ‘frase da semana’ perpetrada pelo ímpio Marcelo Madureira, um dos Agamenons de O Globo:

ESSE NEGÓCIO DE TRAQUEOTOMIA, PARA MIM, É PAPO FURADO.

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Elio Gaspari

A coluna recomenda a leitura deste artigo de Elio Gaspari, que se publica em vários jornais. Vai aqui um excerto, para o considerado leitor verificar a importância do assunto, e a íntegra está no Blogstraquis:

Lembra do telefone? Vai acabar

Nova York é uma cidade sabidamente pobre, com a população obrigada a viver, na média, com US$ 36 mil dólares anuais. Lá, como em diversas localidades americanas, a internet telefônica transformou-se num campo de competição empresarial. O Brasil, país sabidamente rico (US$ 3.300 anuais, na média), não precisa dessa bobagem. Talvez seja por isso que as grandes operadoras não batalham pela regulamentação do serviço, evitando assim a disputa comercial em torno de uma nova tecnologia que, na essência, prenuncia o fim do telefone como tal. Esse serviço só está disponível em Pindorama para grandes empresas. Os consumidores residenciais, se quiserem, precisam buscá-lo no exterior(…)

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P.Q.P. três vezes!!!

Pautei Janistraquis para procurar a correta definição de ‘país de m…’, uma das mais populares e tradicionais expressões usadas no Brasil. Ele foi à luta, conversou com deputados, senadores, bons e maus juízes, desembargadores, simples ladrões e sofisticados contrabandistas e chegou à seguinte conclusão:

‘País de m… é aquele que quando o dólar sobe, aumenta o preço de tudo, porque há componentes importados até na receita do pirulito; e quando o dólar cai, permanece a carestia, porém o país de m… fica mais pobre, porque, segundo apregoam, é grande o prejuízo dos exportadores. Isso, evidentemente, sem contar a corrupção generalizada, a burrice idem, a ignorância ibidem, o desrespeito às leis quase sempre cretinas e, ainda por cima, a derrota do Vanderlei Luxemburgo no Real Madri.’

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Mulher chata

Depois de ver, ouvir e ler um caçuá de matérias sobre o Dia Internacional da Mulher, Janistraquis desabafou:

‘Considerado, como todos sabem, sou louco por mulher, não por desvairada concupiscência, todavia pelo meu feminismo exacerbado. Porém, eu não daria um botão de rosa pra essa ministra Dilma Roussef. Eita mulher chata, hein?!’

É verdade. Mais desagradável do que dona Roussef, somente quando se está à frente da TV e acontece um apagão bem na hora em que o time da gente entra em campo.

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Nota dez

O mais divertido texto da semana nasceu, pasmem, do mau humor do considerado Clóvis Rossi em sua coluna da Folha de S. Paulo:

‘Catuco’, sim, Severino

SÃO PAULO – Virou moda. Depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva gabar-se de ter sido formado pela vida e pelos percursos que fez pelo Brasil, não por alguma faculdade específica, é a vez de o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, orgulhar-se de ter frequentado a ‘universidade do povo’.

(…)Talvez pela imposição do politicamente correto (o outro nome para patrulhamento), muita gente silencia ou até acha graça nas batatadas ditas, dia sim, o outro também, por Lula, primeiro e, agora, acompanhado de Severino Cavalcanti.

(Leia a íntegra do artigo no Blogstraquis)

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Errei, sim!

‘ARNALDANTUNESINO — O leitor José Delfim manda fax de matéria da Gazeta do Povo, de Curitiba, com título mais nebuloso que verso do, com licença da palavra, poeta Arnaldo Antunes: Atlético derrotado pela Ponte e Juventude garante classificação. Janistraquis também pensou, como Delfim, que o Atlético conseguira o milagre de perder duas vezes no mesmo dia e ainda assim classificar-se. Qual porém não foi seu estupor ao descobrir que o título arnaldantunesino abrigava dois jogos e situações distintas:

1 – O Atlético foi derrotado pela Ponte;

2 – O Juventude garantiu a classificação ao vencer o Goiatuba em Caxias do Sul.’ (dezembro de 1994)’





COMO ME TORNEI ESTÚPIDO
Ubiratan Brasil

‘Quanto mais idiota melhor’, copyright O Estado de S. Paulo, 12/03/05

‘A incapacidade é uma virtude para Antoine, jovem francês cuja inteligência e consciência crítica se transformam em obstáculos na busca da felicidade na sociedade atual. Afinal, de que vale ter títulos universitários e ser amante de livros, se a cultura não passa de uma fonte de sofrimentos intermináveis? A questão inspirou o escritor Martin Page a produzir um bem-humorado ato de rebeldia contra uma sociedade que exige a estupidez como passaporte e oferece a massificação como recompensa: o desesperado Antoine é o personagem principal de Como me Tornei Estúpido, livro de estréia que colocou o tímido Page no meio das principais páginas literárias franceses e que chega segunda-feira às livrarias brasileiras, sob a chancela da editora Rocco (160 pág., R$ 24).

Lançada na primavera parisiense de 2001, a obra pegou os críticos de calças curtas, já cansados (como bem observou o jornal alemão Frankfurter Allgemeine) do niilismo pós-existencialista de Michel Houellebecq, da atitude moralista de Frédéric Beigbeder e do toque de erotismo de Catherine Millet, soluções literárias que deixam o leitor encurralado entre o apocalipse e o suicídio. Em pouco tempo, o livro tornou-se um best seller e não raro vinha acompanhado por frases bombásticas como ‘Uma versão moderna de Cândido, de Voltaire’, ‘Um sonho interrompido, com um pequeno toque de Boris Vian’, ‘Um Bouvard e Pécuchet pós-moderno’.

Desde então, Page, que recentemente completou 30 anos, figura no seleto grupo de escritores parisienses. ‘Isso ainda me incomoda um pouco’, confessou o escritor em entrevista ao Estado, por telefone, desde Paris. ‘Escrevi sete livros antes, que não foram publicados e me permitiram conviver com o fracasso, até esse virar um estouro.’

Page, que é um dos convidados da Bienal do Livro do Rio, em maio, conta que se inspirou em um trecho da Bíblia, do Livro do Eclesiastes, que diz: ‘Muita sabedoria, muito desgosto; quanto mais conhecimento, mais sofrimento.’ ‘Antoine é a encarnação dessa frase, pois sofre de um espírito que jamais o deixa em paz’, comenta o escritor . ‘E, para dar contorno à sua personalidade, pensei em Copérnico, Darwin e Freud, sábios que lutaram para libertar o homem do obscurantismo.’’

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‘Tratado geral sobre a estupidez’, copyright O Estado de S. Paulo, 12/03/05

‘Para escapar da maldição de ser inteligente e se livrar das incômodas marteladas de sua consciência, Antoine, principal personagem de Como me Tornei Estúpido, experimenta diversos tratamentos. Primeiro, tenta se transformar em alcoólatra – sem sucesso, pois entra em coma depois de ingerir um reles meio copo de cerveja. Em seguida, decide-se pelo suicídio. Mas lhe falta coragem.

Toma, então, uma medida radical: elimina todos os livros de seu apartamento, instala um aparelho de televisão e passa a se alimentar de programas esportivos e de fast-food. Nem assim as moléculas da imbecilidade conseguem impregnar sua pele. Desesperado, Antoine ensaia fazer uma cirurgia para retirar parte do cérebro, quando consegue emprego na corretora de ações de um ex-colega de escola – o sucesso, finalmente, bate à sua porta e vem na forma da estupidez. A felicidade torna-se plena quando começa a tomar Felizac, antidepressivo receitado por um médico amigo.

‘Ele, enfim, acredita ter encontrado o antídoto contra a inteligência e se torna milionário de uma hora para outra, transitando com desenvoltura no mundo dos negócios e passando a consumir obsessivamente’, observa o escritor Martin Page, que foi surpreendido por um comentário da tradutora do livro em japonês – segundo ela, a história de Antoine reflete os receios da juventude japonesa, temerosa de encarar um futuro que não admite fracassados. ‘O personagem tornou-se, portanto, um ídolo por sua coragem e intransigência, embora o preço a pagar seja a depressão e o isolamento.’

Enquanto sua consciência dorme, encoberta por uma falsa realidade, Antoine acredita finalmente ter conquistado o sossego mas, entre um Felizac e outro, seu cérebro retoma a lucidez e a dificuldade de se sentir um membro efetivo da sociedade vem à tona. Até que, finalmente, o ‘resgate’ acontece e Antoine, persistente como Copérnico, Darwin e Freud, nada contra a maré para se firmar como um homem inteligente.

Martin Page descreve a trajetória de seu personagem de forma nada convencional, transformando, como notou o Le Nouvel Observateur, as propostas mais inofensivas em paradoxos engraçados: ‘Minha mãe é muito inteligente, mas é alguém bem bacana. Ela quer sair disto.’ Na mesma crítica, seu autor, Pascal Bruckner, compara o escritor a um Paulo Coelho ao contrário, por lançar seu personagem na busca espiritual da imbecilidade perdida.

Page se diverte com tantas comparações e agradece quando são citados autores de seu preferência. ‘Sou grande leitor de Cândido, em que Voltaire comprova ter sido um defensor radical do racionalismo, do universalismo e da tolerância’, comenta. ‘E especialmente de Boris Vian, que utilizava o bom humor para escrever livros com tramas surreais.’

Vian (1920-1947), de fato, deixou uma obra em que retratou a Paris do pós-guerra, aproveitando a força da corrente surrealista, com o que anunciava pelo onírico, erótico e, sobretudo, pelo satírico. Características semelhantes marcam Como me Tornei Estúpido, especialmente quando se conhecem os amigos de Antoine.

O mais estranho (e, talvez, o mais fascinante) deles é o fosforescente Aslee – na verdade, um fantasma que se exprime apenas por versos alexandrinos, embora não existam registros de seus poemas. ‘Apesar desses elementos, não pretendi escrever uma história surreal, pois há explicação racional para tudo e os assuntos estão calcados na realidade’, conta Page, que foi comparado pela imprensa européia a Amélie Poulain, personagem do filme de Jean-Pierre Jeunet, recordista de bilheteria na França. Afinal, ambos estabelecem ‘seus laços com a felicidade por meio da simplicidade, da rotina, da normalidade sem ambições, nunca parisiense, repleto de poesia surrealista, em que não falta entusiasmo’.

O escritor, que embarcou em uma malfadada experiência comunista na União Soviética em 1989 depois de trabalhar em empresas empenhadas em lucros e desinteressadas em gente, garante que hoje leva uma vida tranqüila, absorvido pela leitura. Revela, por exemplo, um respeitável conhecimento da literatura brasileira. ‘Descobri os textos de Osman Lins, João Guimarães Rosa e Clarice Lispector, mas fiquei fascinado por Lygia Fagundes Telles, especialmente A Estrutura da Bolha de Sabão, em que a escrita é manipulada com firmeza e serenidade.’

Ansioso para vir ao Rio (diariamente conta os dias que faltam, como um presidiário que aguarda a liberdade), ele vai se encontrar com o ministro Gilberto Gil, na próxima semana. ‘Será meu primeiro contato com o Brasil.’’

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