Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

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Lições dos erros, um aprendizado doloroso

Por Fabio de Oliveira Ribeiro em 24/07/2007 na edição 443

Numa ditadura, a palavra-chave é obediência. É claro que a mesma proporciona algumas vantagens, dentre as quais a possibilidade de planificação a longo prazo e o cumprimento de metas ambiciosas. O problema é que numa ditadura não há possibilidade de divergência; é impossível responsabilizar os donos do poder, a tortura se torna uma triste realidade, a corrupção se transforma rapidamente em moeda política para sustentação do ditador de plantão e a imprensa é amordaçada.

Numa democracia, a palavra de ordem deveria ser responsabilidade. Todas as questões devem ser submetidas ao escrutínio da maioria, as decisões fielmente cumpridas pelos administradores públicos e os ocupantes de cargos públicos (eletivos ou não) podem ser responsabilizados por seus atos e omissões. O problema é que numa democracia os processos decisórios podem se tornar lentos, a agilidade nas decisões se transforma em moeda de troca e a imprensa livre pode se acabar fazendo propaganda dos grupos que a controlam.

Nossa jovem democracia padece dos vícios acima apontados. Padece de outro ainda mais grave. Aqui, todo mundo é irresponsável. Irresponsável e não há meio de responsabilizar quem quer que seja, mesmo porque o Judiciário é corrupto e leniente.

Mas os políticos ganham bem…

A tragédia que aconteceu na terça-feira (17/7) vem sendo anunciada há meses. Apesar da consternação, não fiquei nem um pouco surpreso ao saber do fato pela TV. Cada um dos responsáveis pelo sistema de transporte aéreo ficou jogando a culpa no outro. O Congresso, que é um antro de marginais, imbecis e corporativistas, iniciou uma CPI – certamente para inocentar alguém. Nenhum administrador com poder de decisão fez algo para colocar um fim ao caos aéreo. O resultado aí está. Centenas de cadáveres que nenhum político, militar ou empresário do setor aéreo vai querer carregar nas costas.

Deveríamos aprender com nossos erros. Mas aqui, nosso aprendizado é sempre muito doloroso. Não damos atenção aos fatos, escondemos nossas próprias falhas, toleramos a corrupção e boçalidade judiciária, votamos em partidos que se comportam como quadrilhas e aplaudimos os idiotas que se acham em condições de ocupar este ou aquele cargo público.

Qual será o resultado da tragédia? Nenhum. Ninguém vai ser punido. Novos acidentes aéreos vão ocorrer. Ah, sim! Sob a euforia do PAN e a tristeza dos enterros, o Renan Calheiros vai se safar porque seus pecadinhos (que não são nem pequenos nem irrelevantes) já não dão ibope, nem vendem jornais e revistas.

Nossas estradas federais (estradas?) matam milhares de pessoas todos os anos. Nosso sistema de transporte aéreo está roto e matando centenas a cada acidente. Os portos não comportam o volume de carga que recebem. Mas nossos políticos ganham bem (e se corrompem impunemente), nossos juízes ganham muito bem (e receberão aposentadorias gordas porque empossaram e inocentaram políticos corruptos) e nossa imprensa ajuda a sustentar esta merda geral chamada Brasil – até que alguém resolva implantar uma nova ditadura só para piorar nossa vida.

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Advogado, Osasco, SP

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