Quinta-feira, 22 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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Mara Gama

12/05/2009 na edição 537

‘O leitor Guilherme escreveu para a ombudsman: ‘Levando em consideração os comentários lidos aqui sobre a gripe causada pelo vírus H1N1, acho conveniente começar a chamá-la de ‘nova gripe’ assim como a OMS tem recomendado. O UOL insiste em divulgá-la na página principal como gripe suína, mesmo depois das recomendações’.

A internauta Vivian comentou no blog, no dia 9: ‘No mundo inteiro foi mudado o nome da gripe, de acordo com um pedido da OMS. Por que no Brasil ainda chamam de gripe suína, e não Gripe A? A mudança de nome é totalmente influenciada pela mídia, e o UOL faz parte disso’.

A determinação da OMS sobre o nome ‘Influenza A (H1N1)’ data de 30 de abril. Tem como objetivo evitar os eventuais sacrifícios de animais e contempla as pressões das indústrias do setor de alimentos.

Enviei na segunda, dia 4, mensagem para as chefias da Redação sugerindo a discussão e reavaliação da nomenclatura. Ainda não obtive resposta. Neste domingo, 10, o termo ‘gripe suína’ continua a ser usado em título da home page do UOL.

Encontro Internacional

De 10 a 13 de maio, participo de um encontro internacional de ombudsmans de imprensa, em Washington.

A reunião terá a presença de 30 jornalistas, de 12 países. Do Brasil, participam também o ombudsman da Folha, Carlos Eduardo Lins da Silva, e Ernesto Rodrigues , da TV Cultura. Na volta, farei um relato das principais discussões aqui no blog.

***

A gripe nas manchetes (3/5)

Desde sexta, 24 de abril, a gripe suína esteve em destaque na página principal do UOL. No sábado, 25, o assunto atingiu a parte superior da home page e, desde o domingo, 26 de abril, até a madrugada de hoje, 3 de maio, foi uma das manchetes da primeira página.

Fiz um levantamento das manchetes publicadas pelo portal em sua home page relativas à doença e o quadro de sua evolução. Foram 73 chamadas diferentes. É um número grande para o período. Mostra que foi tido com o primeiro ou o segundo mais importante assunto durante toda a semana.

A maior parte dos títulos perseguiu aumento do número de casos e expansão das áreas de ocorrência da doença no mundo: 46.

Conteúdo sobre a situação no Brasil teve 27 chamadas. Foram bem concentradas nos dias 27, 28 e 29. Manchetes e chamadas com informações práticas foram 13, como por exemplo: ‘Ministério anuncia medidas para evitar gripe suína no Brasil’; ‘Saiba como evitar o contágio da gripe suína’; ‘Anvisa: ‘Não há restrição para carne de porco’’; ‘Ministério da Saúde vai distribuir kits contra gripe’ e ‘Anvisa vai monitorar todos os voos internacionais’.

As demais sobre a doença no Brasil atualizaram números da evolução de pacientes sob suspeita ou monitorados ou trataram de casos específicos.

Na home page, houve momentos em que o ‘mix’ de chamadas foi bem equilibrado, trazendo panorama da situação mundial e ao mesmo tempo serviços e casos locais ilustrativos que ajudam o público a dimensionar o problema, mantendo a atenção sem contudo incentivar o pânico sempre indesejável.

Mas houve outros em que o ‘placar’ da doença predominou, com informações muito pontuais sendo valorizadas por conterem números, independentemente de contextualização ou importância real no panorama global.

Ou, por outra parte, o destaque a declarações de previsões em tom de escalada, como foi o caso da edição de sábado, 2, com a chamada ‘Gripe se espalha, e OMS vê pandemia ‘iminente’’. A Organização Mundial de Saúde fala de pandemia desde o dia 25, até porque há um critério geográfico para que seja considerada a pandemia e não uma avaliação de ‘gravidade’ decorrente de análise particular de cada situação, conforme o próprio UOL já informou em texto e num gráfico sobre a doença. E a declaração era no sentido inverso. Se tratava de afirmar que não há, segundo a OMS, evidência de disseminação para além da área em que a gripe surgiu.

Outra reportagem com um tom acima da linha foi chamada também no sábado, dia 2: ‘União Européia estima que 40% da população será infectada’. A própria reportagem esclarece que ‘especialistas ressaltam que apenas um terço dos infectados devem apresentar sintomas perceptíveis da doença e uma parte ainda menor, cerca de 4%, chegará a ser hospitalizada por causa do vírus.’ Mas a manchete é forte e foi destacada.

Neste domingo, a gripe saiu do topo da página e recebe agora duas chamadas reduzidas: ‘Colômbia tem o primeiro caso de gripe suína da América do Sul’ e ‘México anuncia aparente estabilização da doença’.

A mudança de destaque em relação à cobertura de ontem é muito radical. Talvez um pouco demais. Não considero que tenha dado tempo de o público perceber que as últimas notícias sinalizam um quadro menos dramático do que o que se configurou durante toda a semana que passou. O ‘recuo’ nas previsões também deve ser destacado.’

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