Sábado, 24 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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Mídia convencional e Twitter: relações e conexões

Por Valério Cruz Brittos e Taize Odelli em 21/07/2009 na edição 547

Na digitalização, vivencia-se a integração da mídia tradicional com outros
setores, especialmente aqueles relacionados com as inovações trazidas pela
digitalização. Entre os mais significativos está a internet. Depois de jornais,
emissoras de TV e de rádio adentrarem o mundo virtual com portais para
divulgação de conteúdo produzido, utilizando ainda blogs para dar maior
visibilidade às suas ações e avançar na proximidade com o público, as indústrias
culturais estão se inserindo no novo fenômeno da internet: o Twitter.


O Twitter é um microblog onde seus usuários fazem postagens de, no máximo,
140 caracteres. Os twitts, como são denominados, podem receber respostas
de quem está seguindo a pessoa. Assim, ele também se caracteriza como uma
espécie de site de relacionamento. O Twitter caiu nas graças da mídia depois que
artistas famosos, como Demi Moore e seu marido, Ashton Kutcher, passaram a usar
a ferramenta. No Brasil, o site vem crescendo e, aos poucos, vai conquistando
internautas que até então só utilizavam o Orkut, o qual apresentou baixa nos
acessos. Porém, o Twitter não é apenas mais uma moda virtual, essencial para
todos os usuários da internet que queiram estar ‘antenados’ às tecnologias. Além
de reunir pessoas comuns e artistas que querem estar em contato mais direto com
o público, o mecanismo tomou grande proporção dentro da mídia
convencional.


Informação twitt a twitt


O Twitter tornou-se uma importante ferramenta na vida do internauta
brasileiro. Ele foi adotado não apenas como um meio de se comunicar com amigos e
familiares. Hoje, ele é usado na difusão de informação. Jornais, sites, redes
televisivas e outros meios de comunicação possuem contas no Twitter, onde
divulgam notícias e promoções. Em pesquisa realizada pela Bullet, em abril de
2009, 80% dos usuários do site disseram seguir ou já terem seguido alguma
agência de notícias.


A ferramenta mostra-se útil também na hora de burlar a censura. No Irã, o
presidente reeleito Mahmoud Ahmadinejad, tentou controlar a internet para
desestabilizar a organização de protestos contra a sua reeleição. Para contornar
a tentativa de censura por parte do governo iraniano, jornalistas e civis
passaram a divulgar e organizar os protestos através de blogs e, principalmente,
do Twitter. Uma manutenção no site que havia sido agendada para o período das
eleições foi adiada para não deixar os iranianos sem essa ferramenta de
divulgação. Golpe de marketing ou não, a decisão tomada pelos dirigentes do
Twitter foi aplaudida pela maioria.


Não só as agências de notícias invadiram o microblog. Agências de empregos
entraram na onda da comunicação por 140 caracteres e agora divulgam no site suas
vagas de emprego atrás de candidatos. O que começou com empresas de informática
vai se expandir para todas as áreas profissionais, segundo especialistas. Logo,
o Twitter se mostrou uma ferramenta não só de contato com conhecidos, mas também
de ampliação com contatos profissionais.


Em meio a isso, o usuário comum do Twitter também é visto como divulgador.
Uma pesquisa realizada pela Harvard Business School mostrou que o microblog não
é só mais uma ferramenta virtual de conversação, ou seja, de apenas manter
contato com as pessoas. A análise de tráfego e perfis dos internautas apontou
que o Twitter é um instrumento de difusão da informação, como o rádio e a
televisão. A pesquisa realizada pela Bullet definiu que a maioria dos usuários
do Twitter, jovens entre 20 e 30 anos, além de possuir blogs, repassa para seus
‘seguidores’ links de notícias, artigos, vídeos e outros conteúdos considerados
interessantes. As notícias e vagas de empregos divulgados no site pelas agências
não só abrangem o número de pessoas que seguem suas páginas, mas também outros
usuários, que se informam ‘de twitt a twitt‘.

******

Respectivamente, professor titular no Programa de Pós-Graduação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), coordenador do Grupo de Pesquisa Cepos; mestre em Ciências da Comunicação pela Unisinos; e graduanda em Comunicação Social – Jornalismo na UNISINOS e membro do Grupo de Pesquisa CEPOS (apoiado pela Ford Foundation), onde é bolsista de iniciação científica pela UNIBIC.

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