Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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Novas regras abrem domínios e mudam navegação na web

Por Sam Holmes em 27/06/2011 na edição 648

Acabou a era pontocom. Bem-vindo à era do pontoqualquercoisa.

A organização que regulamenta os domínios mundiais da internet aprovou ontem (20/6) mudanças que permitirão que empresas e pessoas registrem como endereço da web qualquer nome que quiserem em quase qualquer língua, um passo que pode mudar a maneira pela qual as pessoas navegam a internet. De acordo com as novas regras, quem registrar um domínio pode usar sufixos além dos tradicionais .com e .net – ou simplesmente ter um endereço com uma só palavra.

A Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números, entidade sem fins lucrativos conhecida pela sigla Icann, afirmou que a abordagem mais aberta – e potencialmente mais confusa – para o registro de domínios vai impulsionar uma nova onda de inovação. As empresas poderão criar um sufixo identificador para suas marcas e especialistas dizem que isso pode ajudar bancos e outros a melhorar a credibilidade de sua segurança online. A mudança também pode propiciar a empreendedores uma oportunidade de gerar novos negócios vendendo nomes de domínio de segundo nível, ou seja, o que vem antes do .com quando o endereço só tem esse sufixo ou o que vem antes do domínio de topo do país, no caso do Brasil, o br.

“Pode ser o começo de uma nova era de inovação online no espaço dos domínios”, disse ontem, em Cingapura, o diretor-presidente da Icann, Rod Beckstrom, acrescentando que “o sistema de endereçamento da internet acabou de ser aberto para as possibilidades ilimitadas da imaginação e criatividade humanas”.

Leilões com critérios

Adrian Kinderis, diretor-presidente da AusRegistry International, sediada em Melbourne, Austrália – que registra os domínios de país de Austrália (.au), Omã (.om), Catar (.qa) e Emirados Árabes Unidos (.ae) –, está ajudando os clientes a preparar seus aplicativos para usar domínios de topo. Ele disse que a maioria dos interessados é de empresas que buscam garantir a identidade da marca ou empreendedores procurando um espaço valioso no mundo cibernético.

Um exemplo é que o dono do domínio.doutor pode faturar vendendo domínios de segundo nível – seunome.doutor, por exemplo – só para médicos licenciados. “Posso vender esses por US$ 1.000 cada porque assim você agrega valor ao mecanismo de verificação dos domínios de topo”, disse Kinderis. É possível registrar um domínio de topo de até 63 caracteres com praticamente qualquer combinação de letras, afirmou o Icann. Um exemplo é que alguém pode transformar uma frase inteira num domínio sem sufixo. Os interessados precisarão de US$ 185.000 iniciais só para registrar um domínio tão único, embora os endereços tradicionais continuem custando uma pequena fração disso.

A Icann vai aceitar a primeira rodada de pedidos de endereços sob as novas regras de janeiro a abril do ano que vem. A primeira onda de novos domínios pode estar no ar já no fim de 2012. A Icann informou que a tarifa elevada se baseia numa estimativa do custo de processar o pedido, incluindo possíveis litígios judiciais envolvendo disputas de nome, e para outras contingências, embora o processo de leilão tenha o potencial de gerar um faturamento considerável para os cofres da organização. Os vencedores desses leilões serão determinados por uma comissão que vai decidir se um pedido é apropriado de acordo com uma série de critérios como o uso que o interessado pretende fazer do domínio e se o modelo empresarial é sustentável.

Já são possíveis domínios com acentos

Os interessados serão ressarcidos de acordo com o tempo que demorarem para retirar o pedido antes do comunicado do interessado vencedor. A Icann vai rejeitar os pedidos que aparentem ser de posseiros digitais que querem aproveitar nomes de marcas ou marcas registradas que claramente não lhes pertencem, de modo que, teoricamente, só uma pessoa ou empresa poderá possuir um domínio como .cocacola. A questão fica mais espinhosa mas potencialmente mais lucrativa para a Icann com os domínios semanticamente mais genéricos, como.qualquercoisa. Se a Icann não conseguir decidir por um único candidato mais apropriado num grupo interessado num nome, o processo segue para o leilão, em que o vencedor provavelmente será o que tiver os bolsos mais recheados.

O presidente do conselho da Icann, Peter Dengate Thrush, disse numa entrevista coletiva que espera que muitas disputas sejam resolvidas antes de o processo de inscrição atingir o estágio do leilão. “Mas se eles quiserem [fazer o leilão], aí o dinheiro voltaria para a comunidade [da Icann] para fomentar boas iniciativas”, disse ele, sem especificar como a Icann planeja gastar o dinheiro.

Não é a primeira vez que a Icann tenta expandir o número de domínios genéricos. No início da década passada um punhado de domínios genéricos como .info, .biz e .museum foram introduzidos para diminuir a demanda pelos sufixos mais populares, mas a procura por esses novos nomes foi de maneira geral morna. Outra reforma já realizada pela Icann foi a internacionalização dos domínios, que permitiu criar domínios da internet com acento e caracteres que não os latinos. No Brasil já é possível desde 2005 registrar domínios com acentos, informou a NIC.br, instituição sem fins lucrativos que gerencia o domínio de topo para país.br e registra domínios que usam esse sufixo. Ela informa que há 2.596 domínios com acento no país, ou 0,1% do total registrado pela NIC.br (colaborou Patrick Brock).

***

[Sam Holmes é jornalista do Wall Street Journal em Cingapura]

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