Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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O caso Plínio

Por Rafael Cardoso Sampaio em 07/09/2010 na edição 606

@willgomes A Folha e o UOL se gabaram tanto de fazer história com o 1º debate online, mas no mesmo dia #Plínio inventou o 1º debate online paralelo.

Dessa maneira, em uma frase, ou melhor, em um tweet, resumiu o professor e cientista político Wilson Gomes a respeito do primeiro debate online dos candidatos a presidente da República de 2010 promovido pelo UOL/Folha em 18 de agosto de 2010. O candidato Plínio de Arruda não foi convidado para estar presente no teatro Tuca em São Paulo, local da discussão presencial que foi transmitida pela internet. Entretanto, ciente do potencial dos sites de redes sociais, Arruda iniciou, em paralelo, uma transmissão ao vivo pelo Twitcam, na qual se propunha a comentar o debate e a dizer o que não seria dito no teatro paulista. O seu próprio debate paralelo. O candidato afirmou:

@pliniodearruda: Tuitadores amigos, já estou on line para entrar no debate para o qual não fui convidado. (@pliniodearruda live on http://twitcam.com/1p8ct)

O resultado foi conquistar o primeiro lugar nos Trending Topics (TTs) do Brasil. Ou seja, o candidato mais comentado no Twitter foi exatamente aquele que não ‘participou’ do debate, ao menos, não oficialmente. Como prometeu, Arruda interviu a sua maneira. Analisava as respostas dadas por Dilma, Marina e Serra e comentava inclusive as respostas que não eram oferecidas. Se determinado participante do debate oficial, por exemplo, prometia um milhão de novas vagas para a educação em seu futuro governo, Plínio respondia que se tratava de hipocrisia, pois o candidato em questão não comentava quantas vagas realmente eram necessárias para resolver o problema em voga. Aproveitou-se do intervalo para pedir contribuições de campanha, afirmando que a sua candidatura não era financiada por grandes empresas, o que lhe permitiu criticar os concorrentes e ainda defender o financiamento público de campanha. Chegou a explicar como o partidário interessado poderia montar um mini comitê de sua campanha em um domicílio comum.

‘Até mais tarde!’

Jornalistas e analistas políticos afirmam que a força do candidato do PSOL está no fato dele não ter nada a perder. Plínio não tem nem 1% de intenções de votos até o momento. Em segundo lugar, tais análises lembram que o Twitter ainda tem pouca presença em grande parte de público e a internet pouco impacto, particularmente se comparada a TV. O problema, nesse sentido, seria o fato de Plínio não conseguir transformar a visibilidade gerada no Twitter em votos. A maioria da população ainda não tem acesso fácil a rede e, mesmo entre aqueles que a acessam, o Twitter não é a rede social mais utilizada.

Todavia, subestimar o potencial das redes sociais pode ser um equívoco. Se a maior parte da população brasileira ainda não se encontra no Twitter, é certo que políticos, celebridades e, principalmente, jornalistas lá estão presentes e atentos ao que é dito e ao que acontece em tal ambiente. E a verdade é que a ferramenta online já se tornou uma das fontes das mídias de massa. Já chamou a atenção em movimentos de ‘cala boca’ e brincadeiras com celebridades, estampando a capa da revista mais lida do país.

Mas exatamente por esse potencial extra de visibilidade oferecido pelos grandes meios de comunicação de massa, que ele importa. Uma questão teoricamente ‘simples’ e banal dos meios massivos pode ser capturada para o Twitter e gerar muita repercussão em seu interior, assim como algo iniciado nessa rede social sempre pode chamar atenção dos jornalistas. Foi dessa forma que o ciberativismo fez pressão para Plínio Arruda estar presente no debate na Band, que por sua vez abriu as portas para a mini-entrevista do Jornal Nacional. E, nesse caso, quando não teve a abertura para participar oficialmente do debate do UOL, o candidato entrou por um acesso paralelo e chamou atenção. Como afirmou Wilson Gomes:

@willgomes #Plínio foi ao topo dos TT sem pisar os pés no Tuca e sem ter que suar na tourada do debate. E ainda poupou-se o dinheiro do marqueteiro.

Logo, diversos analistas concluem que o Twitter pouco importa, afinal tem impacto restrito. Ou em palavras mais amenas, ‘ele importa, mas não vai ser o principal meio da campanha’. Ele, afinal, tende a alterar pouco as intenções de votos. Todavia, estranhamente, os principais candidatos a presidente tem perfil no Twitter e ‘todos’ em todos os lugares (jornalistas, RPs, publicitários, assessores, marqueteiros e até políticos) estão atentos ao que é dito ali e aos movimentos que iniciam e terminam nos TTs. Afinal, importa pouco, mas não custa olhar. Talvez o impacto real seja pouco ao fim, mas Plínio e alguns outros têm demonstrado que se é difícil ganhar por ele, é ainda mais intrincado ignorá-lo. Ou, em suas palavras, em tom de alegria e crítica:

@pliniodearruda: Valeu gente! Conseguimos furar mais uma vez o bloqueio da grande mídia! Até mais tarde!

Para uma outra análise sobre o evento, ver neste ObservatórioUma oportunidade para a cidadania‘.

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Jornalista e doutorando em Comunicação e Política pela UFBA

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