Sábado, 24 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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O dilema do desemprego entre jornalistas

Por Carlos Castilho em 13/12/2005 na edição 359

Aproximadamente 60% dos jornalistas graduados em universidades latino-americanas ganham o diploma e vão direto para o desemprego ou para outras atividades. Esta assustadora estatística ocupou o centro de um debate no Colóquio Internacional Sobre a Sociedade da Informação, realizado em Santiago do Chile, no começo de dezembro, no qual fui um dos expositores.

Foi impossível estabelecer números absolutos apesar de o evento contar com a participação de diretores de algumas das mais importantes faculdades de jornalismo da América Latina. Um expositor chegou a mencionar, conservadoramente, três mil recém-formados sem emprego, anualmente, em toda a região.

Um número que provoca uma série de perguntas, entre as quais duas foram as mais mencionadas no evento realizado na Universidade do Chile:

1) É necessário desestimular o ingresso de jovens nas faculdades de jornalismo para evitar um crescimento ainda maior do desemprego profissional?

2) Ou a universidade deve entrar para valer no esforço para desenvolver novos projetos jornalísticos capazes de absorver os novos profissionais?

Áreas inexploradas

O dilema colocado diante dos professores de jornalismo não é simples, porque a primeira pergunta equivale a um reconhecimento do próprio fracasso, sem falar que uma redução do número de faculdades provocará também desemprego no corpo docente.

A segunda resposta parece mais fácil, mas embute uma série de desafios. A universidade é sem dúvida a instituição mais bem capacitada para buscar alternativas para a atual crise na mídia impressa. É a universidade que pode explorar os novos caminhos abertos pela internet para a comunicação social e testar a viabilidade de projetos inovadores.

Mas para fazer isso a universidade também precisa mudar, porque a esmagadora maioria dos cursos de jornalismo ainda estão orientados para a produção de profissionais para a imprensa escrita, e só marginalmente preocupam-se com o jornalismo via internet.

Haverá necessidade não só de alterar currículos e programas como reorganizar o corpo de professores para atender às demandas das novas áreas de conhecimento. Esta não é uma tarefa fácil porque mexe com interesses e estruturas já consolidadas.

A nova relação entre cidadãos/jornalistas/veículos de comunicação pode ser a chave para que os profissionais encontrem funções que não existem atualmente. Os profissionais terão que orientar e capacitar as pessoas comuns sobre como usar a informação para evitar as trágicas conseqüências da desinformação – que a internet transformou em arma letal à disposição de qualquer indivíduo.

Outras áreas ainda inexploradas são o jornalismo local e hiperlocal, bem como a informação multimídia em ambiente de convergência de meios. Estes segmentos da comunicação só poderão crescer como resultado de muita pesquisa e experimentação, coisas que só a universidade pode oferecer neste momento de profunda transformação na mídia convencional. [Postado às 12h04 de 9/12/2005]

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