Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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O inverno de Sarney na mídia

Por Luciano Martins Costa em 26/06/2009 na edição 543

O senador José Sarney cometeu dois erros táticos que podem lhe custar o cargo de presidente do Senado. Mas não há perigo de perder o mandato.


O primeiro erro foi o de afirmar que está sendo perseguido por apoiar o presidente da República. A declaração afastou seus apoiadores do Partido Democratas e os do PSDB que faziam vistas grossas ao escândalo.


O segundo erro foi o de se dizer vítima de uma ‘campanha midiática’. Essa tentativa de responsabilizar a imprensa pelo noticiário negativo a seu respeito deve alinhar os jornais ainda mais por uma resposta satisfatória do Senado ao amontoado de irregularidades que vêm sendo denunciadas desde fevereiro.


A própria Folha de S.Paulo, que vinha dando um tratamento mais brando ao caso do que o Estado de S.Paulo e o Globo, trata, na edição de sexta-feira (26/6), de recuperar o espaço perdido e abre três páginas de reportagens sobre o assunto. Além de fazer um retrospecto das principais acusações, o jornal que abriga o intelectual Sarney aceita finalmente discutir a sério o comportamento do político Sarney.


Outros escândalos


Mas o jornal que se vangloria de ter o rabo preso com o leitor e de possuir as mais qualificadas ‘moscas’ da imprensa nacional ainda não ofereceu uma justificativa para o fato de manter em seu quadro de colaboradores um articulista com uma folha corrida tão comprometida como figura pública.


A senha para exigir uma resposta satisfatória à opinião pública foi dada quinta-feira (25) à noite pelo Jornal Nacional, da Rede Globo. O mais poderoso telejornal do país reproduziu as denúncias do Estadão sobre o envolvimento de um neto de Sarney com operações de crédito consignado e anunciou: ‘Na crise do Senado, cresce a pressão para o afastamento do presidente da Casa’.


O Partido Democratas anuncia uma posição oficial para a próxima terça-feira (1/7). Sarney já marcou uma série de reuniões para tentar abafar a crise e se aconselhar com seus parceiros. Mas nenhum analista político arrisca sequer pensar em cassação.


O mais provável é que Sarney renuncie ao cargo de presidente do Senado com um de seus discursos pomposos, tentando dar alguma solenidade ao vexame. Por baixo dos panos, seus aliados continuam mandando e desmandando no Congresso Nacional, e a imprensa vai procurar outros escândalos com que se ocupar.

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