Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

E-NOTíCIAS > MÍDIA & SOCIEDADE

O legado das novas tecnologias

Por Sibele Martins em 29/12/2009 na edição 570

Mídias com características de rede sociais que possibilitam aos usuários produzir, disseminar e acompanhar conteúdos on-line e em tempo real, propiciam também a comunicação e o encontro, por assim dizer, de grupos que se interessam pelos mesmos assuntos, estão ganhando cada vez mais relevância e penetração, junto ao público, como se pode ver pelos casos dos canais YouTube e Twitter.

O primeiro acaba de criar um canal para que os chamados ‘cidadãos jornalistas’ possam postar vídeos que julguem relevantes e para que as redes de televisão e de conteúdo on-line possam ter acesso; o segundo, além de conter perfis com quase 100 mil ‘seguidores’, figurando entre os dez mais populares do mundo, também conta com o fato de o povo brasileiro liderar o ranking do microblog em números de usuários (são cerca de 35 milhões!).

Diante de informações desta magnitude, a pergunta que fica é: Quais os reais ganhos para a sociedade? O advento dos ‘cidadãos jornalistas’ munidos de aparelhos celulares e câmeras fotográficas que produzem vídeos, representam uma economia significativa para as redes de comunicação que há muito enxugaram suas redações e contam com correspondentes somente em ocasiões e locais estratégicos. Em troca, os colaboradores terão seus nomes citados a cada material aproveitado, o que pode gerar um certo status, além da sensação de cumprimento da cidadania, principalmente em casos de denúncia.

Um ponto de equilíbrio

Posto isto, uma vez que contamos com um número reduzido de jornalistas para dar conta de tantas informações – a demanda é grande e a oferta de profissionais também; no entanto, o mercado (redações) não absorve nem metade do contingente disponível –, um ponto positivo seria o de termos acesso às informações (texto, áudio, vídeo) que dificilmente chegariam ao nosso conhecimento não fosse o empenho destes cidadãos. Mídias sociais, em geral, trazem pontos positivos, como a constante busca por informação e conhecimento (o que é louvável!), a preocupação em passá-las a diante, em dividir este saber, o fortalecimento da cultura de uma postura cidadã.

Por outro lado, o confinamento no mundo virtual, inerente à sociedade pós-moderna, pode ser o agravante de uma situação que contribui para que o usuário, cada vez menos acostumado ao convívio coletivo, por conta de uma ‘bunkerização’ promovida pela internet, ao sair às ruas tenha menos noção de espaço e de respeito ao próximo, tenha posturas agressivas e desrespeitosas no trânsito, pois a redução drástica da convivência coletiva colabora sobremaneira para aumentar a sensação do indivíduo de que se encontra sozinho no mundo e de que tudo a sua volta o pertence.

No que se refere à sociabilidade dos indivíduos, portanto, o ideal seria que encontrássemos um ponto de equilíbrio entre busca e abastecimento de informação e convívio social, de maneira que nenhum dos lados ficasse prejudicado.

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Estudante do 8º semestre do curso de Jornalismo da Universidade Nove Julho (Uninove)

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