Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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O perigo das mídias digitais

Por Fernando Kelyssson em 21/07/2009 na edição 547

Que, com o surgimento dos blogs, Orkut e Twitter, entre outras mídias
digitais, a comunicação sofreu uma mudança radical, isto é inegável. Há
benefícios e malefícios nesse advento. Dentre os benefícios estão maior
acessibilidade à informação e maior oportunidade de expressão da população,
enfraquecimento do monopólio das grandes mídias, possibilidade de acesso a
fontes alternativas e diferenciadas, entre outros. Já dentre os malefícios
destacam-se maior margem de manobra para criminosos virtuais, mais facilidade de
acobertamento desses crimes, uma perniciosa fragmentação da sociedade causada
pelo boom de informações banais e sem sentido – com o trigo também cresce
o joio – a virtualidade vem gerando frieza e indiferença moral (muitos pensam
que crimes virtuais não são crimes, porque são virtuais. Ex: pedofilia no Orkut
ou em chats).


Dentre os malefícios, um, em particular, me chamou a atenção: sites, orkuts,
blogs e twitters estão sendo configurados usando nomes de pessoas que não o dos
verdadeiros autores para assinar pronunciamentos, informações, declarações e
artigos. Muitos se pronunciam falsamente usando o nome de instituições e pessoas
públicas, falando por elas sem autorização. Este crime, que é gravíssimo, pode
ocorrer com qualquer pessoa ou instituição, pois pode comprometer seriamente a
reputação e a honra das pessoas e também ferir a credibilidade de empresas
sérias. Além disso, notícias erradas ou maldosas, disseminadas na grande rede,
podem ter efeitos nefastos e devastadores.


Depois, não reclamem


Se muitos jornais possuem pouca credibilidade ao informar, muito menos a rede
digital. O jornal impresso (documento escrito, timbrado e assinado) ainda é a
fonte mais segura de informação. Pelo menos neste, em caso de dados deturpados,
temos material concreto para apelação e contestação pública e também nesse
sabemos a quem procurar para checar dados e reclamar erros.


Agora, a informação não está mais restrita à redação. Com sua difusão pela
grande rede de computadores, o mínimo que a lei e o Estado devem assegurar é a
educação e a formação dos que possivelmente a vão alimentar.


Onde ensinar o decoro ao jornalista? Na universidade. Quando? Em sua fase
embrionária. Como se certificar de que isto acontece? Tornando o diploma
obrigatório.


Se o ministro Gilmar e seus colegas se irritam quando os jornalistas falam a
verdade sobre eles, imaginem quando qualquer um falar deles mentiras. Depois,
não reclamem.

******

Jornalista, Belo Horizonte, MG

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