Quinta-feira, 21 de Março de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1029
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O senador finge-se de morto

Por Alberto Dines em 27/02/2009 na edição 526



Talvez não haja precedente no caso do senador José Sarney, ‘homenageado’ com um perfil arrasador na edição passada da revista britânica Economist. A escolha de Sarney para a presidência do Senado, segundo a revista, representa uma vitória do semifeudalismo. A resposta de Sarney, publicada na edição desta semana da revista, é tíbia. Ele não demonstra ter ficado indignado com as críticas. E a imprensa nacional também faz de conta que não leu os trechos mais graves do impiedoso retrato que faz do presidente do Congresso brasileiro a publicação britânica. (L.M.C.


A edição do Economist que está nas bancas brasileiras traz a resposta do senador José Sarney às contundentes críticas que recebeu na edição anterior.


O ex-presidente brasileiro foi chamado de dinossauro da política, dono de feudo eleitoral, responsável pela calamitosa situação do Maranhão e da sua capital, São Luiz, e respondeu de forma tíbia, convencional, tentando igualar-se às grandes figuras da política inglesa como Churchill, Lloyd George e Disraeli.


Nenhuma palavra ou tentativa de explicação sobre uma das mais graves acusações do Economist: a de aproveitar-se do seu poder como parlamentar para obter concessões de radiodifusão e assim tornar-se um dos mais poderosos coronéis eletrônicos do país.


Sarney preferiu passar ao largo das evidências. Mesmo porque a repercussão das críticas do Economist na imprensa brasileira deixou de lado a questão das concessões ilegítimas. É claro: nossa mídia não discute os problemas da mídia, apenas suas modas. E Sarney sabe disso.


O senador Jarbas Vasconcelos também sabe, por isso não mencionou a promíscua distribuição de concessões aos congressistas na arrasadora entrevista à Veja. Se tocasse no assunto-tabu, suas denúncias seriam esquecidas um dia depois.


 


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