Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

E-NOTíCIAS > ELEIÇÕES MUNICIPAIS

O papel da imprensa

Por Alberto Dines em 30/06/2008 na edição 491



A revista Veja São Paulo encerrou a série de entrevistas com candidatos a prefeito da capital paulista com uma decisão polêmica: não colocou o candidato Paulo Maluf na capa. E explicou sua decisão em editorial, afirmando que Maluf tem um passado não recomendável.


Com as convenções partidárias de domingo (29/6), o cenário para as eleições municipais começa a definir-se. Fica faltando a parte mais difícil: como iniciar o processo de depuração dos candidatos com a ‘ficha suja’.


Enquanto as diversas instâncias da Justiça Eleitoral não chegam a um acordo sobre os procedimentos para iniciar a limpeza sem ferir o Estado de Direito, cabe à imprensa assumir a sua função fiscalizadora. Para isto é necessária uma dose de coragem, muita investigação e senso de responsabilidade.


A Veja São Paulo neste fim de semana deu um exemplo do que a imprensa pode fazer. Como seria a vez de publicar uma entrevista com Paulo Maluf, a direção fez uma opção arrojada: publicou a entrevista e explicou por que Maluf não poderia estar capa – ao contrário dos três candidatos anteriores,


Maluf não tem os atributos morais para administrar a cidade. Recordista de processos, neste momento Maluf responde a quinze ações populares e dezenove ações civis públicas. Ficou 40 dias preso em 2005 por intimidar testemunhas e, na semana passada, a prefeitura de São Paulo anunciou que entrará com uma representação para repatriar os 120 milhões de dólares da sua conta num paraíso fiscal.


Teoricamente Maluf pode se candidatar, mas com este atestado público de maus antecedentes terá que pensar duas vezes. Este é o papel da imprensa.

Todos os comentários

  1. Comentou em 30/06/2008 Fernando Meiras

    É isso aí Perri, Dines está institucionalizando, como a Veja, a antidemocracia. Veja nunca deixou de publicar nada que desfavorecesse ACM não? Dois pesos e duas medidas. Por acaso, a Veja, com essa arbitrariedade, espera conseguir chamar a atenção de eleitores que possam tachá-la de cumpridora do papel democrático? Que piada! Por mais que Veja tenha articulistas prontos para inventar crises que tentem desestabilizar o governo Lula, de nada está adiantando, pois se, em seus quadros, existem pseudo jornalistas, que se submetem à ideologia da empresa para manter seus empregos, eles nada conseguirão fazer com qualidade, nem inventar crises. Até perdi as contas de tantas crises inventadas pela Veja. Mas falar da Alstom, nem Dines, nem Veja, nem Globo o fazem. Que imprensa fantástica temos aqui no Brasil. E por isso, Dines está sendo corporativista, uma característica nada condizente com a democracia.

  2. Comentou em 30/06/2008 Ruy Acquaviva

    O Observatório da Imprensa está censurando textos sobre o caso ALSTON??? Ninguém vai fazer nenhum comentário a respeito desse caso?

  3. Comentou em 10/02/2008 Cláudio Almeida

    Prezados,
    Acabo de assistir ao Fantástico de hoje e na reportagem que mostrou o drama da mãe que teve seu filho sequestrado e assassinado em S. José dos Campos, me chamou a atenção o ‘preconceito’ demonstrado pela equipe do Fantástico ao ressaltar que um dos jovens acusados pelo crime era um filho adotivo. Ao apresentar o garoto como um jovem de classe média alta e ‘filho adotivo’ a reportagem só contribui para reforçar a erronea crença que todo filho adotivo vai se tornar um filho problema. Na mesma linha da ‘apresentação’ feita na reportagem porque a jovem Camila (namorada do filho adotivo) não foi apresentada como ‘filha natural’ do dentista militar?
    Este tipo de comportamento retrogado e preconceituoso em nada contribuiu na formação da opnião em relação às crianças adotivas!
    Estas crianças que vão crescer e tornarem-se jovens e poderão ser excelentes cidadãos ou marginais independentes de serem filhos adotivos ou naturais!
    Gostaria que o tema fosse abordado pelo programa, e também gostoria de saber a quem recorrer pra que a TV Globo se retrate pelo ocorrido.

    Atenciosamente

    Cláudio Almeida

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