Segunda-feira, 23 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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Para que dar satisfação? 

Por Francisco Djacyr Silva de Souza em 18/08/2009 na edição 551

O que a maioria dos ouvintes sentem com as mudanças que ocorrem no mundo do rádio? Quais as suas expectativas sobre a situação deste meio de comunicação? Que tipo de rádio os ouvintes querem? Tais perguntas poderiam ser alvo de umA pesquisa dos supostos proprietários deste meio de comunicação para ver o que o usuário pensa do rádio e procurar moldar seus aspectos e funcionamento de acordo com expectativas de quem ouve rádio. No entanto, isso parece não acontecer, pois os ‘proprietários’ deste meio acabam tendo interesse meramente econômico e impõem mudanças sem se preocupar com o que pensa quem está do outro lado da comunicação.

Pessoas que viajam pelo Brasil tem verificado que o rádio AM no Brasil está em fase terminal, o processo de interatividade sem sendo paulatinamente eliminado das programações e o que se vê é um rádio limitado ao besteirol e ao processo de sucateamento em termo de mensagens e ideias que poderiam ser veiculada. Afinal o que querem do rádio?

Nos cursos de comunicação, o rádio é meramente uma disciplina deslocada da prática e tocada como mero instrumento de um currículo obrigatório deslocado do verdadeiro sentido histórico, cidadão e mobilizador, que o rádio sempre foi e será no cotidiano da comunicação.

Os alunos da comunicação sabem que rádio não dá dinheiro, sabem que rádio é coisa de velho, sabem que rádio não tem apelo publicitário, sabem que o rádio está em fase terminal e, diante das mensagens veiculadas até pelos professores das disciplinas, acabam desprezando o sentido do rádio e nem se engajam na luta justa por um rádio cidadão e democrático.

Penúria e democracia inexistente

A situação do rádio é de penúria, comunicadores antigos vêm sendo desprezados e tirados de tempo para dar lugar a pessoas que nem sempre estão afinadas com o rádio. Nas programações de grandes redes (CBN, Globo, Jovem Pan, Rede Clube) vemos com tristeza notícias deslocadas de nossa realidade e geralmente o desprezo total ao quesito interatividade. Algumas redes colocam e-mails para ver a opinião do ouvinte, mas isto é apenas retórica de uma suposta democracia que não existe.

E assim caminha o rádio: sem representatividade, sem organização de classe, sem formações adequadas ou respeito ao seu papel perante o povo que quer um rádio democrático, cidadão e honesto em todos os sentidos. Os nomes que fazem o rádio precisam ser enaltecidos, valorizados e conhecidos pelos que têm interesse em lutar pelo rádio. Os políticos têm de deixar o rádio sobreviver não o utilizando para fins eleitoreiros ou para interesses outros; os grupos religiosos precisam entregar o rádio para o povo e devem fazer dele um instrumento de comunicação plural e para todos.

O maior problema do rádio é que seus proprietários não querem dar satisfação sobre o que se passa no rádio. Não mostram sua viabilidade econômica, não dividem os problemas com a comunidade. Não querem que o ouvinte se aproxime da emissora. Não ouvem o rádio do qual são donos. Não sabem a opinião do público sobre o meio de comunicação que dominam. Essas atitudes são extremamente nocivas para a comunicação, que precisa ser o mais democrática possível para o bem da sociedade e para desenvolver uma mudança qualitativa na vida das pessoas.

Dar satisfação do que se passa no meio rádio seria salutar no sentido de que por meio de um processo de união poderíamos certamente dar ao rádio a importância que este merece para o bem da sociedade em geral. Talvez algo esteja errado com a comunicação e somente mentes juntas e democráticas poderão resolver com eficiência o problema.

Quem ouve rádio merece satisfação, sim, merece saber o que se passa nos interstícios da comunicação e merece respeito em todos os sentidos. Não podemos fazer do rádio uma caixa-preta que ninguém abre nem conhece, o que acaba fazendo com que o afastamento prejudique o sentido altruísta da comunicação.

A redenção do rádio AM, principalmente, está na interatividade e na instalação permanente de um processo de troca de idéias, de comunicação sadia, de valorização dos usuários. O rádio precisa acreditar em si mesmo e provar claramente sua importância no processo de comunicação. Os que fazem o rádio devem ter postura de aliados com seus usuários para no consenso chegar a um processo de entendimento e valorização da comunicação como um todo. O rádio tem uma importância tão grande que ninguém sabe a dimensão. Por isso acabam desprezando seu sentido cidadão.

A satisfação precisa ser dada, sim, o usuário da comunicação é peça fundamental em seu processo e tem de conhecer os problemas e participar ativamente de suas decisões. É urgente a criação de conselhos de ouvintes, é necessária a criação de espaços de ouvidoria no meio rádio e é salutar que o rádio seja o mais interativo possível para o bem da comunicação e para o sucesso da sociedade como um todo.

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Radialista, Fortaleza (CE)

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