Sábado, 26 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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Por quem os sinos dobram

Por Roberto Takata em 09/09/2008 na edição 502

Aparentemente, passou despercebida à imprensa (mídia) brazuca (perdão, titio Houaiss, mas brazuca é com ‘z’, e não ‘s’, vem de ‘Brazil’, e não ‘Brasil’) a notícia de que a Alcatel-Lucent decidiu fechar a divisão de física dos Laboratórios Bell – a Bell Labs [‘Bell Labs Kills Fundamental Physics Research‘]. Somente um blog, não relacionado aos grandes grupos de comunicação, comentou o tema [‘Simulações Computacionais: produto do desenvolvimento científico‘].

Foi ali que nasceram o transistor, o laser e a teoria da informação; sem falar do sistema Unix, na linguagem C, na detecção das microondas da radiação cósmica de fundo e outras inumeráveis contribuições à ciência e tecnologia com impacto direto na vida moderna, além do desbravamento dos campos do conhecimento teórico – coisas que renderam ‘apenas’ seis prêmios Nobel.

O que a mídia tem a ver com isso? Sem o transistor, simplesmente não teríamos computadores modernos – seriam aqueles monstrengos a válvula ocupando enormes salas: em outras palavras, não teríamos a internet comercial. Sem o laser, não teríamos a comunicação por cabos de fibra óptica: em outras palavras, novamente não teríamos a internet (menos ainda de banda larga). ‘Só’ a internet? Sem a teoria da informação, não teríamos a comunicação por satélite.

Um título apropriado

Junte tudo isso e não teríamos o CD ou o DVD – nem toda a tecnologia que deverá substituí-los em breve como o Blue Ray – (que dependem de aparelhos eletrônicos para codificar e decodificar os sons em sinais binários conforme a teoria da comunicação e ler esses sinais com o uso do laser). Nada de TV digital – menos ainda de alta definição –, celulares e smartphones, tocadores de mp3 e mp4 (nem mesmo arquivos mp3 e mp4)… Nem mesmo radinhos de pilha. A imprensa seria literalmente imprensa – pouco mais do que o legado imediato de Gutenberg.

Mas esse silêncio não é novidade. Há pouco mais de sete anos, morria exatamente um dos grandes que passaram pelos Laboratórios Bell: Claude Shannon, e a história não foi diferente [ver, neste Observatório, ‘Shannon, quem?‘].

A parte da ciência aplicada – computação, softwares, algoritmos, redes, nanotecnologia – continua. Porém um pedaço importantíssimo da pesquisa básica – a qual, como comentado acima, no entanto, rendeu milhões de aplicações – foi encerrada. O título do artigo da Wired é bastante apropriado: ‘Os Laboratórios Bell Encerram/Matam Pesquisas Físicas Fundamentais’. Não me perguntem por quem os sinos dobram…

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Pós-graduando, São Paulo, SP

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