Terça-feira, 15 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1058
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Problemas de segurança colocam cobertura em xeque

09/03/2004 na edição 267

Desde que os EUA dominaram o Iraque definitivamente, colocando fim à fase de batalhas da guerra de invasão, em abril, morreram seis profissionais de imprensa, e vários outros acabaram feridos, vítimas da resistência fiel a Saddam Hussein. Como reporta Howard Kurtz [Washington Post, 1o/3/04], os jornalistas americanos estão se sentindo mais inseguros que nunca para trabalhar naquele país. Devido à situação de risco, alguns veículos contrataram caríssimas empresas de segurança especializadas que, além de colocaram homens armados à disposição dos repórteres, realizam trabalho estratégico de inteligência junto à população local e às forças do EUA.

A eficiência dessas empresas já pôde ser comprovada por alguns profissionais, que se salvaram graças a seus serviços. Michael Holmes, da CNN, por exemplo, viajava num comboio de dois veículos que foi atacado por rebeldes armados com fuzis AK-47. De seu carro, um dos seguranças se pendurou para fora e atirou de volta, o que permitiu que fugissem, ficando ferido apenas um operador de câmera. Os dois ajudantes iraquianos que vinham acompanhando no carro da retaguarda, no entanto, não escaparam.

Fatos como esse têm causado polêmica. O jornalista, historicamente, tem o dever de ficar imparcial no ambiente em que trabalha. Revelações como a de que um correspondente do New York Times estava andando armado contrariam esse princípio. ‘Você não pode alegar neutralidade se estiver armado. Passa a ser visto ainda mais como um alvo, se não como um combatente’, argumenta Tracy Wilkinson, do Los Angeles Times, que entrava em um automóvel na frente de um restaurante em Bagdá, na noite de Ano Novo, quando um carro-bomba se chocou com o edifício, bem ao seu lado, deixando seu rosto com cortes profundos.

Ann Cooper, diretora-executiva do Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ), conta que, em recente conferência realizada em Budapeste, repórteres europeus acusavam os americanos de, por contratarem guardas, estar prejudicando as condições de segurança para todos. ‘É um assunto muito quente no momento. E se os seguranças armados entram em um tiroteio e matam alguns civis, como é que fica? Isso é justificável? A questão fundamental é: está perigoso demais para que os nossos jornalistas permaneçam ali?’

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